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Edição 1970 . 23 de agosto de 2006

Índice
Millôr
Lya Luft
Diogo Mainardi
André Petry
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Datas
Gente
Auto-retrato
Veja.com
Veja essa
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
 
 

Cartas

 
"O estranho é que essa gente excluída decide a eleição, mas não encontra ninguém que lhe abra o caminho para a plena cidadania."
Renzo Sansoni
Uberlândia, MG

 

NESTA EDIÇÃO
Direito de resposta

 

Nordeste

Louváveis as considerações de VEJA sobre o Nordeste brasileiro, na perspectiva de que essa região tão sofrida deixe de ser apenas um curral eleitoral barato dos grandes políticos para se converter numa zona de desenvolvimento humano sustentável, acima de tudo. Obrigado pela iniciativa e que vocês estejam sempre dispostos a exercer com seriedade um dever sagrado da imprensa: o aperfeiçoamento da sociedade por meio da informação imparcial, responsável e produtiva ("Ela pode decidir a eleição", 16 de agosto).
Caio Jataí Capistrano
Quixadá, CE  

VEJA expôs de maneira sucinta e clara a vergonhosa situação da população nordestina, comprada com esmolas. O senhor Lula da Silva deveria considerar as sábias palavras de seu conterrâneo, o grande Luiz Gonzaga, que em 1953 já clamava: "Mas doutor uma esmola / A um homem que é são / Ou lhe mata de vergonha / Ou vicia o cidadão" (Vozes da Seca, de Zé Dantas e Luiz Gonzaga, 1953).
Márcia Helena de Lima
São Paulo, SP  

Tem muita gente, principalmente no Nordeste, que ainda não sabe o que é mensalão e não conhece o candidato Alckmin. É por aí que Lula vai. Ele aposta na ignorância popular. Bastaria o mensalão para a oposição pedir o impeachment dele e não pediu. O resultado está aí.
Jonas Silva Ethel
Olinda, PE  

Lamentavelmente, com a expansão do Bolsa Família, Lula conseguiu fortalecer o "ócio remunerado" e a proliferação da "esmola oficial". Coitado do bravo povo nordestino!
Jaime de Moura Ferreira
Lauro de Freitas, BA  

VEJA tem feito tudo o que é possível para mostrar o que está sendo o governo Lula. Infelizmente há ainda muita gente que não consegue ver nada. E assim teremos de engolir esse engodo por mais quatro anos. Mulheres do Nordeste, votem no "bom Lula". Sua casa de taipa, com chão de terra batida e paredes encardidas, continuará exatamente da mesma maneira que está agora.
Maria Lúcia Benevides da Silva
Natal, RN  

VEJA deu de presente ao futuro presidente a solução para tirar o país da lama. Temos de eleger alguém no mínimo alfabetizado, que possa ler VEJA e descobrir como este país ainda tem chance!
Stone Sam Nogueira do Nascimento
Natal, RN

 

Eleições

Em entrevista ao Jornal Nacional na semana passada, nosso presidente atestou mais uma vez que o assunto corrupção em seu governo em nada o atinge. Apostou, e com razão, na ignorância política da maioria do povo brasileiro, que desconhece o real sentido das palavras ética e dignidade ("Não diga, presidente!", 16 de agosto)!
Lélia Moscato Ziquinatti
Santiago, RS  

As perguntas de William Bonner e Fátima Bernardes foram realmente incisivas e funcionaram como um autêntico detetor de mentiras. Há tempos não se via o presidente tão inseguro, desnorteado, despido de seu poder de dissimulação e irremediavelmente perdido no labirinto de suas contradições.
Vítor Menezes
Boa Esperança, MG  

Sucintamente, como psicóloga da linha freudiana, aconselho todo mundo a prestar muita atenção aos atos falhos do senhor presidente da República. Devemos nos lembrar sempre de que "seu governo faz o combate à ética" e, durante seu governo, "só o salário caiu". Isso para ficarmos restritos ao publicado nessa matéria de VEJA.
Berenice de Lara
São Paulo, SP  

É natural que o candidato Lula tenha se queixado da cadeira que usou durante a entrevista concedida ao "casal global" na última quinta-feira. Observa-se na foto ilustrativa da matéria que a utilização de uma almofada, discretamente forrada com tecido semelhante ao das excelentes cadeiras destinadas aos três, além de alterar a ergonomia da peça, provocando o desconforto alegado pelo entrevistado, não lhe conferiu estatura suficiente para convencer a assistência.
Marcio Paixão Franco da Cruz
Rio de Janeiro, RJ

 

Terrorismo

A polícia inglesa há muito tempo é rigorosa com a entrada de turistas em seu país, e a cada ano o cerco se fecha mais. Ainda em 1990, na principal porta de entrada marítima da Inglaterra, o Porto de Dover, meu marido e eu presenciamos esse rigor. A polícia fez descer de nosso ônibus de excursão dois homens e uma mulher. Eles foram submetidos a interrogatório, tiveram toda a bagagem revirada e foram revistados e radiografados simplesmente por serem colombianos. Eram simples turistas, como ficou provado depois, mas a suspeita era que poderiam ser traficantes de drogas. Foram liberados. Já em nossa última viagem, em 2003, pós o 11 de Setembro, todos tivemos a bagagem revistada (inclusive a de mão) e respondemos a muitas perguntas para poder visitar o país. Algumas pessoas de nosso grupo não tiveram esse privilégio e o visto de turismo foi negado sem maiores explicações. Sinal dos tempos ("A bomba líquida do terror", 16 de agosto).
Elexina Neri de Medeiros D'Angelo
São Bernardo do Campo, SP  

Foi-se o tempo em que fazer uma viagem de avião era prazeroso, bacana, praticamente uma parte da diversão da viagem de férias. Ao ler a reportagem pude confirmar aquela sensação de alerta de funcionários e passageiros que senti tanto no aeroporto de Miami quanto no de Orlando. Cheguei dos EUA há pouco mais de uma semana e vivi nos dois aeroportos a árdua tarefa que é viajar de avião em tempos de ameaças terroristas. Passei por situações simplesmente humilhantes, desde tirar o sapato até ser revistada fisicamente por uma policial como se eu fosse uma criminosa.
Isadora Marina Carvalho e Callegaro
São Paulo, SP

 

Carlos Henrique de Brito Cruz

Parabéns pela excelente entrevista com o professor Carlos Henrique de Brito Cruz (Amarelas, 16 de agosto). Além de ser um ótimo cientista, certamente o professor Brito Cruz é um dos mais lúcidos gestores de pesquisa do país. Desejo ressaltar que nas últimas décadas o Brasil ampliou, de maneira significativa, a pesquisa científica de boa qualidade, mas não soubemos até o momento como aplicar grande parte desse conhecimento no desenvolvimento do país e, conseqüentemente, na melhoria da qualidade de vida da população. Apesar de hoje podermos nos orgulhar de que somos responsáveis por cerca de 1,8% dos artigos científicos publicados em periódicos internacionais indexados anualmente, nossa participação, por enquanto, em patentes internacionais é irrisória (menos que 0,1%). Temos, portanto, uma tarefa difícil e premente, e o professor Brito Cruz apresentou um caminho importante para transformar o conhecimento em desenvolvimento econômico e social.
Vahan Agopyan

Professor titular da Escola Politécnica da USP
Diretor-presidente do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT)
São Paulo, SP

 

Crescimento brasileiro

Ter tantas possibilidades e oportunidades e mesmo assim só conseguir produzir problemas é uma façanha que dificilmente outro país, que não o Brasil, conseguiria. Não é sem razão que a revista VEJA solicitou a sete ganhadores de Prêmio Nobel possíveis explicações para esse fenômeno ("Por que o Brasil não cresce como a China e a Índia?", 16 de agosto). Afinal, é como ter uma seleção com os melhores jogadores do mundo e ainda assim ser um fiasco na Copa. Curioso ainda é que a maioria dos brasileiros fica mais indignada com a última situação que com a primeira.
Marcus de Medeiros Matsushita
Marília, SP  

Elucidativos os depoimentos dos sete nobéis de Economia. Todos eles apontaram problemas veementes no país. Torço, e muito, para que as autoridades competentes também os leiam, reflitam e comecem a tomar atitudes concretas para as tão imprescindíveis reformas de que o Brasil tanto precisa.
Juliana Pisetta de Oliveira

Foz do Iguaçu, PR  

Os nobéis foram quase unânimes ao indicar como nossos principais obstáculos a burocracia e a grande carga tributária (incidem em cascata, diminuindo a concorrência no mercado externo). Porém, eles se esqueceram do problema endêmico que assola o país em tempos de mensalão e sanguessugas: o grande número de corruptos presentes na esfera governamental.
João Donizetti de Oliveira
Alfenas, MG

 

Medicamentos

Com relação à nota "Anvisa na UTI" (Radar, 9 de agosto), esclareço que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já havia identificado o problema referente ao registro de informações de produtos importados em nosso banco de dados, o qual tem ocasionado atraso na entrada de alguns itens ligados à saúde no país. Visando à solução do problema, a agência vem realizando reuniões com os representantes do setor farmacêutico e colocou para apreciação da sociedade, por meio da Consulta Pública nº 42, de 26 de julho, uma proposta de regulamentação que vai garantir maior agilidade ao trabalho de fiscalização em nossos portos, aeroportos e fronteiras. Assim, provoca-nos estranheza o fato de que, justamente no momento em que estamos próximos de dar fim às causas do problema apontado, o mesmo tenha sido motivo de reclamação por parte de nossos parceiros na busca de solução.
Paulo Ricardo Santos Nunes
Adjunto de diretor da Anvisa
Brasília, DF

 

Oriente Médio

O artigo "Por que não param" (26 de julho) cita a Síria como sendo um país pobre, que seria totalmente irrelevante nas questões internacionais não fosse seu poder de influência no Líbano. A Síria não é um país pobre, mas um dos mais ricos do mundo árabe, principalmente pelo fato de estar livre dos fardos da dívida externa. Sua presença no Líbano atendeu a um pedido oficial do governo libanês, a fim de cessar a guerra civil. A Síria é uma nação de vital importância na região, de acordo com o reconhecimento de todas as potências mundiais, encabeçadas pelos EUA. Ela é governada por um partido político, o Baath Árabe Socialista, que comanda uma frente progressista formada por oito partidos. Temos um sistema eleitoral democrático, conhecido por todos. O Exército israelense se retirou de uma grande parte dos territórios ocupados no sul do Líbano, porém restam algumas áreas, como as Fazendas de Shabaa e as Colinas de Kafer Chuba. Essa ocupação, além da questão dos prisioneiros libaneses, justifica, plenamente, a continuação da resistência nacional no sul do Líbano. Em relação à suspeita de que o presidente Bashar Al-Assad seja o mandante do assassinato do ex-primeiro-ministro do Líbano Rafik Hariri, gostaria de esclarecer que os trabalhos de investigação continuam, e o juiz Datlev Mehlis, o primeiro a presidir a comissão da ONU, conduziu os trabalhos de forma política, atendendo às vontades da administração americana. Porém, o atual presidente da comissão de investigação, o belga Serge Brammertz, conduz os trabalhos com mais profissionalismo. A Síria por diversas vezes se prontificou a colaborar em tudo o que for possível, pois tem interesse em que a verdade seja esclarecida.
Doutor Ali Diab
Embaixador da Síria
Brasília, DF

 

Parlamentares investigados

Com relação à reportagem "Museu vivo do código penal" (12 de julho), em que a legenda "crime contra a ordem tributária" aparece logo abaixo da minha foto, gostaria que fosse dada publicidade à decisão do Ministério Público Federal pelo arquivamento do inquérito nº 2309-4/140, contra a Empresa Cipa, da qual faço parte e que é objeto da citação feita pela revista VEJA. Para não restarem dúvidas, transcrevo a seguir o parecer da subprocuradora-geral da República, Cláudia Sampaio Marques, com o "aprovo" do procurador-geral da República, Antônio Fernando Barros e Silva de Souza: "A ausência de elementos investigatórios que evidenciem a prática, pela empresa investigada, de qualquer das condutas incriminadas nos tipos penais acima mencionados conduz ao arquivamento das peças de informação".
Deputado Sandro Mabel
Brasília, DF

 

Claudio de Moura Castro

A "vingança de Fred" é minha "vingança particular". Numa época em que o ensino da administração tem sido crescentemente influenciado por "livros de auto-ajuda", seria importante para os detratores de Taylor e administradores de modismos gerenciais conhecer Princípios de Administração Científica. Essa obra importante de Taylor é prática, eficiente, produtiva. Claudio de Moura Castro foi preciso ("A vingança de Fred", Ponto de vista, 16 de agosto).
Leilson de Souza Lyra
Campos dos Goytacazes, RJ

 

Diogo Mainardi

Quando acho que ele não tem mais nada para comentar, eis que surge "Fidel é brasileiro" (16 de agosto). No início de sua participação em VEJA, eu não me interessei muito por suas crônicas, mas, ao longo do tempo, percebi sua lucidez, profundidade e coragem (quase única) de expor seus pensamentos baseados em fatos reais e, acredito, incontestáveis. Os relatos, as ponderações e as análises expondo alguns mitos da mídia ("colegas" jornalistas) e da política simplesmente são corrosivos e me chocam pela clareza e objetividade. Parabéns por nos brindar semanalmente com momentos inesquecíveis.
Sergio Risaliti
Campinas, SP

 

Rondônia

O deputado mensaleiro Paulo Delgado (PT-MG), cujo assessor Raimundo Vieira Júnior sacou 100.000 reais das contas de Marcos Valério no Banco Rural, cometeu uma terrível injustiça – própria dos prepotentes retóricos – para com os setores produtivos de Rondônia, atingindo por conseqüência toda a sua população, ao afirmar sem base em estudo algum, na reportagem "A máfia de Rondônia" (16 de agosto), que por aqui "não há carteira assinada. Só contracheque do serviço público. É uma União Soviética na Amazônia". Diferentemente do que afirmou o nobre parlamentar sociólogo, Rondônia possui 3.797 indústrias cadastradas na Federação das Indústrias de Rondônia, gerando 133.961 empregos regulares com carteira assinada, dos quais mais de 30 000 só na indústria, 41 000 no comércio e em serviços, além de milhares de postos de trabalho em atividades de mineração, na agropecuária e na agroindústria.
Valbran Junior
Assessor de comunicação social da Federação das Indústrias de Rondônia (Fiero)
Porto Velho, RO

 

Livros

VEJA fez muito bem em divulgar e comentar o livro de Ali Kamel ("Contra o mito da 'nação bicolor'", 16 de agosto). A política racial no Brasil é mais que regressiva, e acabará por instituir a verdadeira discriminação ao cabo de um tempo, em vez dos benefícios pretendidos. Tudo a começar pela base: "raça" não existe, é um conceito cientificamente errado, geneticamente inexistente e politicamente mais que incorreto. Essa é a modernidade que leva ao passado, e não é máquina do tempo.
Celio Levyman
São Paulo, SP

 

 

ANTONIO RIBEIRO DE XANGAI

A reportagem de VEJA e o "nosso" Antonio Ribeiro

Assinante da revista VEJA digital, o brasileiro Antonio Ribeiro está em Xangai, na China, há quase sete anos. Ele leu a reportagem especial feita naquele país e escreveu: "VEJA captou muito bem tudo o que tem acontecido aqui. Posso dizer que vi essa extraordinária mudança, tive de me acostumar a um ritmo totalmente diferente daquele do Brasil. O que não falta são mão-de-obra e gente querendo fazer tudo o mais rápido possível". Ele notou também a presença de seu xará, o correspondente de VEJA em Paris, Antonio Ribeiro, na equipe da revista: "Gostaria de tê-lo conhecido". O leitor Antonio Ribeiro conta que seu nome ganhou uma tradução oficial do governo chinês: Rui An. "Nosso nome é muito considerado aqui, quer dizer sorte e tranqüilidade", escreveu numa mensagem para o correspondente de VEJA.



A GRANDE MURALHA DE ÁGUA

O leitor Haydn Plínio Fonseca, de Minas Gerais, aproveitou o especial sobre a China, publicado na edição de 9 de agosto, para destacar um fato relevante nesse país do Sudeste Asiático: a construção da maior hidrelétrica do mundo. "A revista poderia ter inserido na matéria imagens e dados sobre a hidrelétrica de Três Gargantas, que, segundo informações, devido a sua grandeza, também pode ser vista do espaço, assim como a Grande Muralha", diz Fonseca. Embora já esteja operando, o complexo, com 185 metros de altura e 2,3 quilômetros de extensão, deverá ser concluído em 2008. Construída no Rio Yang-tsé, a usina terá capacidade para gerar 50% mais energia que Itaipu, antes a líder do ranking mundial em capacidade operacional.



IDADE DECLARADA X IDADE CIVIL DE GILMARA

Gilmara: o pai errou na data do registro de nascimento

Setenta e quatro leitores escreveram para a redação apontando a discrepância entre a data de nascimento exibida no título de eleitor e a idade declarada de Gilmara dos Santos Cerqueira, personagem que ilustrou a capa da edição da semana passada. Afinal, Gilmara tem 30 anos, como mostra o documento, ou 27, como diz a reportagem? Gilmara, sua mãe e seu empregador reafirmaram a VEJA na semana passada que ela tem mesmo 27 anos e que nasceu no dia 25 de dezembro de 1978, e não no dia 1º de dezembro de 1975. Maria Angélica, a mãe, contou que o pai, no momento do registro, feito tardiamente, errou o ano e o dia do nascimento da filha. "Ele registrou tudo errado." VEJA também errou. A discrepância entre a idade declarada da personagem e sua idade civil registrada no título eleitoral deveria ter chamado a atenção dos editores ou sido flagrada pela equipe de checagem de fatos. O erro felizmente não comprometeu a adequação de Gilmara como símbolo do eleitor decisivo (mulheres nordestinas de 16 a 44 anos) que a reportagem se propôs a relatar.

 
 
 
 
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