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Carta ao leitor O
marco civilizatório João
Laet/Agência O Dia/AE
 | | Lula,
na reunião do Mercosul: integrados mas diferentes |
Falta
um trecho para o Brasil chegar à estrada asfaltada que nos levará
sem solavancos ao desenvolvimento sustentado. Falta um ambiente de negócios
menos hostil à inovação, falta incentivo à produtividade
e, principalmente, falta um Estado com o mesmo manequim do PIB e que controle
sua fome insaciável por recursos. Mas não ocorre a ninguém
minimamente responsável no Brasil a idéia de retroceder um centímetro
do ponto a que se chegou até agora. Somos um país que vive um inédito
consenso em torno dos fundamentos da vida civilizada a democracia e a estabilidade
econômica, o progresso social pela melhoria dos padrões educacionais
e a integração aos fluxos globais de idéias e práticas
sociais e ambientais sadias. Por isso foi um choque
receber no Rio de Janeiro na semana passada, para uma reunião de cúpula
do Mercosul, chefes de Estado de países vizinhos como Venezuela, Bolívia
e Equador, onde as virtudes celebradas e cultivadas no Brasil estão sendo
demolidas. Uma reportagem da presente edição mostra que o presidente
brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, se viu cercado de caciques populistas
cuja irrelevância no contexto mundial só rivaliza com sua raivosa
rejeição aos consensos que o Brasil abraçou. Lula dirigiu-se
em especial ao venezuelano Hugo Chávez, cuja irresponsabilidade fiscal
e descaso com as riquezas petrolíferas de seu povo fazem dele o financiador
da vanguarda do atraso na região. O presidente brasileiro sinalizou com
a necessidade de avançar a integração regional mas traçou
os esboços de um marco civilizatório do qual não retrocederá
e que começa pela entrega da liderança do processo aos países
de economia maior, mais moderna e mais complexa ou seja, o Brasil e a Argentina.
Os esforços do Brasil estão sendo
recompensados. Pelo que mostram os indicadores recentes que medem o grau de risco
de investir nos países emergentes, o Brasil desgarrou seu perfil da geléia
geral da região. Como a chilena, a economia brasileira é vista pelo
mundo como produto de uma civilização distintamente melhor do que
a da América do Sul. Já era tempo. |