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Edição 1 748 - 24 de abril de 2002
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Uma vitória da democracia

Reuters
Chávez com uma cópia da Constituição: os problemas ainda são os mesmos

Hugo Chávez voltou ao poder na Venezuela 48 horas depois de afastado por um movimento golpista ilegítimo que se aproveitou de uma insatisfação popular legítima. Pelos primeiros discursos e ações, o dirigente venezuelano reassumiu a Presidência da República um tanto melhor do que quando foi dela apeado pelas forças de oposição. Prometeu dialogar com as várias correntes de opinião que se opõem a suas idéias e não mais considerá-las simplesmente "traidoras da revolução bolivariana", como costumava dizer. Anunciou que deseja ser o presidente de todos os venezuelanos. É um avanço e tanto em se tratando de Chávez, um político autoritário, populista e falastrão, que se vinha portando cada vez mais como uma caricatura do ditador cubano Fidel Castro. Com todos os seus defeitos, Chávez foi eleito pelo povo e sua volta ao poder é um sinal positivo. Retomou-se a ordem constitucional na Venezuela. Isso é uma prova de solidez democrática na América Latina, que precisa tanto de previsibilidade, transparência e civilidade quanto os seres vivos precisam de ar.

Já basta que três outros países latino-americanos, Argentina, Equador e Paraguai, tenham presidentes que, mesmo legitimados pelo Parlamento, assumiram porque o mandato de seus antecessores foi encurtado pela fúria popular ou por rebeliões de políticos e militares oposicionistas. Os problemas reais da Venezuela estão do mesmo tamanho que estavam quando Chávez foi escoltado para uma prisão militar. Também é a mesma a inépcia econômica dos dirigentes, que não sabem transformar em um mínimo de justiça social a riqueza petrolífera do país. O que se tem a comemorar mesmo é o triunfo da democracia num cenário onde ela é quase sempre a primeira vítima. Veja reportagem.

 
 
   
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