Estágio
encantado
Trinta
mil brasileiros disputam vagas
de
trabalho temporário nos parques da Disney
Maurício
Oliveira
Milton Shirata
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A estudante paulista Fabíola Di Reda, 21 anos, faz parte
de um grupo especial de jovens brasileiros que não estiveram
na Disney para se divertir. Durante três meses, ela trabalhou
duro no Blizzard Beach, um dos sete parques do complexo de diversões
localizado na Flórida, nos Estados Unidos. Uma de suas principais
tarefas era ajudar na recepção dos visitantes, o que
a obrigava a ficar o tempo todo em pé, debaixo de um sol
escaldante de 40 graus. Quando não estava envolvida com esse
serviço, postava-se na entrada dos tobogãs, organizando
filas e colocando bóias no pescoço de crianças
indóceis. Apesar da trabalheira, a experiência deixou
ótimas lembranças. No período em que esteve
no exterior, ela pôde aperfeiçoar o inglês, fazer
amigos de várias nacionalidades e passear muito nos momentos
de folga, graças aos 4.000 dólares
que recebeu durante o estágio no parque. "Foram as melhores
férias da minha vida", conta Fabíola.
Fotos arquivo pessoal
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Fotos arquivo pessoal
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Thiago
(ao fundo): resolvendo saias-justas dos brasileiros
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Fabíola
(à dir.): recepção debaixo
de sol escaldante |
Desde
1997 a Disney busca estagiários brasileiros para reforçar
sua equipe. Cerca de 2.000 já
foram contratados durante esse período. Nas últimas
semanas, os representantes da companhia fizeram uma nova rodada
de seleção em São Paulo, Curitiba e Gramado.
Neste domingo, 20, vão terminar os trabalhos em Belo Horizonte.
O próximo recrutamento deverá ocorrer em fevereiro
de 2001, em outras cidades. Do ponto de vista financeiro, diga-se
desde já, não é um grande negócio. O
eleito recebe nos três meses de estágio um total de
3.600 dólares. A quantia pode
ser engordada com algumas horas extras, mas raramente ultrapassa
a casa dos 4.000 dólares. Quase
todo esse dinheiro acaba sendo usado para custear a própria
estada, uma vez que o parque não se responsabiliza por despesas
com visto, passagens, seguro-saúde, alimentação
e hospedagem.
Arquivo pessoal
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| Tatiana
Cruz: duas estadas no
All-Star Music Resort |
A rotina que aguarda os jovens é tão dura quanto a
de Cinderela no castelo da madrasta. Ela inclui serviço nas
lanchonetes, venda de suvenires e até mesmo a limpeza de
banheiros. Os candidatos entram na onda pela aventura de trabalhar
na Disney e porque é uma das únicas maneiras de estender
a permanência no exterior sem depender da ajuda financeira
dos pais. O estágio pode abrir portas para uma contratação
definitiva no próprio parque de diversões. Essa experiência
tem sido tão bem-sucedida que 700 estagiários brasileiros
estão sendo contratados neste ano. É o recorde desde
que o recrutamento começou a ser feito no país. "Quando
pergunto o motivo do interesse do candidato, quase todo mundo responde
que é a realização de um sonho", conta Juliano
Garcia, responsável pela seleção no Brasil.
Cerca
de 30.000 jovens brasileiros entraram
na disputa por um estágio neste ano. Além do inglês
fluente, exige-se que os candidatos tenham entre 18 e 25 anos. Para
que não haja procura ainda maior, a Disney não faz
alarde nos períodos de seleção. Organiza palestras
nas melhores faculdades de turismo e hotelaria do país e
lá mesmo recolhe as fichas de inscrição dos
interessados. O estágio de três meses é o primeiro
passo para quem pretende seguir carreira nos parques. A empresa
impõe normas rígidas de conduta (beber ou comer durante
o serviço é crime punido com expulsão imediata,
por exemplo). Quem se comporta tem boa chance de ser convidado para
um novo estágio. E, no futuro, pode concorrer à contratação
definitiva em vagas melhores, como a de tripulante de cruzeiros
proeza que até agora só foi alcançada
por quinze brasileiros.
Para
a Disney é ótimo negócio, pois os parques resolvem
assim um de seus principais problemas: "domesticar" os 200.000
brasileiros que os visitam anualmente. A turba se distingue dos
turistas de outras nacionalidades por sua capacidade de se meter
em confusões. Desrespeitam horários de silêncio
nos hotéis, furam fila e vez ou outra são flagrados
furtando suvenires das lojas. Para complicar ainda mais, raríssimos
falam inglês. "Cansei de servir de intérprete para
brasileiros envolvidos em alguma situação de conflito",
conta Thiago Lopes, 24 anos, que já estagiou no Epcot Center
e no Magic Kingdom. "Os parques entram em pânico quando os
brasileiros começam a chegar", acrescenta Tatiana Cruz, 24
anos, outra "veterana", com duas passagens pelo All-Star Music Resort,
um dos hotéis temáticos da Disney.
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