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Zoológico
artificial
A população de animais
clonados
continua crescendo e os
cientistas
tentam até reviver bichos extintos
Anna
Cecília Junqueira
Divulgação de San Diego/EUA/Zoo
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Urso
panda: chineses
querem
salvá-lo
da extinção
com clonagem
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Em
meio aos intermináveis debates sobre clonagem humana esquentados
de vez em quando pelas ousadias supostas e verdadeiras do médico
italiano Severino Antinori , os especialistas em clonar animais
estão apresentando resultados muito satisfatórios. Em seis
anos, várias espécies de bichos já passaram, com
sucesso, pelo tubo de ensaio dos "clonadores". "Por causa das barreiras
éticas impostas por alguns governos e da dificuldade de conseguir
material suficiente, a clonagem humana naturalmente acabou ficando para
trás", afirma o pesquisador brasileiro Lawrence Smith, professor
titular do Centro de Pesquisa em Reprodução Animal da Universidade
de Montreal, no Canadá.
Atualmente, há mais de 100 laboratórios no mundo clonando
animais. Os estudos com espécies clonadas começaram a dar
resultados no fim da década de 90, com o nascimento da ovelha Dolly,
produzida pelo Instituto Roslin, na Escócia, a partir de células
somáticas de bichos adultos. Depois disso, o zoológico de
duplicatas não parou de crescer. Boi, cabra, camundongo, porco,
gato, coelho e até animais que quase foram riscados do mapa-múndi,
como um touro asiático conhecido como gauro, já entraram
para a lista dos clonados.
Mas qual a motivação para produzir animais idênticos?
Segundo o pesquisador Lawrence Smith, são três os motivos.
Primeiro, para reproduzir exemplares de alta qualidade comprovada, principalmente
no setor pecuário. Essa é a clonagem mais comum e também
a mais barata. Cada animal clonado, da repartição celular
ao bicho vivo, custa de 30.000 a 50.000 dólares. Segundo, para
produzir clones transgênicos, que tenham algumas características
reforçadas, ou modificadas, de acordo com o interesse do pesquisador.
A terceira aplicação da clonagem, mas ainda pouco desenvolvida,
é a recuperação de espécies em extinção,
ou já extintas, como o mamute, aquele ancestral do elefante que
conviveu com o Homo sapiens até o fim da Idade do Gelo,
quando sua população foi dizimada. É, de longe, a
técnica mais complexa. Os poucos exemplares que resistiram encravados
em geleiras sem se decompor totalmente têm o material genético
muito danificado pelo tempo. A técnica de clonar espécies
extintas foi exposta de maneira razoavelmente correta no filme Parque
dos Dinossauros, de Steven Spielberg. Nele é mostrado que seqüências
do DNA de animais extintos que não puderam ser conservadas são
substituídas por material genético retirado de animais modernos
com algum grau de parentesco com aquele que se quer fazer reviver.
"Clonar
um animal extinto é um projeto que exige muita dedicação,
pois pode levar mais de vinte anos e tem apenas de 5% a 10% de chance
de dar certo", afirma o pesquisador Don Colgan, do Museu Australiano,
que vem tentando há quatro anos a clonagem do tigre-da-tasmânia,
extinto em 1936.
Para quem imagina que a clonagem tem o poder mágico de salvar espécies
em extinção, os cientistas fazem uma ressalva muito importante.
Produzir cópias geneticamente idênticas de um único
indivíduo originará uma população homogênea
inteiramente artificial quando comparada com o estoque que existe
na natureza. "O investimento só vale a pena se a variabilidade
genética das espécies for mantida. Não adianta reproduzir
apenas um indivíduo", diz a geneticista da Universidade Estadual
Paulista (Unesp) Edislaine Barreiros de Souza.
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