Receita caipira
Produtores
descobrem que divulgando a caipirinha
aumentam a exportação de cachaça
Carlos
Prieto
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| Tonel
de pinga em museu no Ceará: o maior do mundo
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O
Brasil tem quase 500 anos de alambiques. E há pingas de boa
qualidade feitas no país, envelhecidas por até seis
anos em barris de carvalho, perfumadas, amareladas, adocicadas.
No entanto, as exportações da bebida são tímidas.
No mundo inteiro bebem-se a tequila mexicana, a vodca russa, a grappa
italiana. O destilado brasileiro ainda não foi descoberto
pelos estrangeiros. Agora, os produtores perceberam que, independentemente
da maior qualidade de certas cachaças, o que faz sucesso
lá fora é a caipirinha. Os alemães, que compram
um terço da cachaça exportada pelo Brasil, já
deram até um apelido carinhoso para o aperitivo: caip. Para
os amantes da purinha, pode parecer pecado, mas é misturando
limão, açúcar e gelo naquela aguardente muito
especial que a pinga tem chance de virar moda no mundo. O governo
e os produtores de cachaça já encomendaram uma pesquisa,
a um instituto inglês, acerca da receptividade à bebida
na Europa. Também pediram o reconhecimento internacional
de que a cachaça é produto brasileiro, e de ninguém
mais. E espalharão a receita da caipirinha aos quatro ventos.
Não
são providências incomuns. Os franceses têm o
champanhe e o conhaque, bebidas desenvolvidas em seu território
que foram registradas como marcas internacionais. Podem-se produzir
vinhos espumantes e destilados de uva em qualquer parte do mundo,
mas os franceses protestam sempre que no rótulo as bebidas
são identificadas como champanhe ou conhaque. Mexicanos espalham
tequila por bares de todo o planeta, que fazem marguerita, drinque
que está na crista da onda. Os brasileiros sempre perderam
boas oportunidades de negócio no ramo alcoólico por
não esfregar a barriga no balcão internacional com
empenho. É aí que entram os fabricantes de cachaça.
Eles convenceram a Agência de Promoção de Exportações,
ligada ao Sebrae e que trabalha com Ministério das Relações
Exteriores, a promover seu produto. "Não há por que
não dar certo. Uma boa cachaça é como um bom
uísque", diz Everardo Telles, cuja família produz
a caninha Ypióca, no Ceará, desde 1846. Bem...
Sem
muito esforço, a exportação de aguardente aumentou
20% no primeiro semestre deste ano. Se a caipirinha virar moda,
a coisa pode acelerar. E o Brasil passará a ser conhecido
como o país do Carnaval e da cachaça. Um alento nestes
tempos em que o futebol anda em baixa.
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