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Divertimento
O
bilionário do circo
Como
o canadense Guy Laliberté
acumulou 1 bilhão de dólares com
seu Cirque du Soleil

Camila
Antunes
A Seib/Traje: Dominique Lemieux/Cirque du Soleil
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| A
peça O: acrobacias na piscina ao custo de 92 milhões
de dólares |
A carreira
do canadense Guy Laliberté, fundador e presidente do Cirque
du Soleil, é tão surpreendente quanto os shows que
ele criou. Em 1984, aos 24 anos, ele andava de pernas de pau e engolia
fogo nas esquinas de Montreal. Hoje, é dono de um patrimônio
de 1,1 bilhão de dólares e entrou para a lista da
revista americana Forbes que reúne as pessoas mais
ricas do planeta. Ele é festejado como um dos maiores anfitriões
do Canadá. Todos os anos, abre sua casa para famosos depois
da corrida de Fórmula 1 em Montreal. Laliberté é
solteiro e muito amigo de modelos. A indefectível Naomi Campbell
é presença constante no cirquinho pessoal do empresário
e dizem que já foi algo mais dele. O empreendimento
que enriqueceu Laliberté tem escritórios em três
continentes e 2 700 funcionários de quarenta nacionalidades
entre os quais 28 brasileiros. Com nove espetáculos
em cartaz pelo mundo, o Cirque du Soleil atrai atualmente 60 000
espectadores a cada fim de semana. O próximo investimento
será no ramo hoteleiro. Até 2017, serão construídos
seis resorts do Cirque du Soleil, com boates, bares e cassinos que
terão decoração temática e artistas
que trabalharão para entreter os visitantes (espere por garçons
malabaristas nas boates e trapézios na sala de ginástica
dos hotéis).
AP
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| Guy
Laliberté: das apresentações na rua ao
clube dos ricos da revista Forbes |
Laliberté goza da fama de ter o toque de Midas. Desde sua
fundação, o Cirque du Soleil estreou quinze grandes
produções e nenhuma deu prejuízo. Em comparação,
nove entre dez peças que estréiam na Broadway não
têm o retorno esperado por seus investidores e elas
são destinadas ao mesmo público do Soleil: gente disposta
a pagar entre 100 e 400 reais por um ingresso. Especialistas atribuem
o sucesso do Cirque du Soleil à decisão de não
multiplicar os shows nem licenciá-los, o que limita o risco
da perda de qualidade e de dispersar a atenção do
público. Das nove peças em cartaz no mundo, cinco
são itinerantes e rodam pela Ásia, pela Europa e pela
América. As demais são fixas, apresentadas em teatros
em Las Vegas e em Orlando. O faturamento do Soleil, só com
as apresentações de circo e a venda de DVDs e programas
para emissoras de televisão, atinge 500 milhões de
dólares. Para efeito de comparação, é
a metade do lucro dos parques de diversão da Disney, a marca
mais conhecida no ramo do entretenimento.
Walt Disney Company/Traje: Dominique
Lemieux/Cirque du Soleil
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| Artista
do Cirque du Soleil: 2 700 funcionários de quarenta nacionalidades
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Fanático
por Fórmula 1, Laliberté diz que aprendeu suas táticas
de negócios com o italiano Enzo Ferrari. O fundador da célebre
marca de automóveis esportivos sempre mandava fazer menos
carros do que o número potencial de compradores. Isso garantia
a raridade e o valor do produto. Da mesma forma, as apresentações
do Soleil têm temporada curta e deixam alguns espectadores
de fora. Como artista, a principal escola de Laliberté foi
a rua. Aos 14 anos, ele saiu de casa para viajar pela Europa, levando
uma mochila e um violão. Foi nessa viagem que tomou as primeiras
lições de equilíbrio nas pernas de pau. De
volta a Montreal, mergulhou num projeto de reinvenção
do circo, elaborado juntamente com outros doze artistas mambembes.
O grupo promovia festas e participava de festivais na América
do Norte. O Soleil apareceu para o mundo na abertura das Olimpíadas
de Inverno de 1988, em Calgary, no Canadá. Viu-se então
o resultado do esforço da trupe: uma arte que unia o melhor
do malabarismo com os mais avançados elementos cênicos,
num espetáculo tão surrealista que rendeu ao seu líder,
Laliberté, o título de "Salvador Dalí" dos
novos tempos. Talvez fosse mais preciso comparar o artista canadense
ao empresário americano P.T. Barnum, uma personalidade exuberante
que, na Nova York do século XIX, inventou o circo moderno,
ao lado do sócio J.A. Bailey.
No
Cirque du Soleil, Guy Laliberté acumula funções
administrativas, faz questão de participar do desenvolvimento
artístico de seus shows e não poupa esforço
nem dinheiro para inovar. Seus espetáculos levam em média
três anos para ser gestados e custam vários milhões
de dólares. Sua regra de ouro é: "Para pensar num
novo espetáculo, rejeite tudo o que foi feito. Volte ao zero,
não tente partir do que já deu certo". Foi assim que
surgiu o número aquático O (vogal cujo som,
em francês, abrevia a palavra "eau", que significa água),
que estreou em 1998 em Las Vegas. Com um custo de 92 milhões
de dólares, trata-se da produção mais cara
do Soleil. Ela conta com uma piscina monumental, onde os artistas
se apresentam numa mistura de balé aquático com saltos
ornamentais. As trocas de roupa são feitas debaixo d'água,
com ajuda de mergulhadores munidos de tanques de oxigênio.
A mais recente empreitada ousou no tema: Zumanity, que estreou
no ano passado, é um espetáculo para maiores de 18
anos apresentado por uma drag queen e interpretado por artistas
que, vestidos de maneira sensual, encenam uma dança erótica.
Vive Laliberté!
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