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O terrorista de sete vidas

Agentes secretos dos EUA dizem que
Laden esteve em Tora Bora – e escapou

 
Al-Jazeera TV
Vídeo exibido na semana passada, o sexto desde setembro: "Continuam respirando"

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Site especial da guerra ao terrorismo

É difícil acreditar que os homens na foto acima continuem vivos, livres e ainda mandando os videoteipes deletérios que se habituaram a usar na guerra da propaganda. Em outubro do ano passado, os soldados americanos chegaram ao Afeganistão com a missão de acabar com os terroristas da Al Qaeda e capturar, vivo ou morto, seu chefe, Osama bin Laden. Para isso, primeiro precisavam eliminar o regime dos talibãs, aliados carnais dos fundamentalistas. Essa parte da tarefa foi um sucesso: rápida, rasteira e bem menos dolorosa para os americanos do que as previsões mais otimistas imaginavam. A fase seguinte está sendo o oposto: um fracasso muito maior do que se prognosticava. Cerca de 500 membros da organização terrorista estão presos, na esmagadora maioria gente sem nenhum papel de liderança. Laden e parte de sua corte de radicais graduados continuam à solta, provavelmente em algum lugar das montanhas do Afeganistão, não obstante o formidável aparato bélico e tecnológico colocado em sua caçada. Segundo fontes dos serviços de inteligência dos Estados Unidos deixaram vazar na semana passada, ele escapou, nas barbas dos americanos, da batalha travada no fim do ano nas montanhas de Tora Bora, na parte leste do Afeganistão, a poucos quilômetros da fronteira com o Paquistão.

Vários prisioneiros interrogados separadamente declararam, de forma convincente, que o arquiteto dos atentados de 11 de setembro estava nessa região no início de dezembro e conseguiu fugir. A culpa é atribuída, nos bastidores, à decisão do general Tommy Franks, comandante da operação, de resguardar as tropas americanas do combate terrestre em larga escala. Segundo essa análise, ele usou soldados da etnia patane para cercar a área como forma de cortejar suas boas graças. A falta de organização e a corrupção dos patanes acabaram facilitando a fuga de cerca de 1.000 combatentes da Al Qaeda, entre eles, presume-se, Laden e outros chefões. "Todas as pessoas que recebemos autorização para matar continuam respirando", admitiu um frustrado comandante militar americano.

O novo vídeo divulgado na semana passada aumentou o desconforto. Pano branco na cabeça, Laden aparece ao lado do número 2 da Al Qaeda, o egípcio Ayman al-Zawahiri, que descreve com a habitual loucura os ataques a Nova York e a Washington como "presentes de Deus". A fita deixada na sede da emissora de televisão Al Jazira, no Catar, no começo de abril, possivelmente foi gravada no ano passado, mas há poucas dúvidas de que os americanos já estavam em seu encalço. Alguns meses atrás, seria até recebida pelo governo americano como mais uma prova incontestável da culpa de Laden nos atentados de 11 de setembro. Agora, serviu para reforçar a idéia de que o inimigo número 1 dos Estados Unidos, alvo de uma caçada sem precedentes, permanece espantosamente à solta.

 
 
   
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