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Edição 1970 . 23 de agosto de 2006

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Carta ao leitor
O efeito limpante do voto

 

Marco Aurélio Mello, do TSE, em pronunciamento na TV: "Quem não obedece à lei não merece voto"

Nos programas do horário eleitoral gratuito, veiculados na televisão e no rádio desde a semana passada, a história anda a repetir-se como farsa. Uma reportagem desta edição de VEJA mostra que mensaleiros e sanguessugas, cuja atividade mais conspícua nos últimos quatro anos foi aproveitar-se de sua condição de parlamentares para roubar dinheiro público, agora voltam a pedir votos, clamando por uma segunda chance sob os mais variados disfarces. Diante de tal espetáculo, a reação natural costuma ser a de maldizer a democracia – afinal de contas, como pode ser bom um regime que permite que esses tipos tenham sido eleitos e agora ainda tenham a oportunidade de ser reeleitos? A revolta é compreensível, mas é preciso enfatizar que a democracia é uma conquista preciosa, porque se trata do único regime em que o cidadão tem o poder de limpar o governo tanto dos ladrões quanto dos incompetentes. Basta apertar as teclas da urna eletrônica com consciência. As pizzas promovidas no Congresso no último ano, que permitiram a deputados meliantes continuar em suas cadeiras, demonstraram que é mais fácil impedir um malfeitor de chegar a um cargo eletivo do que destituí-lo do mandato uma vez revelada a sua índole.

Um dia antes do início do horário eleitoral, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Marco Aurélio Mello, fez em cadeia nacional um chamamento à responsabilidade no momento de votar. O ministro brilhou pela objetividade e pelo didatismo: "É hora de prestar atenção no que dizem e como se comportam, no que fizeram no passado e, principalmente, de saber se essas pessoas são de fato pessoas corretas e cumpridoras dos deveres. Quem não obedece à lei não merece respeito e muito menos o seu voto". Mello completou: "Olhemos a vida profissional dos candidatos, analisando tudo com muito cuidado, não nos deixando enganar". Essa receita, se praticada pela maioria dos eleitores em todas as eleições, faria do voto a mais poderosa máquina de limpeza do Legislativo e do Executivo. Eis a força da democracia: além de permitir que os eleitores escolham seus governantes, também lhes dá a possibilidade de removê-los.

 
 
 
 
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