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Edição 1 748 - 24 de abril de 2002
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Zoológico artificial

A população de animais clonados
continua crescendo e
os cientistas
tentam até reviver bichos extintos

Anna Cecília Junqueira

 
Divulgação de San Diego/EUA/Zoo

Urso panda: chineses querem salvá-lo da extinção com clonagem


Veja também
Dos arquivos de VEJA
VEJA de 5/3/97: "Dolly, a revolução dos clones"
Na internet
National Center for Biotechnology Information (em inglês)
Australian Museum (em inglês)
Instituto Roslin (em inglês)
Advantage Cell Technology (em inglês)
Science Magazine (em inglês)
University of Hawaii (em inglês)

Em meio aos intermináveis debates sobre clonagem humana – esquentados de vez em quando pelas ousadias supostas e verdadeiras do médico italiano Severino Antinori –, os especialistas em clonar animais estão apresentando resultados muito satisfatórios. Em seis anos, várias espécies de bichos já passaram, com sucesso, pelo tubo de ensaio dos "clonadores". "Por causa das barreiras éticas impostas por alguns governos e da dificuldade de conseguir material suficiente, a clonagem humana naturalmente acabou ficando para trás", afirma o pesquisador brasileiro Lawrence Smith, professor titular do Centro de Pesquisa em Reprodução Animal da Universidade de Montreal, no Canadá.

Atualmente, há mais de 100 laboratórios no mundo clonando animais. Os estudos com espécies clonadas começaram a dar resultados no fim da década de 90, com o nascimento da ovelha Dolly, produzida pelo Instituto Roslin, na Escócia, a partir de células somáticas de bichos adultos. Depois disso, o zoológico de duplicatas não parou de crescer. Boi, cabra, camundongo, porco, gato, coelho e até animais que quase foram riscados do mapa-múndi, como um touro asiático conhecido como gauro, já entraram para a lista dos clonados.

Mas qual a motivação para produzir animais idênticos? Segundo o pesquisador Lawrence Smith, são três os motivos. Primeiro, para reproduzir exemplares de alta qualidade comprovada, principalmente no setor pecuário. Essa é a clonagem mais comum e também a mais barata. Cada animal clonado, da repartição celular ao bicho vivo, custa de 30.000 a 50.000 dólares. Segundo, para produzir clones transgênicos, que tenham algumas características reforçadas, ou modificadas, de acordo com o interesse do pesquisador. A terceira aplicação da clonagem, mas ainda pouco desenvolvida, é a recuperação de espécies em extinção, ou já extintas, como o mamute, aquele ancestral do elefante que conviveu com o Homo sapiens até o fim da Idade do Gelo, quando sua população foi dizimada. É, de longe, a técnica mais complexa. Os poucos exemplares que resistiram encravados em geleiras sem se decompor totalmente têm o material genético muito danificado pelo tempo. A técnica de clonar espécies extintas foi exposta de maneira razoavelmente correta no filme Parque dos Dinossauros, de Steven Spielberg. Nele é mostrado que seqüências do DNA de animais extintos que não puderam ser conservadas são substituídas por material genético retirado de animais modernos com algum grau de parentesco com aquele que se quer fazer reviver.

"Clonar um animal extinto é um projeto que exige muita dedicação, pois pode levar mais de vinte anos e tem apenas de 5% a 10% de chance de dar certo", afirma o pesquisador Don Colgan, do Museu Australiano, que vem tentando há quatro anos a clonagem do tigre-da-tasmânia, extinto em 1936.

Para quem imagina que a clonagem tem o poder mágico de salvar espécies em extinção, os cientistas fazem uma ressalva muito importante. Produzir cópias geneticamente idênticas de um único indivíduo originará uma população homogênea – inteiramente artificial quando comparada com o estoque que existe na natureza. "O investimento só vale a pena se a variabilidade genética das espécies for mantida. Não adianta reproduzir apenas um indivíduo", diz a geneticista da Universidade Estadual Paulista (Unesp) Edislaine Barreiros de Souza.

   
 
   
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