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Showbiz
Euros
à vista
Artistas
brasileiros começam a se organizar
para explorar Portugal onde eles são
paparicados, prestigiados e recebem
em moeda forte

Ricardo Valladares
José Oliveira/TV Mais
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Luiz Miguel Coelho
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VERA
FISCHER
grava comercial de cosméticos no bairro do Chiado, em
Lisboa: oportunidades na publicidade |
REYNALDO
GIANECCHINI
(ao microfone), numa entrevista à TV: idolatrado
pelas raparigas |
Paparicos,
prestígio e euros: por causa dessas três coisas, os
artistas brasileiros resolveram colocar Portugal definitivamente
em seu mapa profissional. Já faz tempo que se sabe que nossa
antiga metrópole é receptiva aos talentos nacionais.
Mas, até recentemente, as tentativas de atores e músicos
para se aproveitar desse mercado haviam sido tímidas, além
de exclusivamente atreladas aos projetos da Rede Globo em Portugal
e às novelas da emissora que são exibidas por lá.
Aos poucos isso está mudando. Em parceria com promotores
de eventos e empresários independentes, os próprios
artistas encontram novos meios de desbravar o território
luso. As montagens teatrais, por exemplo, tornaram-se um ótimo
negócio como puderam comprovar atores como Antonio
Fagundes, Miguel Falabella, Tony Ramos e Irene Ravache nos últimos
meses. Também há boas oportunidades no campo publicitário.
A beldade Vera Fischer já fez um comercial de produtos para
o cabelo em Lisboa, e Reynaldo Gianecchini, idolatrado pelas raparigas
de lá, abocanhou 50.000 euros
(cerca de 180.000 reais) para associar
sua imagem à de uma marca de artigos esportivos. "Portugal
tem muito para nos oferecer", diz o galã. No campo da música,
Adriana Calcanhotto e Os Tribalistas fazem sucesso nas rádios,
enquanto o empresário Roberto Medina articula para maio a
realização do megashow Rock in Rio Lisboa,
que deverá contar com pelo menos dez artistas brasileiros.
Edmea Brigman/TV Mais
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OSCAR
MAGRINI
dá autógrafos em Cascais: mordomias e
status de artista de primeiro time |
Desde
que a novela Gabriela foi exibida em Portugal, em 1977, a
televisão de maneira geral e a Rede Globo em particular desempenham
um papel essencial no acesso dos artistas brasileiros ao mercado
português. No começo da década de 90, a Globo
chegou a subscrever 15% do capital da emissora SIC (Sociedade Independente
de Comunicação), que organizou uma programação
fortemente calcada na teledramaturgia brasileira e assim, em poucos
anos, se tornou líder de audiência naquele país.
Hoje a concorrência é mais acirrada. A rede TVI, por
exemplo, ganhou espaço com novelas e reality shows de produção
local. Para um artista brasileiro, contudo, integrar o elenco ou
a trilha sonora das novelas da Globo continua sendo a principal
plataforma de lançamento para uma investida profissional
em Portugal. Atualmente, há sete folhetins globais em cartaz
nesse país. Chocolate com Pimenta, também exibido
aqui no horário das 6, é o que faz mais sucesso. Seus
capítulos chegam ao outro lado do Atlântico com pouco
mais de um mês de atraso.
Abel Dias/Caras
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MIGUEL
FALABELLA,
num museu de Lisboa: "Eles nos tratam muito bem" |
Por
volta do ano 2000, a notoriedade que atores brasileiros, tanto jovens
quanto da velha-guarda, haviam alcançado em Portugal fez
com que a produtora de eventos Plano 6, de Lisboa, decidisse levar
para lá peças de teatro que lotavam platéias
em São Paulo e no Rio. A primeira experiência foi com
Honra, estrelada por Regina Duarte. Deu certo, e desde então
uma das sócias da Plano 6, Ana Rangel, vem ao Brasil duas
vezes ao ano para maratonas teatrais que a fazem assistir a até
doze montagens num curto espaço de tempo. Ela promove uma
triagem dos espetáculos com melhor potencial e então
negocia pacotes de apresentações. "Já sabemos
que peças com temática regional e muito cheias de
piadas políticas não funcionam. Os portugueses não
entendem as piadas de vocês", diz Ana. Também é
preciso fazer adaptações na linguagem. Vários
diálogos da comédia Intimidade Indecente, de
Irene Ravache, que estreou na terça-feira passada em Portugal,
tiveram de ser mudados. A frase "eles só estão transando",
por exemplo, transformou-se em "é só uma queca".
Um
bom exemplo dos resultados que vêm sendo obtidos pelas peças
brasileiras está em Sete Minutos, que Antonio Fagundes
levou a Portugal em novembro. Em cinco semanas de apresentação
(quatro semanas em Lisboa, mais três exibições
no Porto), 20.000 pessoas assistiram
ao espetáculo. Houve até confusão e polêmica.
Numa apresentação no teatro Coliseu do Porto, para
1.700 pessoas, ele mandou que as portas
fossem fechadas pontualmente às 21h30. Cerca de 200 espectadores
que chegaram atrasados não puderam entrar, o que criou um
empurra-empurra que só terminou com a presença da
polícia. Programas de televisão e jornais discutiram
o assunto e Antonio, como Fagundes é conhecido por lá,
ganhou a discussão com os "atrasadinhos": nos espetáculos
seguintes, tudo aconteceu no horário. Segundo Ana Rangel,
o rendimento de Fagundes em sua turnê portuguesa foi semelhante
ao que ele teria obtido num período de casa cheia num grande
teatro paulistano. Mas essa não é a única recompensa.
Divulgação
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João Lima/Caras
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OS
PORTUGUESES
João Catarré e Benedita Pereira, de Morangos com
Açúcar: no caminho inverso |
ADRIANA
CALCANHOTTO
faz show em Portugal: músicos brasileiros emplacam sucessos
nas rádios |
"A
questão não é só o dinheiro, é
também a realização profissional. Eles nos
tratam muito bem", diz Miguel Falabella, que foi para lá
como diretor da peça Veneza e agora planeja uma temporada
portuguesa com o espetáculo Batalha de Arroz num Ringue
para Dois. Portugal pode ser, ainda, uma meca para celebridades
brasileiras de segundo escalão. O ator Oscar Magrini, por
exemplo, passou um ano no país e descobriu o verdadeiro sabor
do sucesso. Acostumado a fazer papéis menores em novelas
da Globo, Magrini participou de duas novelas por lá, e numa
delas foi protagonista. "Eu tinha carro, casa e mordomias. Até
pagavam o meu celular", diz o ator. Na Globo, onde atualmente grava
a novela Cabocla, seu salário nunca foi maior que
20.000. Em Portugal, ele chegou a ganhar
o equivalente a 12.000 dólares
por mês.
Assessor
de diversas celebridades nacionais importantes, o advogado Sérgio
Dantino juntou-se a um colega português, João Paulo
Abreu, para incrementar a ponte aérea artística entre
os dois países. Os dois já negociaram contratos para
Reynaldo Gianecchini, Regina Duarte e Luciana Gimenez, entre outros,
e também ajudaram estrelas portuguesas como Nuno Lopes, Duarte
Guimarães e Elisa Lisboa a fazer o caminho contrário.
Um caminho, aliás, que também é dos mais atraentes.
"Se levarmos em conta o tamanho dos dois países, os portugueses
têm ainda mais a ganhar vindo para cá", diz Dantino.
Há dois meses, a Rede Bandeirantes encaixou a novela portuguesa
Olhos d'Água em sua programação vespertina.
Agora, prepara-se para lançar Morangos com Açúcar,
espécie de Malhação lusitana que comprou
da TVI. A novela adolescente entra no ar na semana que vem. Sua
tarefa é roubar espectadores de Celebridade.
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