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É
uma tensão danada
O grau de stress dos
executivos
brasileiros anda alto. Sobra chefe,
falta autoconfiança
Anna
Paula Buchalla

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Acaba
de ser concluído um dos maiores estudos sobre o stress no trabalho.
Coordenado pela instituição americana International Stress
Management Association (Isma), um batalhão de pesquisadores ouviu
1.000 executivos de vários países, inclusive o Brasil. Uma
das conclusões é que os brasileiros estão entre os
que mais sofrem com as pressões do dia-a-dia no escritório.
E sofrimento, aqui, não é uma hipérbole. Segundo
o estudo, eles estão à beira da exaustão severa
no jargão médico, o estágio mais devastador de esgotamento
físico e mental. "Aquela velha idéia de que o brasileiro
é naturalmente um sujeito relaxado, cuca-fresca, foi por água
abaixo com esse estudo", generaliza a psicóloga Ana Maria Rossi,
presidente da Isma no Brasil e uma das organizadoras do levantamento.
Os nossos executivos lideram o ranking dos que dedicam mais horas ao trabalho
(54 horas semanais, contra a média mundial de 41), mas esse não
é o fator determinante para deixá-los tão nervosos.
O que falta aos brasileiros, revela a pesquisa da Isma, é principalmente
confiança em si próprios só alemães
e franceses são mais inseguros. Esse é um ponto-chave. "A
autoconfiança no trabalho é uma espécie de colete
salva-vidas contra os principais fatores de stress", afirma Ana Maria.
Sem ela, o executivo (e qualquer outro tipo de profissional, acrescente-se)
pode naufragar do ponto de vista psicológico.
Não importa o país, o trabalho é naturalmente um
ambiente de stress. Hoje, no entanto, a pressão é muito
maior do que há vinte anos. Da década de 80 para cá,
as grandes empresas sofreram cirurgias profundas em sua estrutura. Elas
estão menos verticais, divididas que estão em unidades operacionais.
Com isso, surgiram vários chefes no lugar de um só, o todo-poderoso
a quem todos deviam reportar-se. Nesse tipo de organização,
de hierarquia pulverizada, é comum o executivo receber ordens de
pessoas diferentes, muitas vezes contraditórias. Freqüentemente,
ele também não sabe a quem se dirigir primeiro se
ao diretor dessa ou daquela área confluentes. E, o que é
pior, tornou-se difícil descobrir a origem de determinadas decisões.
"A informação da tarefa a ser realizada passa por tanta
gente antes de chegar a quem cabe executá-la que, quando chega,
se apresenta distorcida, sem sentido", diz a consultora de recursos humanos
Laís Passarelli. É curioso verificar que esse problema com
hierarquia pulverizada expresso na pesquisa pelo item "falta de
clareza sobre o que fazer e a quem se reportar" atinge menos os
executivos chineses do que os de outros países. O motivo é
que as empresas da China reproduzem, em seu interior, a rígida
verticalidade do governo a que estão submetidas. Será, então,
que o comunismo tem algo a ensinar ao capitalismo? Essa questão,
convenhamos, só poderia surgir na cabeça de alguém
estressadíssimo.
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