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Sociedade
Aulas
de dona-de-casa
Tarefas
domésticas, que antes
eram passadas de mãe para filha,
agora se aprendem em escolas

Rosana
Zakabi
Oscar Cabral
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| Curso
na escola As Marias, no Rio: a procura triplicou |
Não
faz tanto tempo assim. Nas famílias de classe média,
toda moça tinha de conhecer as tarefas básicas da
casa, como cozinhar, passar roupa, lustrar os móveis e costurar.
Havia até uma disciplina nos colégios que ensinava
como executar os serviços do lar. Hoje, ocorre exatamente
o contrário. A maioria das jovens não tem idéia
de como se prepara arroz ou feijão. Elas estão muito
mais preocupadas com os estudos, os amigos e o namorado do que com
as tarefas da casa. Com a entrada em massa das mulheres no mercado
de trabalho, a partir da década de 70, elas passaram a investir
na carreira tanto quanto os homens, e os afazeres do lar foram deixados
para o segundo plano. Como conseqüência, proliferaram
agora escolas especializadas em ensinar aquilo que no passado era
transmitido de mãe para filha. Há cursos em São
Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre que mostram
desde como se prepara uma lista de compras de supermercado até
como se arruma a mesa para o jantar.
Na
escola As Marias, que ensina a organizar a casa, o número
de matrículas triplicou na última década. A
filial de Brasília recebe 250 alunos por mês. No Rio
de Janeiro, são 400. Na Escola Wilma Kövesi de Cozinha,
em São Paulo, o curso mais procurado é o básico,
para principiantes. "Antes, as aulas mais solicitadas eram aquelas
que ensinavam a fazer pratos sofisticados, dignos de chefs", diz
Elizabeth Kövesi Mathias, uma das donas da escola. "Hoje, as
jovens vêm para aprender o trivial do dia-a-dia." A maioria
das alunas tem cerca de 20 anos e vai se casar ou sair de casa para
morar sozinha. São filhas de mães que passam o dia
inteiro no trabalho e não têm tempo de ensinar o que
sabem. Em sua casa, as tarefas domésticas ficam por conta
da empregada.
Claudio Rossi
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| Daniela
em sua casa em São Paulo: "Agora já sei o básico" |
"Eu não podia nem orientar a empregada, pois não sabia
explicar o que ela tinha de fazer", conta a paulista Daniela Girão,
engenheira elétrica, de 31 anos, que se casou há três
meses. Ela resolveu o problema freqüentando um curso de duas
semanas em uma escola de São Paulo. Para quem trabalha fora
o dia inteiro, a cozinha não é prioridade. Muitos
casais almoçam em restaurantes e à noite pedem uma
pizza ou descongelam pratos prontos no microondas. A preocupação
maior é com as pequenas tarefas domésticas do dia-a-dia.
"As alunas se interessam mais em saber o que devem ter na despensa,
como se arruma a mesa de forma correta, ou como pendurar as camisas
no closet", diz Adriana Cardoso, gerente da Agência Prisma,
em Porto Alegre.
Quando
a escola abriu, há dez anos, o curso era voltado para empregadas
domésticas. Hoje, metade das alunas são as próprias
patroas. "Só comecei a me preocupar com isso quando eu e
meu namorado decidimos nos casar", diz a gaúcha Ana Maria
Arruga, psicóloga de 26 anos. Com o casamento marcado para
2005, ela fez o curso na Agência Prisma no ano passado. Recentemente,
o grupo Pão de Açúcar lançou um kit
com três fitas de vídeo e uma revista que ensinam,
passo a passo, como manter a casa em ordem. Chamado Lições
de Casa, foi criado depois que uma pesquisa mostrou que ter um guia
à mão explicando como realizar tarefas do dia-a-dia
era um sonho de consumo entre as mulheres das classes A e B acima
dos 25 anos.
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