Edição 1846 . 24 de março de 2004

Índice
Brasil
Internacional
Economia e Negócios
Geral
Guia
Artes e Espetáculos
Claudio de Moura Castro
Sérgio Abranches
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Contexto
VEJA on-line
Veja essa
Gente
Datas
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
 
 

Sexo
Eles prometem, mas
não agüentam...

Campanha pró-virgindade cresce
nos EUA, mas
só um em dez cumpre
o voto de abstinência


Ariel Kostman

 
Reuters
Manifestação a favor da abstinência sexual: movimento tem apoio do governo Bush

Nos últimos anos, o movimento que defende a abstinência sexual para adolescentes vem ganhando força nos Estados Unidos. Baseia-se na tese de que se privar de sexo é a única maneira totalmente segura de evitar doenças sexualmente transmissíveis, como a aids, ou a gravidez indesejada. Sob o comando de grupos ligados a igrejas e com patrocínio oficial, a campanha tem produzido resultados notáveis. Quase 2,5 milhões de jovens já assinaram a carteirinha com voto de virgindade do movimento True Love Waits (o verdadeiro amor espera, em inglês). Assinar é, digamos, a parte fácil. Pesquisadores da Universidade de Columbia que acompanharam 12.000 adolescentes durante oito anos constatam que 88% daqueles que prometem manter a virgindade até o casamento acabam tendo relações sexuais antes disso. Ou seja, quase nove em cada dez caem em tentação.

O levantamento revela ainda um lado inesperado da campanha pró-abstinência, este, sim, preocupante: quando decidem transar, os que fizeram votos de virgindade se protegem menos. Apenas 40% dos rapazes que pretendiam casar-se virgens usaram preservativo no último ano em comparação aos 59% dos que não prometeram evitar o sexo. No que diz respeito às doenças sexualmente transmissíveis, a taxa de contaminação foi praticamente igual entre os dois grupos. "O movimento a favor de uma educação sexual baseada na abstinência está criando uma situação na qual ninguém tem informação adequada sobre como ter sexo saudável", disse Peter Bearman, chefe do departamento de sociologia da Universidade de Columbia e autor da pesquisa. "Com essa atitude, esses grupos acabam agravando os problemas que dizem querer resolver."

Apesar da pesquisa, a cruzada a favor de uma educação sexual baseada exclusivamente na preservação da virgindade deve ganhar ainda mais força. O movimento conta com o entusiasmado apoio do presidente George W. Bush. No ano passado, o governo americano destinou 135 milhões de dólares para centros de saúde, escolas e igrejas que realizem reuniões com o objetivo de convencer adolescentes a evitar relações sexuais antes do casamento. Ao mesmo tempo, reduziu a verba para programas de educação que incentivam o sexo seguro. Em alguns Estados americanos todos os programas que fornecem informações sobre o uso de métodos anticoncepcionais e preservativos para adolescentes foram abolidos.

 
 
 
 
topo voltar