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Uma
vitória da democracia
Reuters
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| Chávez
com uma cópia da Constituição: os problemas ainda
são os mesmos |
Hugo
Chávez voltou ao poder na Venezuela 48 horas depois de afastado
por um movimento golpista ilegítimo que se aproveitou de uma insatisfação
popular legítima. Pelos primeiros discursos e ações,
o dirigente venezuelano reassumiu a Presidência da República
um tanto melhor do que quando foi dela apeado pelas forças de oposição.
Prometeu dialogar com as várias correntes de opinião que
se opõem a suas idéias e não mais considerá-las
simplesmente "traidoras da revolução bolivariana", como
costumava dizer. Anunciou que deseja ser o presidente de todos os venezuelanos.
É um avanço e tanto em se tratando de Chávez, um
político autoritário, populista e falastrão, que
se vinha portando cada vez mais como uma caricatura do ditador cubano
Fidel Castro. Com todos os seus defeitos, Chávez foi eleito pelo
povo e sua volta ao poder é um sinal positivo. Retomou-se a ordem
constitucional na Venezuela. Isso é uma prova de solidez democrática
na América Latina, que precisa tanto de previsibilidade, transparência
e civilidade quanto os seres vivos precisam de ar.
Já basta que três outros países latino-americanos,
Argentina, Equador e Paraguai, tenham presidentes que, mesmo legitimados
pelo Parlamento, assumiram porque o mandato de seus antecessores foi encurtado
pela fúria popular ou por rebeliões de políticos
e militares oposicionistas. Os problemas reais da Venezuela estão
do mesmo tamanho que estavam quando Chávez foi escoltado para uma
prisão militar. Também é a mesma a inépcia
econômica dos dirigentes, que não sabem transformar em um
mínimo de justiça social a riqueza petrolífera do
país. O que se tem a comemorar mesmo é o triunfo da democracia
num cenário onde ela é quase sempre a primeira vítima.
Veja
reportagem.
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