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Edição 1 748 - 24 de abril de 2002
Diogo Mainardi

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Novas da bossa nova

"João Gilberto quer derrubar o Felipão.
Aderi à causa. Por mim, Luana Piovani
faria comercial de guaraná e Parreira
seria o técnico da seleção"

João Gilberto, o herói da bossa nova, falou comigo. Ele quer derrubar o Felipão. Aderi imediatamente à sua causa. Concordo com tudo o que ele diz. E, se não concordasse, o seguiria mesmo assim, porque ele é muito mais sábio e nobre do que eu. Quando ele fala, abaixo a cabeça e obedeço. João Gilberto teme ficar com remorso durante a Copa do Mundo, remoendo-se por não ter feito tudo o que estava ao seu alcance para substituir aquele obtuso do Felipão. O momento, portanto, é este. Faltam poucas semanas até o embarque para a Coréia. Ou o derrubamos agora, ou seremos esmagados.

Antes de partir para a batalha, o bom comandante João Gilberto ergueu o moral de suas tropas lembrando a Revolução de 30, quando paulistas (eu) e baianos (ele) se uniram contra a ditadura. Ele desaprova o temperamento ditatorial de Felipão. Sobretudo no tratamento reservado a Romário. João Gilberto é fanático por Romário. Disse que ele precisa ser convocado de qualquer maneira. Sugeriu que eu citasse o Tostão, que definiu Romário o maior centroavante de todos os tempos. Covardemente, omiti a João Gilberto que eu mesmo, aqui nesta coluna, algumas semanas atrás, descartei a convocação de Romário, alegando que ele teria passado da idade para enfrentar uma Copa do Mundo.

João Gilberto não me explicou direito como faremos para derrubar o Felipão. Apelo, então, aos leitores. Encham a redação de VEJA de cartinhas. Façamos um grande movimento popular. Se não der certo, acho que José Serra deveria intervir. Dizem que, depois de destruir a candidatura de Roseana Sarney, ele agora lançará a artilharia pesada contra Anthony Garotinho, cobrindo-o de lama. Espero que cubra mesmo. Mais importante para a nação, porém, é derrubar o Felipão. Qualquer instrumento é válido. Até espionagem e devassa bancária. Eu começaria investigando o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, e o coordenador da seleção, o ex-delegado de polícia Antônio Lopes. Se José Serra conseguir derrubar essa gente, será eleito no primeiro turno.

Outra coisa que João Gilberto esqueceu de me dizer - e eu fui burro de não perguntar - foi o nome do eventual substituto de Felipão. Apóio qualquer pessoa que ele venha a indicar. Se dependesse de mim, no entanto, eu poria em seu lugar Luana Piovani nos comerciais de guaraná e Carlos Alberto Parreira como técnico. No passado, Parreira já recusou um convite para reassumir o cargo. Caso repetisse a recusa, eu jogaria novamente José Serra em cima dele. Uma alternativa a Parreira, para mim, é Dunga. Acho que sua primeira medida seria voltar ao tradicional esquema com dois zagueiros, como a França, por exemplo. A partida contra Portugal demonstrou mais uma vez que o 3-4-1-2 de Felipão nunca vai funcionar. Não adianta nada ter os melhores atacantes do mundo se o time é todo desequilibrado. Durante a Copa do Mundo de 1970, João Gilberto morava no México e sempre dava excelentes palpites táticos ao então treinador do Peru, o brasileiro Didi. Dunga, no comando da seleção, deveria fazer o mesmo. Antes de cada jogo, bateria um papo ao telefone com João Gilberto, que lhe daria montes de bons conselhos: "Põe o Mauro Silva no meio", "leva o Zé Maria para a lateral direita", "não esquece do Juninho Pernambucano", "aproveita o Zé Roberto". Aí a taça seria nossa.



 
 
   
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