Edição 1846 . 24 de março de 2004

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Telefonia
Slim fez o 21 da Embratel

O magnata mexicano comprou
a
Embratel por quase a metade
do valor
pago na privatização


Carlos Rydlewski

O empresário mexicano Carlos Slim, o homem mais rico da América Latina, com uma fortuna avaliada em 13,9 bilhões de dólares, é conhecido pela habilidade fora do comum de fechar bons negócios. Nas privatizações das estatais mexicanas nos anos 90, saiu com a jóia da coroa, a Teléfonos de México (Telmex), que ainda é dona de 90% das linhas fixas do país. Na década de 80, aproveitou a desvalorização do peso e comprou a maior empresa de tabaco e a maior fabricante de autopeças do México. Na semana passada, Slim, "o Engenheiro", como é chamado no México, fez jus mais uma vez à fama que tem. Comprou o controle da Embratel, a líder na telefonia de longa distância internacional no Brasil, por 360 milhões de dólares e assumiu a dívida de 1 bilhão de dólares da empresa. Em 1998, a Embratel foi privatizada por 2,3 bilhões de dólares, quase o dobro do que custou a Slim.

O caso da Embratel é emblemático do setor de telecomunicações no Brasil. Assim como os acionistas de todas as outras empresas, os da Embratel viram o valor dos papéis definhar com a desvalorização do real em 1999. A empresa também sofreu com o estouro da bolha da internet, quando todas as previsões de um futuro excessivamente dourado para as companhias de telecomunicações foram desmentidas. Esses são os fatores que unem a Embratel ao restante do setor. Mas, por mais que se procurem justificativas para a perda de valor das ações do lado de fora da Embratel, os problemas da empresa se agravaram da porta para dentro.

 
Bia Parreiras
A Embratel é dona de 50% do mercado corporativo

A controladora da empresa, a MCI, antiga WorldCom, está em concordata nos Estados Unidos desde 2002. Ao lado do da Enron e do da Parmalat, é um dos maiores escândalos contábeis de todos os tempos. Isso acabou tirando o foco do Brasil. Era mais do que esperado que a Embratel não conseguiria manter os 100% que detinha no mercado de ligações nacionais de longa distância. Mas a competição interna foi tanta que a empresa acabou perdendo uma fatia de 75%. Nas ligações internacionais, a sangria foi menor e a empresa ainda conseguiu manter 77% do mercado. Um dos maiores problemas da empresa nos últimos anos foi a baixa rentabilidade.

A Embratel tem cabos de fibras ópticas e satélites, mas não chega à porta da casa dos consumidores. Precisa pagar às empresas locais de telefonia pelo serviço de intermediação. "Estima-se que, a cada 100 reais que consegue gerar de receita, a empresa pague 46 às operadoras locais, que são suas concorrentes", diz a analista Andréa Rivas, do Yankee Group. Essa limitação aumentou a inadimplência dos consumidores. Isso porque até 2002 a Embratel não tinha como cortar a linha dos consumidores que deixavam de pagar as contas. Para piorar a situação da empresa, a guerra das telefônicas diminuiu o preço do minuto da ligação internacional.

 
Paulo Jares
Leilão da Telebrás em 1998: venda na hora certa rendeu 22 bilhões de dólares

Além de todos esses problemas, paira sobre a Embratel uma pendência fiscal de 1 bilhão de reais, anterior ao período de privatização. A MCI sempre alegou que a cobrança da Receita Federal era indevida e atribuiu a dívida à União. A disputa foi parar na Justiça, e a questão ainda não foi resolvida. Apesar de todas essas complicações, a Embratel tem 50% do mercado de grandes empresas. Antes da proposta de Slim, o valor de mercado da Embratel já estava bem abaixo dos 2,3 bilhões de dólares pagos na privatização. Um consórcio formado pela Geodex e três concorrentes da Embratel – a Telefônica, a Telemar e a Brasil Telecom – ofereceu cerca de 550 milhões pelo controle da empresa. Agora esse consórcio promete barrar a transação da Telmex na Corte de Falências dos Estados Unidos. O argumento é que os acionistas da MCI vão perder dinheiro com a venda aos mexicanos. A proposta do consórcio é quase 200 milhões de dólares superior à da Telmex. Slim não parece muito preocupado. No Brasil, o complexo chamado Telmex/América Móvil já tem a Claro, a BCP e as operações locais da AT&T Latin America. A Embratel era a parte que faltava.

 

Quanto vale a Embratel

Na semana passada, a Telmex pagou 360 milhões de dólares à americana MCI pelo controle da Embratel, a líder na telefonia de longa distância internacional no Brasil. Mesmo tendo assumido a dívida da Embratel de 1 bilhão de dólares, a Telmex fez um bom negócio. Em 1998, o governo vendeu o controle acionário da Embratel por 2,3 bilhões de dólares. Em pouco mais de cinco anos o valor da empresa caiu quase 1 bilhão de dólares. Fatores que contribuíram para isso:

• Perda de mercado, de 100% para 25%, nas ligações nacionais.

• Queda do valor das empresas de telefonia em todo o mundo.

• Desvalorização do real.

• Perdas com pagamentos para usar redes locais.

• Inadimplência de consumidores em chamadas nacionais e internacionais.

 

 
 
 
 
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