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Um luxo. Mas violento

Carros de guerra ganham as ruas com
o máximo em conforto e segurança

Bia Barbosa

 
Divulgação/AM General

Hummer: GM cria três versões para uso civil

Quem se lembra daqueles jipões que singravam as dunas do deserto durante a Guerra do Golfo, em 1991, terá uma idéia do modelo de carro em que a General Motors está apostando, para o início do século XXI. A montadora americana, que comprou há cerca de um ano a marca Hummer, lançará pelo menos três versões civis do monstrengo que tem quase 3 metros de largura, cerca de 5 metros de comprimento e pesa 3 toneladas. Os modelos civis serão mais leves mas manterão o estilo guerreiro, por assim dizer.


Divulgação
Ford F-350: carga maior com o mesmo estilo


Numa pesquisa feita com seus consumidores, a GM descobriu que tem boas chances de obter, com sua nova linha de veículos fortes, um sucesso pelo menos próximo ao obtido, no passado, com a marca Cadillac. A moçada nascida depois dos anos 70 adora o jeito bruto do Hummer. Segundo Paul Ballew, diretor de análise de mercado da GM, o crescimento da economia americana, o aumento da renda dos trabalhadores e a concentração da riqueza criaram uma classe de pessoas que tem dinheiro sobrando e não se importa com preço de gasolina e custo de manutenção de veículos desse peso e porte. É nesse tipo de consumidor que a montadora está mirando.

A GM já tem três protótipos dos novos Hummer. O primeiro, apelidado de H1, é muito parecido com o original. É grande, resistente e capaz até de escalar aclives bem duros. É feito para aventureiros de verdade, aquele tipo que se diverte passeando em ambientes inóspitos. Nos Estados Unidos, custa 93.000 dólares (cerca de 165.000 reais). A segunda versão do Hummer, chamada de H2, é menor e tem menos apetrechos tecnológicos. Mas mantém o estilo, e é feito para aquelas pessoas que, embora não se arrisquem em peripécias mais radicais, se identificam com o visual esportivo e aventureiro do veículo. Com o H2 será possível trafegar por avenidas urbanas sem causar comoção entre os transeuntes. A GM pretende vendê-lo, em 2002, por 45.000 dólares no mercado americano (o correspondente a cerca de 80.000 reais). O terceiro componente da família Hummer, o H3, será ainda menor, semelhante à Blazer ou ao Ford Explorer. Seu público-alvo são os jovens com menos de 25 anos, e por isso será mais barato: 25.000 dólares nos Estados Unidos (em torno de 45.000 reais).


Dodge Ram 2500: navegação noturna opcional

Enquanto o carro de guerra está sendo adaptado para venda a civis, o Exército americano está fazendo um movimento inverso. Seu departamento de tecnologia chegou à conclusão de que pode fazer grande economia se desenvolver carros para transporte de carga e tropas com base em veículos que já estão sendo comercializados entre consumidores de terno e gravata – ou camiseta e jeans. O custo da produção de uma linha exclusiva, para uso bélico, é muito alto. É preciso ainda ter gente dedicada a fazer serviços de manutenção especializada e um estoque permanente de peças. Por isso, picapes da marca Ford e Dodge estão sendo adaptadas ao padrão militar. As caminhonetes ganharam força, potência, resistência e aparatos tecnológicos que aumentaram sua segurança. Têm caixa-preta, como os aviões, armas e equipamentos de localização e comunicação por satélite.

A novidade abriu um novo mercado para as montadoras americanas. Além disso, elas já estão prevendo que, em breve, poderão vender suas picapes, com roupagem militar, para gente comum que se identifique com o gênero. Aos interessados, mais uma informação: a família Hummer e as novas picapes, embora tenham um jeito rústico, oferecem todo o conforto por dentro. Têm amortecedores independentes, vidros elétricos, ar-condicionado e painéis eletrônicos especiais para navegação noturna. Carregam, no máximo, quatro pessoas. Um luxo violento.

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