Edição 1846 . 24 de março de 2004

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Internet
É quase ilegal

A indústria bilionária da jogatina
on-line atua livremente mesmo
onde o jogo é proibido


Como se joga on-line

O mais próspero ramo da jogatina é o dos cassinos virtuais, nos quais só se joga pela internet. No início desta década, eles movimentavam anualmente perto de 7 bilhões de dólares. No ano que vem, de acordo com as projeções, o faturamento crescerá para 20,8 bilhões de dólares. De longe, a modalidade mais popular é o pôquer, oferecido por uma centena de endereços virtuais. Por volta de 30.000 pessoas chegam a acessar simultaneamente as mesas de jogo do Partypoker, o mais procurado entre os sites de carteado. Essa quantidade de jogadores é maior que a capacidade de todas as mesas de pôquer existentes nos grandes cassinos instalados em Las Vegas ou Atlantic City, os dois maiores centros de jogos do planeta. O movimento do Ladbrokes.com, do ramo de jogos eletrônicos do grupo hoteleiro Hilton, saltou de 11 milhões de dólares por dia em janeiro para 69 milhões em dezembro.

Esse é um negócio que prospera numa área de sombra, já que muitos de seus jogadores fazem apostas em países que proíbem os jogos de azar, como o Brasil. Os cassinos on-line contornam a proibição instalando seus computadores em paraísos fiscais do Caribe, onde não apenas o jogo é permitido como os impostos são mais camaradas. A partir deles, oferecem seus serviços ao resto do mundo. Um cartão de crédito é tudo de que um jogador precisa para entrar numa mesa de pôquer. Acredita-se que 7,5 milhões de americanos e europeus tentem uma vez ou outra a sorte nos cassinos on-line. Não existem estimativas sobre o número de brasileiros que jogam via internet. Mas há jogadores em quantidade suficiente para justificar a existência de páginas de acesso e serviço de ajuda em português em alguns desses sites.

Em teoria, um brasileiro flagrado apostando num cassino on-line pode ser processado por contravenção penal. Nesse caso, arrisca-se a ser condenado a pagar uma multa. É improvável que se chegue a tanto. "Um crime desses é muito difícil de caracterizar, pois o cassino é registrado no exterior, e só parte do delito foi cometida no Brasil", diz o advogado paulista Renato Opice Blum, especializado em crimes eletrônicos. Na Inglaterra e nos Estados Unidos, onde os jogos de azar são tolerados, a preocupação é com o impacto que o pôquer eletrônico possa ter sobre os viciados no carteado. Enquanto numa mesa real ocorrem em média 25 rodadas por hora, na internet a quantidade praticamente dobra no mesmo período. É comum que um jogador aposte simultaneamente em seis ou sete mesas.

 
 
 
 
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