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Hora da limpeza
Sai a
lista negra dos paraísos fiscais
Na semana
passada, a Organização para Cooperação e Desenvolvimento
Econômico (OCDE) divulgou a lista dos paraísos fiscais comprometidos
a tornar as movimentações bancárias em seu território
mais transparentes e a dos que se recusam a colaborar. A organização
levou em conta a predisposição dos países para repassar
informações sobre as transações financeiras
em casos de investigação e para adotar critérios
uniformes para cobrança de taxas. A intenção é
rastrear com precisão as transferências de dinheiro no planeta.
Os sete países que figuram na lista negra são Mônaco,
Andorra, Libéria, Liechtenstein, Ilhas Marshall, Nauru e Vanuatu.
Em situação oposta estão Bermudas, Chipre, Ilha Maurício,
Ilhas Cayman, Barein, Ilha de Man, Malta, San Marino, Aruba, Antilhas
Holandesas e Seychelles.
A OCDE enfrentou
dificuldades para abrir as caixas-pretas das ilhas da fantasia financeira
porque muitas dependem de dinheiro, seja qual for sua origem. Por serem
lugares pequenos e de escassos recursos naturais, abriram mão dos
impostos e deram aos depositantes garantias de anonimato em troca da entrada
de capital. Para quem coloca dinheiro nesses portos seguros, o termo paraíso
é apropriado. Conseguem escapulir de custos e podem esconder-se
do Fisco em seu país de origem.
Essa preocupação
é secundária para os investigadores da OCDE. Eles estão
incomodados com o uso de paraísos fiscais como reduto para dinheiro
de origem duvidosa, como o do tráfico de drogas e armas. O debate
em torno desses refúgios ganhou importância no ano passado,
em razão dos atentados aos Estados Unidos. Os americanos suspeitam
que parte do capital de Osama bin Laden esteja nesses países. A
pressão se intensificou. Por enquanto, nenhuma sanção
foi aplicada aos paraísos fiscais, mas a expectativa é que
os países desenvolvidos acabem convencendo as pessoas e empresas
a não mais recorrer ao serviço desses lugares. Tal iniciativa
aponta dois caminhos: redução do número desses abrigos
ou maior transparência para operarem. Quem quiser continuar no ramo
terá de se adequar aos novos tempos.
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