Edição 1846 . 24 de março de 2004

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São Paulo
O extrato vem aí

Maluf era o procurador e não
o titular das contas na Suíça


Marcio Fernandes/AE
Paulo Maluf: uma questão de semântica

Os documentos sobre o histórico bancário de Paulo Maluf na Suíça foram liberados na semana passada pela Justiça daquele país e estão a caminho do Brasil, por mala diplomática. A papelada pode comprovar que o ex-prefeito de São Paulo não mentiu ao garantir que nunca teve conta em bancos suíços aberta em seu nome. Mas confirma que houve, sim, movimentações em contas que ele controlava, entre 1985 e 1998. A questão é semântica. Segundo o que já transpirou do dossiê feito pelos suíços, Maluf foi "beneficiário" – uma espécie de procurador – de duas contas que tinham outros nomes como titulares. Também seus filhos Lígia e Flávio apareceriam ora como titulares, ora como beneficiários de outras nove contas.

"Ser o titular ou o beneficiário dá na mesma", explica Adrienne Senna, expert de um comitê da Organização das Nações Unidas sobre lavagem de dinheiro. Para os defensores de Maluf, não é bem assim. "Nada demonstra que ele fosse o dono de qualquer quantia depositada no exterior", diz o advogado José Roberto Leal. Além disso, naquela época ainda não havia a lei que pune lavagem de dinheiro no exterior. Por ter mais de 70 anos, ele também pode se beneficiar de prazos de prescrição reduzidos para idosos. Mas, em ano eleitoral, é desastrosa a confirmação das contas e a relação que se faz entre elas e as denúncias de desvio de dinheiro em obras públicas.

 
 
 
 
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