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Sexo
Eles
prometem, mas
não agüentam...
Campanha
pró-virgindade cresce
nos EUA, mas só
um em dez cumpre
o voto de abstinência

Ariel
Kostman
Reuters
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| Manifestação
a favor da abstinência sexual: movimento tem apoio do governo
Bush |
Nos
últimos anos, o movimento que defende a abstinência
sexual para adolescentes vem ganhando força nos Estados Unidos.
Baseia-se na tese de que se privar de sexo é a única
maneira totalmente segura de evitar doenças sexualmente transmissíveis,
como a aids, ou a gravidez indesejada. Sob o comando de grupos ligados
a igrejas e com patrocínio oficial, a campanha tem produzido
resultados notáveis. Quase 2,5 milhões de jovens já
assinaram a carteirinha com voto de virgindade do movimento True
Love Waits (o verdadeiro amor espera, em inglês). Assinar
é, digamos, a parte fácil. Pesquisadores da Universidade
de Columbia que acompanharam 12.000 adolescentes durante oito anos
constatam que 88% daqueles que prometem manter a virgindade até
o casamento acabam tendo relações sexuais antes disso.
Ou seja, quase nove em cada dez caem em tentação.
O
levantamento revela ainda um lado inesperado da campanha pró-abstinência,
este, sim, preocupante: quando decidem transar, os que fizeram votos
de virgindade se protegem menos. Apenas 40% dos rapazes que pretendiam
casar-se virgens usaram preservativo no último ano em comparação
aos 59% dos que não prometeram evitar o sexo. No que diz
respeito às doenças sexualmente transmissíveis,
a taxa de contaminação foi praticamente igual entre
os dois grupos. "O movimento a favor de uma educação
sexual baseada na abstinência está criando uma situação
na qual ninguém tem informação adequada sobre
como ter sexo saudável", disse Peter Bearman, chefe do departamento
de sociologia da Universidade de Columbia e autor da pesquisa. "Com
essa atitude, esses grupos acabam agravando os problemas que dizem
querer resolver."
Apesar
da pesquisa, a cruzada a favor de uma educação sexual
baseada exclusivamente na preservação da virgindade
deve ganhar ainda mais força. O movimento conta com o entusiasmado
apoio do presidente George W. Bush. No ano passado, o governo americano
destinou 135 milhões de dólares para centros de saúde,
escolas e igrejas que realizem reuniões com o objetivo de
convencer adolescentes a evitar relações sexuais antes
do casamento. Ao mesmo tempo, reduziu a verba para programas de
educação que incentivam o sexo seguro. Em alguns Estados
americanos todos os programas que fornecem informações
sobre o uso de métodos anticoncepcionais e preservativos
para adolescentes foram abolidos.
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