
estasemana
colunas
seções
arquivoVEJA
 |
 |
| (conteúdo
exclusivo para assinantes VEJA ou UOL) |
 |
Crie
seu grupo

|
|
...a solução
do PFL
deve ser outra
Metade
da base parlamentar do
partido não quer apoiar ninguém
Maurício
Lima e Vannildo Mendes
A
verticalização das alianças partidárias, mantida
na semana passada pelo Supremo Tribunal Federal, está prestes a
produzir uma novidade histórica no cenário político
brasileiro. O PFL, partido celebrizado por seu inefável governismo,
corre o risco de ficar alijado do poder federal, um exílio a que
não se submete desde sua fundação, em 1985, à
exceção do breve interregno do governo Itamar Franco (1992-1994).
Desde que ficou desfalcado da candidatura de Roseana Sarney, o PFL passou
a comportar-se como a noiva da temporada mandava beijos tórridos
para Ciro Gomes, do PPS, olhares lânguidos para José Serra,
do PSDB, e até alguns muxoxos encabulados para Anthony Garotinho,
do PSB. Como a verticalização força os partidos a
reproduzir em âmbito estadual a aliança firmada para a Presidência
da República, todos esses namoros pefelistas perderam o entusiasmo.
Na semana passada, VEJA ouviu a bancada do PFL no Congresso para saber
quais os rumos que o partido deve tomar com a verticalização.
O vento virou: 48,6% acham que a legenda não deve consumar matrimônio
com nenhum candidato ao Palácio do Planalto.
Alan Marques/Folha Imagem

Bornhausen,
líder de um PFL dividido: crise começa com a morte de Luís Eduardo |
Os
deputados e senadores querem que o PFL fique livre para selar quaisquer
alianças estaduais e possa trabalhar para eleger a maior bancada
possível, mantendo-se assim na condição de potência
parlamentar. Hoje, o partido tem a maior representação no
Congresso. O levantamento de VEJA mostra quanto o PFL, partido que criou
fama de unitário, quase monolítico, ficou fragmentado com
a desistência de Roseana. Enquanto quase a metade prefere ficar
sem candidato presidencial, 17,1% dos parlamentares defendem a adesão
à candidatura de Ciro Gomes. Um naco semelhante, 16,2%, acha que
o partido ainda deve insistir no lançamento de um candidato próprio,
saído de suas fileiras. Entre os que defendem esse ponto de vista,
os nomes mais mencionados são o do vice-presidente, Marco Maciel,
e o do apresentador Silvio Santos, dono do SBT. Uma parcela menor, de
menos de 10%, gostaria de ver o partido aliado a José Serra. Quase
o mesmo tanto, 8,6%, não tem opinião formada ou não
a revelou.
Dida Sampaio/AE

O tucano
José Serra: verticalização ajuda a empinar sua candidatura |
A decisão do STF terá impacto notável na sucessão
presidencial, e não apenas na seara pefelista. A verticalização
das coligações foi uma extemporânea invencionice do
Tribunal Superior Eleitoral, no fim de fevereiro, mas o STF não
teve a ousadia de derrubá-la. Rendendo-se ao burocratismo jurídico,
sete dos onze ministros do STF preferiram não aceitar o questionamento
legal, proposto pelo PFL e pelos partidos de oposição, contra
a decisão do TSE e, assim, mantiveram a verticalização.
Fosse a eleição deste ano realizada nos moldes da anterior,
com coligações livres, o próprio PFL tenderia a tomar
outro rumo. VEJA pesquisou também esse cenário com a bancada
pefelista. Nessa hipótese, o cenário seria outro: a maior
parcela dos deputados e senadores, 28,6%, estava inclinada a apoiar Ciro
Gomes. A outra opção mais mencionada, preferida por 26,7%
da bancada, era deixar o partido sem candidato à Presidência
da República alternativa que, com a verticalização,
acabou se tornando majoritária entre os pefelistas.
Além de afastar o PFL dos braços de Ciro Gomes, a verticalização
complicou a vida de outros candidatos. O ex-governador do Rio Anthony
Garotinho corre o risco até de ser forçado a abandonar a
disputa. Pode morrer de inação, pela falta de apoios partidários,
que tendem a minguar para que os palanques estaduais não sejam
prejudicados. Mesmo Luís Inácio Lula da Silva, do PT, líder
absoluto das pesquisas (veja
reportagem), terá mais dificuldades para atrair
o apoio do PL. Só quem ganhou com a verticalização
foi o tucano José Serra. Seus aliados gostam de afirmar o contrário.
Dizem que, se as alianças fossem liberadas, estariam eliminadas
as arestas com o PMDB em alguns Estados e os tucanos seriam poupados de
fazer complicadas ginásticas eleitorais. É verdade. Mas
há vantagens para Serra. Uma: o PFL não deve caminhar com
Ciro, o que é excelente para o tucano. Outra: Serra ficou livre
para negociar alianças com o pedaço do PFL que lhe devota
simpatia. Afinal, quase 10% da bancada pefelista quer apoiá-lo.
A desgraça em que o PFL se encontra a seis meses da eleição
presidencial é resultado de seus próprios erros. No início,
o partido trombou com a fatalidade a morte prematura do deputado
Luís Eduardo Magalhães, em 1998. Luís Eduardo era
o candidato pefelista ao Palácio do Planalto e tinha chances, bem
mais sólidas que as de Roseana Sarney, de aglutinar em torno de
si o apoio dos tucanos, ficando ele próprio na cabeça de
chapa. Embalado por essa esperança, o PFL sentia-se confortável
no ninho da aliança governista, na qual tinha espaço de
sobra e perspectivas reais de poder. A morte do deputado deixou o partido
sem opção. O PFL julgou que, sem um candidato competitivo,
seria triturado dentro da tróica de partidos que apoiavam Fernando
Henrique.
Nesse
contexto, a cúpula pefelista produziu a alternativa Roseana Sarney,
para valorizar-se nas negociações com as outras duas legendas
do governo e aí começou a sucessão de erros.
A candidata decolou nas pesquisas, subindo muito mais que o esperado,
e o partido entusiasmou-se tanto que não teve a serenidade de perceber
a hora de parar com a brincadeira. Quando Roseana se enrolou nas notas
de 50 reais encontradas em sua empresa no Maranhão, o PFL não
atentou para o perigo. Levou sua base parlamentar a abandonar o governo,
rompendo uma aliança de sete anos. Chegou ao ponto de associar-se
às oito versões para o dinheiro apresentadas pela família
Sarney. Ficou sem candidata, sem credibilidade e sem companhia. E, vê-se
agora, crivado de divisões internas.
|
|
 |