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Televisão
A fantástica fábrica de estrelas
Como o canal da Disney se tornou
a grande
base de lançamento de novos fenômenos pop

Marcelo Marthe
Logan Mock-Bunting/Getty
Images
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| Hilary Duff: discos simpáticos e pose
de garota certinha |
De dia, a garota Miley Stewart não descuida de seus deveres
e faz de tudo para corresponder ao amor do pai viúvo. De
noite, ela leva uma vida secreta: usando uma peruca loira como disfarce,
transforma-se em pop star. Com esse argumento algo fantasioso, o
seriado americano Hannah Montana virou o novo objeto de culto
dos pré-adolescentes. E pôs em evidência mais
uma atriz e cantora juvenil: Miley Cyrus, intérprete da personagem
quase homônima. Ela mal completou 14 anos e já é
uma artista superpoderosa. A trilha sonora da série, na qual
canta a maioria dos temas, estreou em primeiro lugar na parada americana,
em novembro passado. Hannah Montana é uma produção
da Disney mais precisamente, do Disney Channel. Uma década
atrás, o canal pago da companhia propulsionou a carreira
de nomes retumbantes como Britney Spears, Christina Aguilera e Justin
Timberlake. Agora, mais que retomar essa vocação,
ele vem funcionando como uma verdadeira usina de artistas-cantores.
Se um dia os desenhos infantis foram um dos pilares da influência
da indústria cultural americana mundo afora, em especial
sobre crianças e jovens, esse papel nos últimos tempos
foi assumido pelos seriados. Desde 2001, quando foi lançada
na sitcom Lizzie McGuire, a cantora Hilary Duff emplacou
vários hits. Com 4 milhões de cópias comercializadas,
a trilha de High School Musical telefilme que é
o musical mais bem-sucedido desde Grease (1978)
foi o disco mais vendido nos Estados Unidos em 2006. Outra cria
do canal, o quarteto feminino Cheetah Girls também faz sucesso
com seu rhythm & blues pudico. Miley Cyrus é a mais recente
amostra do "fator Disney".
Divulgação
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Miley Cyrus: tão boa filha
que descolou emprego até
para o pai |
Na década de 1950, o Clube do Mickey já era
uma vitrine eficiente: Annette Funicello, a primeira musa juvenil
do rock, despontou em seu elenco. Da última versão
do extinto programa, aliás, saíram os artistas da
geração de Britney, nos anos 90. Há uma diferença
notável entre o contexto atual e o desses antecessores. Britney
e Timberlake beneficiaram-se da exposição no Disney
Channel, obviamente, mas fizeram-se como cantores depois de partir
para a carreira independente. Atualmente, a relação
dos artistas com o canal mudou. Nos últimos anos, ele desenvolveu
aquilo que a mídia americana chama de "novo sistema de estrelas"
da Disney. Passou a conceber seus programas e a selecionar os protagonistas
com base em pesquisas que mapeiam milimetricamente o gosto dos tweens,
a garotada na faixa dos 8 aos 13 anos. Lizzie McGuire e Hannah
Montana são produto desse esforço. Trata-se de
comédias amenas, cujas heroínas têm um quê
de moderninhas mas não a ponto de fugir do figurino
"família" tradicional nas produções da Disney.
A carreira musical de Hilary Duff, Miley Cyrus e Vanessa Anne Hudgens,
a protagonista de High School Musical, foi encampada pelo
Disney Channel desde o nascedouro. O truque de marketing está
em fazer com que a imagem das artistas e a de suas personagens se
confundam aos olhos do público.
Escaldado com os escândalos
de suas ex-estrelas, o canal redobrou os cuidados ao selecionar
os novos artistas. Dá-se preferência aos adolescentes
que são bons alunos e empunham a bandeira dos "valores Disney"
(deixar-se flagrar sem calcinha, como fez Britney recentemente,
nem pensar). Tempos atrás, Hilary Duff até se envolveu
numa história do tipo que faz as delícias das revistas
de celebridades, ao disputar um namoradinho com a arqui-rival Lindsay
Lohan (a nada comportada musa adolescente revelada no cinema também
pela Disney e que, aos 20 anos, é notória habitué
dos Alcoólicos Anônimos). No mais, contudo, Hilary
se esforça para parecer santa. Teria se retirado de um show
de rock ao deparar com a atriz Alicia Silverstone fumando maconha.
Miley Cyrus, por sua vez, exibe a imagem de filha exemplar. Em Hannah
Montana, ela contracena com seu pai de verdade, Billy Ray Cyrus,
cantor country que amargava o ostracismo até descolar essa
boquinha na TV.
É claro que essa gente
um dia cresce e, inevitavelmente, tem de se virar sem a Disney.
A tática de sobrevivência dos artistas saídos
do Clube do Mickey nos anos 90 foi se afastar radicalmente
de sua imagem certinha. Isso funcionou para Timberlake e Christina
Aguilera, que demonstraram, em níveis diferentes, ter talento
musical. Já a carreira de Britney está na UTI: ela
não grava um disco de estúdio há três
anos e enfrenta uma baita crise de imagem. Hilary Duff é
a primeira da nova leva a ter de se "desmamar" da Disney, uma vez
que sua série acabou. Embora demonstre jeito como cantora
com seu pop simpático, ainda não deslanchou no cinema.
Mas é difícil imaginar que não venha a ser
mais uma estrela com currículo made in Disney.
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AS CRIAS DA DISNEY
Gene Lester/Getty
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ANNETTE
FUNICELLO
Revelada nos anos
1950, foi a primeira musa teen do rock
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Michael Buckner/Getty
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JUSTIN
TIMBERLAKE
Pose de garanhão
e trabalho elogiado pela crítica
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Bryan Bedder/DCP/Getty
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CHRISTINA
AGUILERA
A cantora mais abusada saída
do Clube do Mickey
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Frederic M.
Brown/Getty Images
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LINDSAY
LOHAN
Sucesso em filmes da Disney
e problemas com o álcool
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