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Edição 1992 . 24 de janeiro de 2007

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A confissão, enfim

Revelado trecho do livro em
que O.J.
Simpson relata como
matou a ex-mulher

Imagine se um sujeito que todos têm certeza de que é assassino, mas foi absolvido por falta de provas conclusivas, escrevesse um livro de memórias em que narra em detalhes seus crimes. Pior: uma das vítimas é a mãe de dois de seus filhos, que serão mais uma vez expostos às seqüelas da horrível tragédia. Pois foi exatamente o que aconteceu com ex-jogador de futebol americano O.J. Simpson, envolvido num dos casos mais enrolados – e sórdidos – da história dos livros confessionais. O.J. escreveu um livro, na verdade um não-livro, pois sua publicação foi suspensa, relatando de forma "hipotética" como matou a facadas a ex-mulher, Nicole Brown, e um amigo dela, Ron Goldman. Na semana passada, a revista Newsweek obteve um dos capítulos com os detalhes do crime célebre. Ele vivia rondando a casa dela, atormentado por ciúme patológico. Na noite fatídica de junho de 1994, chegou de carro, vestiu luvas de golfe e, faca à mão, entrou na casa. Goldman estava lá para devolver uns copos usados num jantar oferecido pela mãe de Nicole à filha do casal no restaurante onde ele trabalhava como garçom. O.J. acusou a ex de planejar uma noitada com ele, suspeita que considerou confirmada quando o cachorrinho dela entrou na sala, abanando o rabo para Goldman. "Você esteve aqui outras vezes", explodiu. Seguiu-se um bate-boca e "algo terrível aconteceu depois disso" – a expressão usada para pular o pedaço em que corta a garganta da ex-mulher até quase arrancar a cabeça fora e cobre Goldman de facadas. Para quem acompanhou o julgamento, uma curiosidade: a polícia nunca descobriu a arma nem as roupas usadas naquela noite porque O.J., segundo o próprio relato, ficou completamente nu e jogou tudo fora.

Em novembro, a publicação de If I Did It (Se Tivesse Sido Eu) foi cancelada às pressas pela editora HarperCollins. Diante da reação de revolta da opinião pública, o magnata Rupert Murdoch, dono do conglomerado do qual a editora faz parte, pediu desculpas pessoalmente. A editora destruiu 400.000 exemplares do livro, mas a parte mais suculenta acabou aflorando agora. Como se sabe, O.J. foi absolvido no processo criminal em 1995. Somente mais tarde foi condenado, em instância civil, a pagar uma indenização de 33,5 milhões de dólares às famílias das vítimas – o que até hoje não ocorreu. Ele não pode ser julgado novamente pelos crimes. Mas, se ficar comprovado que embolsou quase 900.000 dólares pelo livro, as famílias das vítimas têm o direito de reivindicar seu quinhão na Justiça.

 
 
 
 
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