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Novas
da bossa nova
"João
Gilberto quer derrubar o Felipão.
Aderi à causa. Por mim, Luana Piovani
faria comercial de guaraná e Parreira
seria o técnico da seleção"
João
Gilberto, o herói da bossa nova, falou comigo. Ele quer derrubar
o Felipão. Aderi imediatamente à sua causa. Concordo com
tudo o que ele diz. E, se não concordasse, o seguiria mesmo assim,
porque ele é muito mais sábio e nobre do que eu. Quando
ele fala, abaixo a cabeça e obedeço. João Gilberto
teme ficar com remorso durante a Copa do Mundo, remoendo-se por não
ter feito tudo o que estava ao seu alcance para substituir aquele obtuso
do Felipão. O momento, portanto, é este. Faltam poucas semanas
até o embarque para a Coréia. Ou o derrubamos agora, ou
seremos esmagados.
Antes de
partir para a batalha, o bom comandante João Gilberto ergueu o
moral de suas tropas lembrando a Revolução de 30, quando
paulistas (eu) e baianos (ele) se uniram contra a ditadura. Ele desaprova
o temperamento ditatorial de Felipão. Sobretudo no tratamento reservado
a Romário. João Gilberto é fanático por Romário.
Disse que ele precisa ser convocado de qualquer maneira. Sugeriu que eu
citasse o Tostão, que definiu Romário o maior centroavante
de todos os tempos. Covardemente, omiti a João Gilberto que eu
mesmo, aqui nesta coluna, algumas semanas atrás, descartei a convocação
de Romário, alegando que ele teria passado da idade para enfrentar
uma Copa do Mundo.
João
Gilberto não me explicou direito como faremos para derrubar o Felipão.
Apelo, então, aos leitores. Encham a redação de VEJA
de cartinhas. Façamos um grande movimento popular. Se não
der certo, acho que José Serra deveria intervir. Dizem que, depois
de destruir a candidatura de Roseana Sarney, ele agora lançará
a artilharia pesada contra Anthony Garotinho, cobrindo-o de lama. Espero
que cubra mesmo. Mais importante para a nação, porém,
é derrubar o Felipão. Qualquer instrumento é válido.
Até espionagem e devassa bancária. Eu começaria investigando
o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, e o coordenador da seleção,
o ex-delegado de polícia Antônio Lopes. Se José Serra
conseguir derrubar essa gente, será eleito no primeiro turno.
Outra coisa
que João Gilberto esqueceu de me dizer - e eu fui burro de não
perguntar - foi o nome do eventual substituto de Felipão. Apóio
qualquer pessoa que ele venha a indicar. Se dependesse de mim, no entanto,
eu poria em seu lugar Luana Piovani nos comerciais de guaraná e
Carlos Alberto Parreira como técnico. No passado, Parreira já
recusou um convite para reassumir o cargo. Caso repetisse a recusa, eu
jogaria novamente José Serra em cima dele. Uma alternativa a Parreira,
para mim, é Dunga. Acho que sua primeira medida seria voltar ao
tradicional esquema com dois zagueiros, como a França, por exemplo.
A partida contra Portugal demonstrou mais uma vez que o 3-4-1-2 de Felipão
nunca vai funcionar. Não adianta nada ter os melhores atacantes
do mundo se o time é todo desequilibrado. Durante a Copa do Mundo
de 1970, João Gilberto morava no México e sempre dava excelentes
palpites táticos ao então treinador do Peru, o brasileiro
Didi. Dunga, no comando da seleção, deveria fazer o mesmo.
Antes de cada jogo, bateria um papo ao telefone com João Gilberto,
que lhe daria montes de bons conselhos: "Põe o Mauro Silva
no meio", "leva o Zé Maria para a lateral direita",
"não esquece do Juninho Pernambucano", "aproveita
o Zé Roberto". Aí a taça seria nossa.
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