Publicidade
buscas
cidades PROGRAME-SE
Edição 1 748 - 24 de abril de 2002
Internacional Desenvolvimento

estasemana
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Índice
Seções
Brasil
Internacional
  Venezuela: A volta de Hugo Chávez
Terrorismo: Como Osama bin Laden escapou dos americanos
Desenvolvimento: As dificuldades de crescer sem inflação
China: A campeã na execução de prisioneiros
Inglaterra: Margaret Thatcher lança livro polêmico
Trabalho: Executivos argentinos atrás de emprego no Brasil
Geral
Economia e Negócios
Guia
Artes e Espetáculos

colunas
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Stephen Kanitz
Gustavo Franco
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo

seções
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Carta ao leitor
Carta ao leitor
Entrevista

Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Veja essa
Arc
Gente
Datas

Para usar
VEJA on-line
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos

arquivoVEJA
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Arquivo 1997-2002
Reportagens de capa
2000|2001|2002
Entrevistas
2000|2001|2002
Busca somente texto
96|97|98|99|00|01|02


Crie seu grupo




 

Missão quase impossível

Poucos países conseguiram
crescer com inflação baixa

Marcelo Carneiro

 
Eneida Serrano
Remarcação de preços: lembrança da hiperinflação brasileira nos anos 80 e 90

De tempos a tempos, a discussão sobre os rumos da política econômica no Brasil parece resumir-se a um slogan. Nos anos 70, dizia-se que era preciso fazer o bolo crescer para depois dividi-lo. Na década de 80 – e no início dos anos 90 –, o bordão era domar o dragão da inflação. Agora, afastado o fantasma inflacionário, a palavra de ordem é crescer com estabilidade. O chavão faz parte de qualquer mesa-redonda em que haja um economista e ganhou lugar de destaque no palanque dos presidenciáveis. Todos prometem levar o país a um novo ciclo de prosperidade. Há também o consenso de que, dominada a inflação, é hora de o país crescer. Mantendo o dragão adormecido, é claro. Isso é possível? Um estudo inédito do economista Antonio Dias Leite, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, mostra que esse é um desafio dos mais difíceis. No decorrer da última década, pouquíssimos países no mundo conseguiram conjugar boas taxas de crescimento e estabilidade da inflação.

Com base em estatísticas do Banco Mundial, o economista cruzou dados anuais de crescimento do PIB e taxas de inflação de 72 países. Destes, 45 registraram crescimento de, pelo menos, 4% ao ano, considerado pelos especialistas um indicador de bom desempenho econômico, especialmente para os países em desenvolvimento. Daí em diante, o estudo de Dias Leite mostra que o funil começa a ficar cada vez mais estreito. Os dados apontam que apenas 28 países cresceram em um ritmo superior a 4%, entre os anos de 1990 e 1999. Destes, só seis conseguiram a façanha de apresentar taxas de crescimento superiores a seus índices anuais de inflação. Somente quatro deles – China, Coréia, Malásia e Jordânia – se enquadram na categoria dos países em desenvolvimento, como o Brasil. Ou seja: crescer mantendo taxas baixíssimas de inflação é um fenômeno raríssimo especialmente entre países que não podem ser classificados como desenvolvidos. Na América Latina, nenhum país conseguiu esse desempenho na última década. O Brasil teve seu último ciclo de crescimento nos anos 70 e, nos quinze anos seguintes, juntou o pior de dois mundos: estagnação econômica e inflação totalmente fora de controle. Em 1994, com a edição do Plano Real, o país domou a inflação. Mas o crescimento continuou a ser um desafio.

"Não quero ressuscitar a velha tese de que um pouco de inflação é benéfico para o crescimento econômico, mas nenhum país pobre conseguiu bom desempenho com índices de custo de vida em níveis europeus", observa Dias Leite, que aos 81 anos acumula a experiência de ter sido chefe da assessoria econômica do ministro da Fazenda Francisco Santiago Dantas, no governo João Goulart, e ter comandado o Ministério das Minas e Energia, na década de 70. Isso significa que o Brasil deve resignar-se a apresentar índices medíocres de crescimento, para não correr o risco de uma nova escalada da inflação? Alguns analistas garantem que esse não é o único caminho. "O segredo é crescer dentro de suas possibilidades", explica o economista Mailson da Nóbrega, para quem o país tem todas as condições de crescer a taxas próximas de 4% ao ano sem perder o controle da inflação. Prometer muito mais que isso é um exercício de ficção. Um documento do sempre realista Fundo Monetário Internacional divulgado na semana passada prevê que a economia brasileira crescerá de 2,5% a 3,5% em 2003.

 



 
 
   
  voltar
   
  NOTÍCIAS DIÁRIAS