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Berçário cheio

Surpresa: em quatro dias nascem seis
filhotes de panda em reserva da China

A festa, ocorrida há duas semanas, foi digna da chegada do primeiro herdeiro de casais estéreis: em um período de quatro dias, nada menos que seis filhotes de panda gigante nasceram na reserva de Wolong, na província de Sichuan, na China. É praticamente um pico de natalidade, um verdadeiro babyboom, para uma espécie cuja capacidade de reprodução é pequena e cujos riscos de extinção são enormes – existem atualmente não mais que 1.000 animais nas rarefeitas florestas da região central da China, seu habitat, e outros 100 em zoológicos mundo afora. Superando as muitas dificuldades que costumam acompanhar a gravidez das fêmeas de panda, todos os filhotes foram gestados sem problemas, a partir de inseminações artificiais.

Os entraves à procriação desses mamíferos, que só foram vistos ao vivo por ocidentais no começo do século XX (as primeiras peles, com o magnífico padrão preto e branco, tinham sido enviadas à Europa por um missionário em 1869), começam por seu temperamento. Tidos como fofos e graciosos, os pandas de verdade são arredios, desengonçados e lentos – não raro, permanecem até doze horas seguidas sentados, dedicados a sua atividade principal: comer bambu. Solitários, enfrentam problemas peculiares no acasalamento que, transpostos para o universo humano, iriam da ejaculação precoce à inapetência sexual. Especialistas afirmam que o panda só consegue manter relações sexuais por trinta segundos, tempo muito curto para que a fêmea possa engravidar na primeira tentativa. Ela, por sua vez, tem um único período fértil por ano, que dura somente três dias, e a cada gravidez consegue gerar no máximo dois filhotes – um dos quais é descartado pela mãe, que concentra esforços apenas numa cria. Minúsculos e frágeis, os filhotes medem 10 centímetros de comprimento e pesam 150 gramas ao nascer, e 60% não sobrevivem.

Quilos de bambu – Nada disso, porém, é causa da ameaça de extinção da espécie. Os pandas estão desaparecendo de seu nicho especial no planeta principalmente porque as florestas em que vivem e se alimentam de um tipo especial de bambu foram em grande parte destruídas. A área, que já cobriu um bom pedaço da China, hoje se resume a reservas isoladas, criadas depois que o governo chinês despertou para o potencial mercadológico dos belos animais. Sem floresta e sem bambu, um panda em liberdade não sobrevive. Muito bambu, aliás. Embora vegetariano de forma geral, o sistema digestivo do panda é de carnívoro e não processa celulose, principal componente do bambu. Daí sua necessidade de, para extrair nutrientes, consumir enormes quantidades – passa de dez a doze horas por dia comendo até 30 quilos de folhas, caules e brotos. No cativeiro, os animais se adaptaram bem a uma dieta que inclui leite e cereais. Em compensação, em zoológicos a procriação natural é praticamente inexistente.

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