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Edição 1992 . 24 de janeiro de 2007

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Música
O milagre do gueto

Jay-Z tem tudo o que um rapper
almeja: dinheiro, carrões, ficha suja.
E ainda Beyoncé para chamar de sua


Sérgio Martins

 
Frank Micelotta/Getty Images
Jay-Z e a namorada: ele fatura com letras sobre a "periferia"; mas circula mesmo é com os bacanas

O rapper americano Jay-Z tem todos os atributos de sua categoria. Uma gravadora chamada Roc-A-Fella (que também rima com Rockefeller), uma linha de roupas, seu próprio clube, cascatas de correntes com diamantes, musicalidade e facilidade fabulosas para rimas. Tem até outro item obrigatório, ficha na polícia (esfaqueou um desafeto e pegou três anos de condicional, mas se livrou da bronca comprando os serviços de produtor do esfaqueado por 600.000 dólares, o que interrompeu a colaboração deste com a promotoria). Mas duas coisas que tem são só suas: o título de artista mais bem-sucedido da história do hip hop e uma namorada como a fabulosa Beyoncé Knowles. Numa demonstração prática do estilo de vida exuberante dos rappers, ele mimoseou Beyoncé meses atrás com um presentinho frugal para suas posses: um Rolls- Royce. Mas não um Rolls-Royce qualquer: exigiu um modelo fabricado em 1959, conversível. Uma bagatela de 1 milhão de dólares. Coisa pouca, considerando-se que, aos 37 anos, acumula uma fortuna de 320 milhões de dólares em sua conta bancária.

Em onze anos de carreira, Jay-Z vendeu cerca de 33 milhões de discos. E essa cifra deve crescer com a comercialização de seu recém-lançado álbum Kingdom Come, que estreou no primeiro lugar da parada americana. O CD quebrou um jejum de três anos. Em 2003, Jay-Z anunciou que se aposentaria como cantor. Entediado com a vida de rapper, achou que era tempo de curtir sua grana e se dedicar aos negócios. Inevitavelmente, especulou-se que voltou atrás porque não suportava ficar fora dos holofotes enquanto a namorada brilhava. Mas, a bem da verdade, cantar já não é mesmo uma prioridade para ele. Ao contrário de outros novos-ricos do rap, como 50 Cent, Jay-Z não é um sujeito que só sabe fazer cara de mau e entoar letras misóginas e de apologia da violência. Por trás dessa imagem calculada, há um empresário bem-sucedido e um produtor talentoso. A gravadora Roc-A-Fella faturou 1 bilhão de dólares no ano passado. Jay-Z também assumiu recentemente o cargo de executivo da Def Jam, um dos principais selos de rap. Como produtor, seu melhor cartão de visitas são os dois discos-solo de Beyoncé, que estão entre os trabalhos mais refinados da música negra nos últimos anos.

A ascensão social dos artistas de rap gerou a expressão "ghetto fabulous", usada para resumir o estilo de vida assumidamente deslumbrado de um pessoal que começou com muito pouco e se viu nadando literalmente em dinheiro. São cantores que conquistaram fama e fortuna à custa de letras sobre as agruras da "periferia", e continuam a bater nessa tecla mesmo depois que o sucesso os leva a viver num circuito badalado. Embora adepto dos mesmos carrões, diamantes e casacos de pele, Jay-Z acrescentou um verniz a mais. Entre suas companhias freqüentes estão Bono, vocalista do U2, que costuma hospedá-lo na Irlanda, e Chris Martin, cantor do Coldplay. Recentemente, Jay-Z aproximou-se até de um arquiteto do calibre de Frank Gehry, celebrizado como autor do projeto do Museu Guggenheim de Bilbao. O motivo da estranha ligação? Gehry está projetando a nova sede do New York Jets, time de basquete do qual Jay-Z é um dos donos. A construção faz parte de um projeto de 2,5 bilhões de dólares para revitalizar o bairro onde ele cresceu, no Brooklyn – numa época em que ainda ostentava seu comportado nome de batismo, Shawn Corey Carter. Pois é, como outros rappers, antes de virar fera ele tinha nome de mauricinho.

 

O fenômeno Jay-Z

320 MILHÕES DE DÓLARES
É o tamanho de sua conta bancária  

1 BILHÃO DE DÓLARES
Foi o faturamento de sua produtora, a Roc-A-Fella, no ano passado  

2 MILHÕES DE CÓPIAS
Foi a vendagem nos Estados Unidos de seu último disco, Kingdom Come, lançado em novembro  

1 MILHÃO DE DÓLARES
Foi quanto o rapper desembolsou para presentear sua namorada, a cantora Beyoncé Knowles, com um Rolls-Royce conversível

 
 
 
 
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