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Edição 1970 . 23 de agosto de 2006

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Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
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O Corte: uma comédia de humor negro sobre o desemprego


O Corte
(Le Couperet,
Bélgica/França/Espanha, 2005. Flashstar) – Bruno (José Garcia) é um homem prestes a explodir: demitido do posto de alto executivo de uma indústria de papel em razão de um corte para racionalização de custos, ele procura emprego em vão há dois anos e enfrenta uma crise familiar por causa disso. Desesperado, parte para uma solução extrema: assassinar o ocupante do cargo que almeja e todos os eventuais concorrentes à vaga. Diretor de tramas políticas de alta voltagem como Z (1968) e Estado de Sítio (1973), o grego Costa-Gavras faz aqui uma comédia de humor negro de primeira. Baseado no livro homônimo do americano Donald E. Westlake, O Corte é um retrato sarcástico – mas não de todo inverossímil – da competição no mundo corporativo.

The Dub Room Special, Frank Zappa (ST2) – Em seus shows, o guitarrista e compositor americano Frank Zappa (1940-1993) nunca usou o método "vamos tocar as músicas que fazem sucesso no rádio". Não apenas porque ele emplacava poucas músicas na parada, mas também porque preferia o inusitado. Zappa interrompia as canções para fazer "concursos" com seus instrumentistas e convidava personagens bizarros para subir ao palco. The Dub Room Special (que saiu há muitos anos em VHS) traz dois momentos especiais em sua carreira. Primeiro, uma apresentação de 1974, período em que Zappa flertou com o jazz rock. Em segundo lugar, um show de 1981, gravado na noite de Halloween e em que o guitarrista Steve Vai mostra todo o seu virtuosismo.

 

LIVROS

 

Ulf Andersen/Getty Images
Cunningham: obra centrada no poeta Walt Whitman  

Dias Exemplares, de Michael Cunningham (tradução de José Geraldo Couto; Companhia das Letras; 408 páginas; 53 reais) – Em seu romance anterior, As Horas, Cunningham uniu a história de três mulheres, cada uma em uma época diferente, tendo a literatura da modernista inglesa Virginia Woolf como fio condutor. Dias Exemplares segue uma fórmula parecida. O livro começa com a história de um menino operário no século XIX, segue nos dias de hoje com o drama de uma psicóloga que se envolve com um jovem terrorista e termina com uma narrativa de ficção científica, situada num mundo destruído pela poluição. Desta vez, o escritor que une as três histórias é Walt Whitman, o grande poeta da democracia americana, que de uma forma ou de outra inspira os diferentes personagens. Leia trecho.

 

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Guimarães Rosa: novelas reeditadas  

Corpo de Baile, de Guimarães Rosa (Nova Fronteira; 829 páginas; 80 reais) – O mineiro Guimarães Rosa (1908-1967) estreou na ficção com os contos de Sagarana, em 1946. Perfeccionista, levaria dez anos para publicar outro livro. As obras que ele lançou em 1956, porém, transformaram o sertão mineiro numa paisagem mítica da literatura brasileira: o romance Grande Sertão: Veredas e Corpo de Baile, uma monumental coleção de sete novelas. Por sugestão de um editor português, o autor mais tarde desmembrou Corpo de Baile em três livros independentes. A presente edição, comemorativa dos cinqüenta anos, reconstitui a disposição original das novelas, numa caixa com dois volumes. Um encarte especial traz um histórico da primeira edição, com cartas inéditas do autor. Leia trecho.

A Democracia Ameaçada, de Denis Lerrer Rosenfield (Topbooks/Instituto Tancredo Neves; 384 páginas; 45 reais) – Filósofo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Rosenfield é um dos mais argutos críticos da esquerda brasileira. Nesse livro, ele faz uma análise rigorosa da ideologia e das ações do Movimento dos Sem-Terra – o autor examina até os hinos cantados pelos sem-terra. A conclusão de Rosenfield é devastadora: o MST conquista a simpatia de setores da sociedade apresentando-se como um "movimento social" que pede justiça para os mais pobres. Na verdade, não é nada disso: trata-se de uma seita revolucionária, que deseja desbancar a democracia para instalar um modelo marxista de sociedade.

 

DISCO

The Complete 1957 Riverside Recordings, Thelonious Monk and John Coltrane (Universal) – Nos anos 50, o pianista Thelonious Monk (1917-1982) e o saxofonista John Coltrane (1926-1967) criaram uma curta, mas produtiva, parceria. Esse CD duplo registra todas as sessões de gravação dos músicos. Ele mostra como Monk e Coltrane lapidavam cada canção até chegar à versão definitiva. "Monk trabalha com o afinco de um arquiteto", declarou Coltrane à revista americana de jazz Downbeat. Um bom exemplo do método do pianista é Crepuscule with Nellie, que aparece em cinco versões. O grupo de apoio ainda inclui Coleman Hawkins (1904-1969), outro saxofonista de primeira linha. O duelo entre ele e Coltrane em Ruby, My Dear é memorável.

 

OS MAIS VENDIDOS – CRÍTICA

Depois do sucesso de Dan Brown, todos os editores do mundo estão em busca do "próximo O Código Da Vinci". O Último Templário (tradução de Vera de Paula Assis; Ediouro; 478 páginas; 49,90 reais), de Raymond Khoury, é mais uma tentativa de parasitar o Código. A fórmula está toda lá: crime em um museu, conspiração da Igreja, detalhes históricos duvidosos. O diferencial está na violência. O livro começa em uma batalha no tempo das Cruzadas, com muito sangue e membros decepados. Corte rápido para Nova York, hoje, onde um assalto ao Museu Metropolitan, conduzido por quatro cavaleiros medievais (!), também inclui a decapitação de um guarda com um golpe de espada. Libanês radicado em Londres, Khoury trabalha como roteirista de cinema e televisão. Seu romance é uma sucessão de clichês cinematográficos. Tem até o enfrentamento final entre bandido e mocinho na beira do penhasco. Precisa dizer quem cai no abismo?

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Khoury: cavaleiros medievais em Nova York  

Jerônimo Teixeira

 

 

Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Fnac; Rio: Saraiva, Laselva, Sodiler, Travessa, Argumento; Porto Alegre: Saraiva, Cultura; Brasília: Sodiler, Saraiva, Leitura; Recife: Sodiler, Saraiva, Cultura; Florianópolis: Livrarias Catarinense; Goiânia: Saraiva, Leitura; Fortaleza: Laselva; Curitiba: Saraiva, Livrarias Curitiba; Londrina: Livrarias Porto; Belo Horizonte: Leitura; Maceió: Sodiler; Belém: Clio; Natal: Sodiler; Vitória: Leitura; internet: Cultura, Laselva, Leitura, Saraiva, Fnac, Sodiler, Submarino.

 
 
 
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