Edição 1846 . 24 de março de 2004

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Cinema
Livre para voar

Crescido e independente, Macaulay
Culkin ressurge num papel alternativo


Marcelo Marthe


20th Century Fox
O Macaulay de ontem, em Esqueceram de Mim: rico aos 12 anos

Desde que estourou no papel do garotinho hiperativo que inferniza a vida dos adultos no filme Esqueceram de Mim, em 1990, o americano Macaulay Culkin vem seguindo uma rota da qual poucos atores infantis de Hollywood conseguiram escapar. Primeiro, a glória – ele inscreveu seu nome na história do cinema como o mais bem-sucedido representante dessa categoria de ator em todos os tempos. Depois, o esquecimento – Macaulay sumiu das telas a partir de 1994, enquanto seus pais se engalfinhavam numa batalha por sua fortuna de 17 milhões de dólares. A muito custo, o ator garantiu na Justiça o direito de cuidar de seu dinheiro. Já a carreira continuou na mesma, ainda que ele jurasse que seu exílio do cinema era voluntário. Agora, esse jejum é quebrado. E com um filme que dá uma pista do que vai pela cabeça de um Macaulay que, aos 23 anos, parece enfim desabrochar para a idade adulta. Party Monster (Estados Unidos/Holanda, 2003), que estréia nesta sexta-feira em São Paulo, é uma produção um tanto alternativa que enfoca os excessos do mundo clubber nova-iorquino. Tudo no filme, dos figurinos às performances do elenco, é marcadamente gay. E o personagem de Macaulay não foge à regra. O ator surge em cena "montado", como se diria no jargão das drag queens: de shortinho ou vestido, batom e salto plataforma.

Macaulay interpreta o protagonista da fita, Michael Alig. É um personagem real, que foi promotor de festas movidas a ecstasy e música house que causavam sensação na Nova York dos anos 80. Barra-pesada é pouco para descrever como acabou sua carreira: consumidor voraz de drogas, Alig e um amigo assassinaram um traficante por causa de dívidas. Depois, eles desmembraram seu corpo e o atiraram no Rio Hudson. Uma fita como Party Monster pode até agradar a um certo estrato de público, mas está a anos-luz do padrão de superprodução dos tempos áureos de Macaulay. No elenco, ele só não figura como uma celebridade solitária porque o roqueiro esquisitão Marilyn Manson faz uma ponta na pele de um transformista.

Graças a seu sucesso precoce, Macaulay desde cedo teve uma vida pessoal agitada. Foi, por exemplo, íntimo do cantor Michael Jackson. A amizade era tanta que Macaulay foi padrinho do primogênito de Jackson. E este já declarou que dividiu a cama com o ator e um de seus seis irmãos – sem nenhuma conotação sexual, é claro. Mais tarde, aos 17 anos, Macaulay casou-se com a atriz Rachel Miner, mas a união durou pouco. Em breve, o ator terá uma nova oportunidade: a rede de televisão NBC anunciou que produzirá um seriado protagonizado por ele. O título bem poderia ser "Por Favor, Não Esqueçam de Mim".

 

 
 
 
 
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