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São
Paulo
O
extrato vem aí
Maluf
era o procurador e não
o titular das contas na Suíça
Marcio Fernandes/AE
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| Paulo
Maluf: uma questão de semântica |
Os
documentos sobre o histórico bancário de Paulo Maluf
na Suíça foram liberados na semana passada pela Justiça
daquele país e estão a caminho do Brasil, por mala
diplomática. A papelada pode comprovar que o ex-prefeito
de São Paulo não mentiu ao garantir que nunca teve
conta em bancos suíços aberta em seu nome. Mas confirma
que houve, sim, movimentações em contas que ele controlava,
entre 1985 e 1998. A questão é semântica. Segundo
o que já transpirou do dossiê feito pelos suíços,
Maluf foi "beneficiário" uma espécie de procurador
de duas contas que tinham outros nomes como titulares. Também
seus filhos Lígia e Flávio apareceriam ora como titulares,
ora como beneficiários de outras nove contas.
"Ser
o titular ou o beneficiário dá na mesma", explica
Adrienne Senna, expert de um comitê da Organização
das Nações Unidas sobre lavagem de dinheiro. Para
os defensores de Maluf, não é bem assim. "Nada demonstra
que ele fosse o dono de qualquer quantia depositada no exterior",
diz o advogado José Roberto Leal. Além disso, naquela
época ainda não havia a lei que pune lavagem de dinheiro
no exterior. Por ter mais de 70 anos, ele também pode se
beneficiar de prazos de prescrição reduzidos para
idosos. Mas, em ano eleitoral, é desastrosa a confirmação
das contas e a relação que se faz entre elas e as
denúncias de desvio de dinheiro em obras públicas.
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