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Congresso
Brasileiríssimo
Sem
dinheiro e com fome, homem invade
o
Senado, ganha 240 reais e acaba assaltado
Na
terça-feira passada, Edivaldo de Lima Araújo, um baiano
de 35 anos que mora numa cidade vizinha a Brasília, subiu
nas galerias do Senado e ameaçou jogar-se lá do alto,
despencando no plenário 6 metros abaixo. Foi o modo que Edivaldo
Araújo encontrou para protestar contra sua precária
situação econômica. Antes que se machucasse,
ele foi capturado pelos seguranças do Senado e levado à
presença de um grupo de senadores, que tiveram a oportunidade
de ver de perto esse brasileiro como tantos outros. Araújo
está desempregado (como 10 milhões de brasileiros),
reclamou que vinha passando fome (como algo em torno de 30 milhões
de brasileiros) e não tinha condições de sustentar
sua mulher e os dois filhos pequenos com uma pensão de 120
reais por mês (faixa de renda de 1 milhão de famílias
brasileiras). Há dois anos, ele não consegue colocação
com carteira assinada (tal como 41 milhões de brasileiros),
numa situação dificultada pelo fato de não
ter completado o ensino fundamental (como 29% dos brasileiros com
mais de 25 anos). Brasileiríssimo, esse Edivaldo Araújo.
Ana Araújo
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| Edivaldo,
a mulher e os dois filhos em sua casa: ainda sem emprego |
Os
senadores ficaram chocados com o desespero do baiano. Depois de
passar por um exame médico e receber um copo de suco de uva,
Edivaldo ganhou um presente. Os senadores cotizaram-se para lhe
fornecer algum dinheiro. Cinco senadores recolheram a soma de 240
reais. Cada um entrou com 50 reais, sendo que o presidente da Casa,
senador José Sarney, contribuiu com 40 reais, na forma de
duas notas de 20. A cota de cada senador corresponde a menos de
0,5% do salário que recebem no Senado. Além disso,
porém, Sarney prometeu tentar conseguir um emprego para o
brasileiro, talvez no próprio Senado ou numa das empresas
que prestam serviço à Casa. Até sexta-feira
passada, no entanto, três dias depois do episódio,
Edivaldo Araújo seguia desempregado. Seguia, também,
sem os documentos que pretendia tirar com parte dos 240 reais que
ganhou dos senadores. Diz Edivaldo que, no caminho de volta para
casa, foi assaltado por três homens (um tipo de violência
tão corriqueiro que nem dispõe de estatísticas
confiáveis). Os assaltantes deixaram-no com apenas 50 reais.
Brasileiríssimo, esse Edivaldo Araújo.
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