
estasemana
colunas
seções
arquivoVEJA
 |
 |
| (conteúdo
exclusivo para assinantes VEJA ou UOL) |
 |
Crie
seu grupo

|
|
Lei
do silêncio
Governo tenta abafar uma crise
que já está em ebulição no setor
de telecomunicações
Joedson Alves/AE
 |
Celso Junior/AE

|
| Confronto:
Fraga pede flexibilização de regras e irrita Valente,
da Anatel |
Um
documento feito pela operadora de celulares BCP, enviado ao governo, prevê
que o sistema de telefonia no Brasil pode entrar em colapso. Apesar de
terem movimentado 33 bilhões de dólares em 2001 e de seu
desempenho operacional ser comparável ao das melhores companhias
internacionais, as operadoras no Brasil estão tendo retorno financeiro
muito abaixo do esperado. O documento da BCP foi apresentado pelo presidente
do Banco Central, Armínio Fraga, durante reunião na Câmara
de Política Econômica. As sugestões de mudanças
nas regras do setor, propostas por Fraga, enfureceram o presidente interino
da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel),
Antonio Carlos Valente.
As empresas de telecomunicações querem a flexibilização
de um modelo de sucesso que triplicou a rede de telefonia do país
mas começa a dar mostras evidentes de estar falido. "A crise é
dramática. As empresas não vão quebrar da noite para
o dia, mas o modelo atual se esgotou", diz Ethevaldo Siqueira, presidente
da Telequest Telecomunicações e colunista do jornal O
Estado de S..Paulo. O problema básico é o fato
de estarem em vigor regras que foram muito adequadas para atender à
demanda reprimida por telefones que a atuação estatal no
setor deixou. Agora que o número de aparelhos celulares saltou
de 5 milhões para 30 milhões e a procura está rarefeita,
as regras que funcionaram tão bem antes começam a inviabilizar
algumas operações. Além disso, as operadoras trabalham
com margens operacionais muito pequenas e, em conseqüência,
remuneram os fornecedores de equipamentos em níveis bem menores.
Uma linha custava à estatal Telebrás 5.000 dólares
há cinco anos. Hoje o custo de instalação de uma
linha fixa caiu para 420 dólares.
O resultado é que há empresas de mais para clientes de menos.
Para ganhar fôlego e crescer, não há como fugir da
tendência natural de concentração de mercado. Qualquer
passo nesse sentido só poderá ser dado em 2003, conforme
as regras da Anatel. Mas o mercado não espera. "A fusão
de empresas e a mudança do controle acionário já
estão sendo discutidas agora", observa o presidente de uma das
maiores companhias de telecomunicações do país. O
problema enfrentado pelas operadoras se alastra para os fabricantes de
equipamentos. Nos Estados Unidos, apenas três empresas, Nokia, Motorola
e Ericsson, dominam 90% do mercado de celulares. No Brasil, nove companhias
servem a uma clientela que equivale a 10% da americana. No setor de telefonia
fixa a situação relativa se repete. Nos Estados Unidos,
o mercado é dividido por duas fornecedoras de equipamentos, Lucent
e Nortel. No Brasil, tem-se quase uma dezena. Resultado: há ociosidade
de 80% nas empresas fabricantes de equipamentos de telefonia. A crise
do setor que se anuncia no Brasil tem parte de suas causas vindas de fora.
O mercado está duro para todo mundo. As companhias telefônicas
européias acabam de investir 100 bilhões de dólares
para comprar licenças de operação da tecnologia 3G,
que conjuga texto e imagem em transmissões de banda larga. Ficaram
descapitalizadas em um mercado já saturado. No Brasil, a previsão
é que o setor investirá apenas 25% do total gasto em 2001.
"O governo tentou empurrar a crise para depois da eleição,
mas a divulgação do documento da BCP abriu a tampa da panela
de pressão", diz o presidente de uma operadora.
|
|
 |