|
|
Telefonia
Slim
fez o 21 da Embratel
O
magnata mexicano
comprou
a Embratel
por quase a
metade
do valor pago
na privatização

Carlos
Rydlewski
O
empresário mexicano Carlos Slim, o homem mais rico da América
Latina, com uma fortuna avaliada em 13,9 bilhões de dólares,
é conhecido pela habilidade fora do comum de fechar bons
negócios. Nas privatizações das estatais mexicanas
nos anos 90, saiu com a jóia da coroa, a Teléfonos
de México (Telmex), que ainda é dona de 90% das linhas
fixas do país. Na década de 80, aproveitou a desvalorização
do peso e comprou a maior empresa de tabaco e a maior fabricante
de autopeças do México. Na semana passada, Slim, "o
Engenheiro", como é chamado no México, fez jus mais
uma vez à fama que tem. Comprou o controle da Embratel, a
líder na telefonia de longa distância internacional
no Brasil, por 360 milhões de dólares e assumiu a
dívida de 1 bilhão de dólares da empresa. Em
1998, a Embratel foi privatizada por 2,3 bilhões de dólares,
quase o dobro do que custou a Slim.
O
caso da Embratel é emblemático do setor de telecomunicações
no Brasil. Assim como os acionistas de todas as outras empresas,
os da Embratel viram o valor dos papéis definhar com a desvalorização
do real em 1999. A empresa também sofreu com o estouro da
bolha da internet, quando todas as previsões de um futuro
excessivamente dourado para as companhias de telecomunicações
foram desmentidas. Esses são os fatores que unem a Embratel
ao restante do setor. Mas, por mais que se procurem justificativas
para a perda de valor das ações do lado de fora da
Embratel, os problemas da empresa se agravaram da porta para dentro.
Bia Parreiras
 |
| A
Embratel é dona de 50% do mercado corporativo |
A
controladora da empresa, a MCI, antiga WorldCom, está em
concordata nos Estados Unidos desde 2002. Ao lado do da Enron e
do da Parmalat, é um dos maiores escândalos contábeis
de todos os tempos. Isso acabou tirando o foco do Brasil. Era mais
do que esperado que a Embratel não conseguiria manter os
100% que detinha no mercado de ligações nacionais
de longa distância. Mas a competição interna
foi tanta que a empresa acabou perdendo uma fatia de 75%. Nas ligações
internacionais, a sangria foi menor e a empresa ainda conseguiu
manter 77% do mercado. Um dos maiores problemas da empresa nos últimos
anos foi a baixa rentabilidade.
A
Embratel tem cabos de fibras ópticas e satélites,
mas não chega à porta da casa dos consumidores. Precisa
pagar às empresas locais de telefonia pelo serviço
de intermediação. "Estima-se que, a cada 100 reais
que consegue gerar de receita, a empresa pague 46 às operadoras
locais, que são suas concorrentes", diz a analista Andréa
Rivas, do Yankee Group. Essa limitação aumentou a
inadimplência dos consumidores. Isso porque até 2002
a Embratel não tinha como cortar a linha dos consumidores
que deixavam de pagar as contas. Para piorar a situação
da empresa, a guerra das telefônicas diminuiu o preço
do minuto da ligação internacional.
Paulo Jares
 |
| Leilão
da Telebrás em 1998: venda na hora certa rendeu 22 bilhões de
dólares |
Além
de todos esses problemas, paira sobre a Embratel uma pendência
fiscal de 1 bilhão de reais, anterior ao período de
privatização. A MCI sempre alegou que a cobrança
da Receita Federal era indevida e atribuiu a dívida à
União. A disputa foi parar na Justiça, e a questão
ainda não foi resolvida. Apesar de todas essas complicações,
a Embratel tem 50% do mercado de grandes empresas. Antes da proposta
de Slim, o valor de mercado da Embratel já estava bem abaixo
dos 2,3 bilhões de dólares pagos na privatização.
Um consórcio formado pela Geodex e três concorrentes
da Embratel a Telefônica, a Telemar e a Brasil Telecom
ofereceu cerca de 550 milhões pelo controle da empresa.
Agora esse consórcio promete barrar a transação
da Telmex na Corte de Falências dos Estados Unidos. O argumento
é que os acionistas da MCI vão perder dinheiro com
a venda aos mexicanos. A proposta do consórcio é quase
200 milhões de dólares superior à da Telmex.
Slim não parece muito preocupado. No Brasil, o complexo chamado
Telmex/América Móvil já tem a Claro, a BCP
e as operações locais da AT&T Latin America. A
Embratel era a parte que faltava.
|
Quanto
vale a Embratel
Na
semana passada, a Telmex pagou 360 milhões de
dólares à americana MCI pelo controle
da Embratel, a líder na telefonia de longa distância
internacional no Brasil. Mesmo tendo assumido a dívida
da Embratel de 1 bilhão de dólares, a
Telmex fez um bom negócio. Em 1998, o governo
vendeu o controle acionário da Embratel por 2,3
bilhões de dólares. Em pouco mais de cinco
anos o valor da empresa caiu quase 1 bilhão de
dólares. Fatores que contribuíram para
isso:
Perda de mercado, de 100% para 25%, nas ligações
nacionais.
Queda do valor das empresas de telefonia em todo o mundo.
Desvalorização do real.
Perdas com pagamentos para usar redes locais.
Inadimplência de consumidores em chamadas nacionais
e internacionais.
|
|
|