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Administração
O lixo que é um
verdadeiro luxo
Por
que coletar lixo em São Paulo é
muito mais do que fazer um serviço sujo

Felipe Patury e Sandra Brasil
Mario Rodrigues
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A cidade
de São Paulo produz a cada dia 9.000
toneladas de lixo. Coletar e aterrar essa montanha de detritos é
uma operação de logística complicada e custo
altíssimo. O serviço oferecido atualmente deixa muito
a desejar e, a pretexto de melhorá-lo, desde o ano passado
a prefeita Marta Suplicy, do PT, criou mais um tributo, a taxa do
lixo o que lhe valeu o apelido de "Martaxa". Com o dinheiro
arrecadado, divulga a prefeitura, será possível estender
a coleta e construir outros aterros, porque os disponíveis
estão próximos da saturação. Como não
tem meios próprios para realizar o trabalho, a prefeitura
de São Paulo continuará entregando-o a empresas privadas,
escolhidas por licitação. Deverão ganhar a
concorrência pública que está em andamento aquelas
que provarem ser mais capazes e menos custosas.
Deverão
ou deveriam? Na distância entre esses dois tempos verbais,
o futuro do presente e o futuro do pretérito, mora a desconfiança
que levou políticos de oposição e empresas
contrariadas a contestar a licitação. Seus termos
são mesmo pouco usuais. As empresas vencedoras explorarão
o serviço por vinte anos, renováveis por mais vinte.
Ou seja, os contratos poderão ser válidos até
2044. O usual é que uma concessão dessas não
ultrapasse cinco anos. O valor total a ser pago pela prefeitura
é de 9 bilhões de reais, um dos maiores negócios
realizados no Brasil recentemente (veja
quadro).
Agliberto Lima/AE
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Joel Silva/Folha Imagem
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| A
prefeita Marta Suplicy: mais uma dor de cabeça |
Rogério
Buratti: um personagem onipresente quando o assunto é
PT |
O
prazo dilatado, afirma a prefeitura, se justifica porque a construção
dos aterros sanitários é muito cara. Esticar o tempo
de concessão por vinte anos significa diluir os custos por
todo aquele período, necessariamente pagos pelos contribuintes
de hoje e do futuro. Para se ter uma idéia, os consórcios
vencedores investirão nessas obras 1 bilhão de reais
nos próximos quatro anos. Esse procedimento de dilatar prazos
é comum em outras cidades. A peculiaridade de São
Paulo é reunir, numa mesma concessão, a construção
de aterros sanitários e a exploração da coleta.
Em Salvador, por exemplo, o aterro foi licitado por vinte anos.
Já a coleta, por apenas cinco. "É ruim deixar tudo
na mão de pouca gente por um prazo tão longo", diz
Washington Novaes, especialista no setor.
Os
vencedores deveriam ter sido conhecidos há seis meses, mas
o processo empacou numa guerra judicial, que virou uma dor de cabeça
para Marta Suplicy. As denúncias começaram antes da
publicação do edital. Uma empresa, a SPL, divulgou
três cartas com acusações. Afirmava que a licitação
era dirigida e que a prefeitura pagaria caro demais pelo serviço.
Mandou cópia até para o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva. Esqueceu tudo depois que ingressou num dos consórcios
habilitados para a disputa. Entre os seus sócios está
a Vega, que a SPL tinha acusado de ser uma das beneficiárias
da suposta maracutaia. "Na época em que denunciamos, ainda
não havia nem edital. Mas tudo mudou", diz Sandra Unterkircher,
da SPL. Outras denúncias ainda assombram a administração
petista. Uma delas foi feita por Enio Raffin, um técnico
que afirma ter havido vazamento de informações. Ele
diz que sabe quem ganhará a licitação e outros
detalhes confidenciais. Raffin conta que registrou o nome dos ganhadores
em cartório e patrocina uma ação para suspender
a concorrência. Como são só três os concorrentes
e serão apenas dois os ganhadores, as combinações
são poucas. Não é impossível que Raffin
tenha registrado todas elas, o que desqualificaria sua ação.
É
lixo demais no ar-condicionado da prefeita Marta Suplicy. Descobriu-se
que seu secretário de Infra-Estrutura, Roberto Bortolotto,
era sócio da empresa LOT, que também está na
licitação. Ele alega que deixou a LOT antes de entrar
na equipe de Marta. Na última semana, surgiu outro dado curioso.
Veio à tona o fato de a empresa Leão & Leão
disputar a varrição das ruas de São Paulo.
É um negócio de 350 milhões de reais em cinco
anos, a ser dividido entre 31 empresas. O vice-presidente da Leão
& Leão é uma fera: Rogério Buratti, que
foi secretário da prefeitura de Ribeirão Preto quando
o alcaide daquela cidade do interior paulista era o ministro da
Fazenda, Antonio Palocci. Buratti foi demitido por Palocci em 1994,
porque estava envolvido no que seria uma atenção,
leitor licitação dirigida. A Leão &
Leão abocanhou contratos em sete cidades, das quais cinco
são ou foram administradas pelo PT. O nome de Buratti aparece
nas investigações do escândalo dos bingos e
loterias protagonizado por Waldomiro Diniz.
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Grandes
negócios
Supermercados,
telefonia? Nenhuma transação recente se
compara a catar o
lixo dos paulistanos
Compra
do Bompreço pelo Wal-Mart
870
milhões de reais
Compra
da Embratel pela Telmex
1 bilhão de reais
Compra
da BCP pela Telmex
1,8 bilhão de reais
Concessão
para a coleta de lixo em São Paulo
9
bilhões de reais
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