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Livros
A
confissão, enfim
Revelado trecho do livro
em
que O.J. Simpson
relata como
matou a ex-mulher
Imagine se um sujeito que todos têm certeza
de que é assassino, mas foi absolvido por falta de provas
conclusivas, escrevesse um livro de memórias em que narra
em detalhes seus crimes. Pior: uma das vítimas é a
mãe de dois de seus filhos, que serão mais uma vez
expostos às seqüelas da horrível tragédia.
Pois foi exatamente o que aconteceu com ex-jogador de futebol americano
O.J. Simpson, envolvido num dos casos mais enrolados e sórdidos
da história dos livros confessionais. O.J. escreveu
um livro, na verdade um não-livro, pois sua publicação
foi suspensa, relatando de forma "hipotética" como matou
a facadas a ex-mulher, Nicole Brown, e um amigo dela, Ron Goldman.
Na semana passada, a revista Newsweek obteve um dos capítulos
com os detalhes do crime célebre. Ele vivia rondando a casa
dela, atormentado por ciúme patológico. Na noite fatídica
de junho de 1994, chegou de carro, vestiu luvas de golfe e, faca
à mão, entrou na casa. Goldman estava lá para
devolver uns copos usados num jantar oferecido pela mãe de
Nicole à filha do casal no restaurante onde ele trabalhava
como garçom. O.J. acusou a ex de planejar uma noitada com
ele, suspeita que considerou confirmada quando o cachorrinho dela
entrou na sala, abanando o rabo para Goldman. "Você esteve
aqui outras vezes", explodiu. Seguiu-se um bate-boca e "algo terrível
aconteceu depois disso" a expressão usada para pular
o pedaço em que corta a garganta da ex-mulher até
quase arrancar a cabeça fora e cobre Goldman de facadas.
Para quem acompanhou o julgamento, uma curiosidade: a polícia
nunca descobriu a arma nem as roupas usadas naquela noite porque
O.J., segundo o próprio relato, ficou completamente nu e
jogou tudo fora.
Em novembro, a publicação de
If I Did It (Se Tivesse Sido Eu) foi cancelada às
pressas pela editora HarperCollins. Diante da reação
de revolta da opinião pública, o magnata Rupert Murdoch,
dono do conglomerado do qual a editora faz parte, pediu desculpas
pessoalmente. A editora destruiu 400.000 exemplares do livro, mas
a parte mais suculenta acabou aflorando agora. Como se sabe, O.J.
foi absolvido no processo criminal em 1995. Somente mais tarde foi
condenado, em instância civil, a pagar uma indenização
de 33,5 milhões de dólares às famílias
das vítimas o que até hoje não ocorreu.
Ele não pode ser julgado novamente pelos crimes. Mas, se
ficar comprovado que embolsou quase 900.000 dólares pelo
livro, as famílias das vítimas têm o direito
de reivindicar seu quinhão na Justiça.
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