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Espaço
Na
fronteira do nosso mundo
Descoberta
de planetóide expande
os limites do sistema solar
Fotos Nasa
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O
sistema solar ficou maior na semana passada. Os limites foram expandidos
em aproximadamente 7 bilhões de quilômetros com a descoberta
do mais distante corpo celeste a orbitar o Sol. Trata-se de um planetóide
de 1.700 quilômetros de diâmetro, pouco mais da metade
do tamanho da Lua. Ele gira em torno dos outros nove planetas em
uma órbita elíptica que oscila entre 13 bilhões
e 13,5 bilhões de quilômetros do Sol. Cada ano do astro,
medido pelo tempo que demora para dar a volta em torno do Sol, leva
10.500 anos da Terra. Esse objeto gelado, com temperaturas de 240
graus negativos e uma estranha cor avermelhada, é o maior
já detectado nas fronteiras do sistema solar desde a descoberta
de Plutão, em 1930. Os astrônomos americanos que o
localizaram lhe deram o nome de Sedna, em homenagem a uma deusa
dos esquimós. A descoberta abre a perspectiva de que nosso
sistema planetário vá ainda além de Sedna.
A
hipótese mais fascinante é que Sedna seja uma espécie
de fóssil remanescente da formação do sistema
solar, há 5 bilhões de anos. Por estar muito distante
do Sol, e portanto a salvo do calor e da radiação,
o planetóide deve ter mantido intactas as características
primordiais. Isso ajudará os cientistas a entender como eram
os outros planetas no estágio inicial de sua evolução
cósmica, entre eles a Terra. É possível que
Sedna tenha ainda uma pequena lua girando a seu redor, como acontece
com Plutão e sua lua Caronte. Os astrônomos, no entanto,
ainda não chegaram à conclusão de que Sedna
seja de fato um planeta. Pelos padrões atuais que definem
um planeta, ele é muito pequeno e tem órbita muito
irregular. A União Internacional de Astronomia (IAU, na sigla
em inglês) decidiu reavaliar o sistema atual de classificação
dos planetas. Uma das decisões diz respeito ao tamanho mínimo
para que um corpo celeste possa ser considerado da mesma classe
que a Terra, Marte e Júpiter. O resultado das discussões
pode também derrubar a definição dada a Plutão
alguns astrônomos o acham pequeno demais para ser chamado
de planeta.
Sedna
foi avistado pela primeira vez no telescópio de Monte Palomar,
na Califórnia, em novembro. Dias depois, outros telescópios
no Chile, na Espanha, no Arizona e no Havaí confirmaram a
descoberta. Os astrônomos então passaram a usar um
telescópio de raios infravermelhos para estimar o tamanho
do planetóide a partir do calor irradiado por ele. Entusiasmados,
eles apostam que Sedna é o início de uma revolução
na forma como compreendemos o sistema solar. "Nossa previsão
é que haverá muitos outros objetos como esse sendo
descobertos nos próximos cinco anos", diz Michael Brown,
coordenador da equipe do Instituto de Tecnologia da Califórnia
que localizou o planetóide. "E alguns deles provavelmente
serão ainda maiores que Sedna."
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