Edição 1846 . 24 de março de 2004

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Na fronteira do nosso mundo

Descoberta de planetóide expande
os limites do sistema solar

 
Fotos Nasa

Galeria de Fotos: Sedna

O sistema solar ficou maior na semana passada. Os limites foram expandidos em aproximadamente 7 bilhões de quilômetros com a descoberta do mais distante corpo celeste a orbitar o Sol. Trata-se de um planetóide de 1.700 quilômetros de diâmetro, pouco mais da metade do tamanho da Lua. Ele gira em torno dos outros nove planetas em uma órbita elíptica que oscila entre 13 bilhões e 13,5 bilhões de quilômetros do Sol. Cada ano do astro, medido pelo tempo que demora para dar a volta em torno do Sol, leva 10.500 anos da Terra. Esse objeto gelado, com temperaturas de 240 graus negativos e uma estranha cor avermelhada, é o maior já detectado nas fronteiras do sistema solar desde a descoberta de Plutão, em 1930. Os astrônomos americanos que o localizaram lhe deram o nome de Sedna, em homenagem a uma deusa dos esquimós. A descoberta abre a perspectiva de que nosso sistema planetário vá ainda além de Sedna.

A hipótese mais fascinante é que Sedna seja uma espécie de fóssil remanescente da formação do sistema solar, há 5 bilhões de anos. Por estar muito distante do Sol, e portanto a salvo do calor e da radiação, o planetóide deve ter mantido intactas as características primordiais. Isso ajudará os cientistas a entender como eram os outros planetas no estágio inicial de sua evolução cósmica, entre eles a Terra. É possível que Sedna tenha ainda uma pequena lua girando a seu redor, como acontece com Plutão e sua lua Caronte. Os astrônomos, no entanto, ainda não chegaram à conclusão de que Sedna seja de fato um planeta. Pelos padrões atuais que definem um planeta, ele é muito pequeno e tem órbita muito irregular. A União Internacional de Astronomia (IAU, na sigla em inglês) decidiu reavaliar o sistema atual de classificação dos planetas. Uma das decisões diz respeito ao tamanho mínimo para que um corpo celeste possa ser considerado da mesma classe que a Terra, Marte e Júpiter. O resultado das discussões pode também derrubar a definição dada a Plutão – alguns astrônomos o acham pequeno demais para ser chamado de planeta.

Sedna foi avistado pela primeira vez no telescópio de Monte Palomar, na Califórnia, em novembro. Dias depois, outros telescópios no Chile, na Espanha, no Arizona e no Havaí confirmaram a descoberta. Os astrônomos então passaram a usar um telescópio de raios infravermelhos para estimar o tamanho do planetóide a partir do calor irradiado por ele. Entusiasmados, eles apostam que Sedna é o início de uma revolução na forma como compreendemos o sistema solar. "Nossa previsão é que haverá muitos outros objetos como esse sendo descobertos nos próximos cinco anos", diz Michael Brown, coordenador da equipe do Instituto de Tecnologia da Califórnia que localizou o planetóide. "E alguns deles provavelmente serão ainda maiores que Sedna."

 

 

 

 

 
 
 
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