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Carta ao leitor O
efeito limpante do voto  |
Marco Aurélio Mello, do TSE, em pronunciamento
na TV: "Quem não obedece à lei não merece voto" |
Nos programas do horário eleitoral gratuito, veiculados
na televisão e no rádio desde a semana passada, a história
anda a repetir-se como farsa. Uma reportagem desta edição de VEJA
mostra que mensaleiros e sanguessugas, cuja atividade mais conspícua nos
últimos quatro anos foi aproveitar-se de sua condição de
parlamentares para roubar dinheiro público, agora voltam a pedir votos,
clamando por uma segunda chance sob os mais variados disfarces. Diante de tal
espetáculo, a reação natural costuma ser a de maldizer a
democracia afinal de contas, como pode ser bom um regime que permite que
esses tipos tenham sido eleitos e agora ainda tenham a oportunidade de ser reeleitos?
A revolta é compreensível, mas é preciso enfatizar que a
democracia é uma conquista preciosa, porque se trata do único regime
em que o cidadão tem o poder de limpar o governo tanto dos ladrões
quanto dos incompetentes. Basta apertar as teclas da urna eletrônica com
consciência. As pizzas promovidas no Congresso no último ano, que
permitiram a deputados meliantes continuar em suas cadeiras, demonstraram que
é mais fácil impedir um malfeitor de chegar a um cargo eletivo do
que destituí-lo do mandato uma vez revelada a sua índole.
Um dia antes do início do horário eleitoral, o presidente do Tribunal
Superior Eleitoral, Marco Aurélio Mello, fez em cadeia nacional um chamamento
à responsabilidade no momento de votar. O ministro brilhou pela objetividade
e pelo didatismo: "É hora de prestar atenção no que dizem
e como se comportam, no que fizeram no passado e, principalmente, de saber se
essas pessoas são de fato pessoas corretas e cumpridoras dos deveres. Quem
não obedece à lei não merece respeito e muito menos o seu
voto". Mello completou: "Olhemos a vida profissional dos candidatos, analisando
tudo com muito cuidado, não nos deixando enganar". Essa receita, se praticada
pela maioria dos eleitores em todas as eleições, faria do voto a
mais poderosa máquina de limpeza do Legislativo e do Executivo. Eis a força
da democracia: além de permitir que os eleitores escolham seus governantes,
também lhes dá a possibilidade de removê-los. |