Dorme, meu
bem
Médicos
americanos constatam que a qualidade
do sono está relacionada ao envelhecimento
Karina
Pastore
Noelia Ype
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É um dado da experiência cotidiana: quanto mais velho
se fica, menos se dorme. O que ninguém sabia é que
o inverso também é verdadeiro quanto menos
se dorme, mais velho se fica. Em artigo publicado na última
edição da revista The Journal of the American Medical
Association, médicos da Universidade de Chicago relacionam
a quantidade e a qualidade do sono ao envelhecimento masculino (as
mulheres não foram objeto do estudo). Segundo os pesquisadores,
poucas horas de descanso noturno implicam uma queda das taxas do
hormônio GH, cuja deficiência está associada
aos sintomas mais comuns da idade: acúmulo de tecido adiposo,
flacidez muscular, fraqueza óssea e perda de disposição.
De
1985 a 1999, os médicos acompanharam 149 homens saudáveis,
entre 16 e 83 anos. Cruzados os dados obtidos ao longo desse período,
eles verificaram que a duração do sono profundo sobre
o total de horas dormidas entre aqueles com mais de 35 anos equivalia
a um quinto da quantidade registrada entre os jovens com menos de
25 anos. Ao todo, o sono é dividido em cinco partes. A terceira
e a quarta são as etapas do sono profundo. Os batimentos
cardíacos tornam-se mais lentos, a pressão sanguínea
cai e os músculos relaxam. É quando o cérebro
ordena que a hipófise, glândula localizada próximo
à base do crânio, produza o hormônio GH. Durante
uma noite bem dormida, essas fases vêm e vão. O sono
que conforta é aquele que inclui de quatro a cinco passagens
em cada um desses estágios. Escassas horas de sono, é
evidente, significam menos tempo de descanso profundo e,
conseqüentemente, menor produção de GH. Pessoas
como o ator Miguel Falabella, portanto, que dormem apenas quatro
horas por noite, têm mais probabilidade de antecipar as inevitáveis
rugas. É o tipo de gente que, no afã de viver intensamente,
e não por contingência, acaba acelerando ainda mais
o relógio biológico. Aos 43 anos, Falabella poderia
adiar o puxa-aqui-estica-ali das plásticas se ficasse mais
tempo na cama. Dormindo.
João Raposo
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| Falabella:
ele precisa nanar |
Não é novidade que o GH detém o processo de
envelhecimento. O hormônio, inclusive, foi sintetizado em
laboratório na década de 80. É vendido na forma
de injeções para senhores em busca de um elixir da
juventude. O Hospital das Clínicas de São Paulo chegou
a realizar um estudo com homens de mais de 50 anos que consumiam
a substância. Metade deles perdeu tecido adiposo, ganhou músculos
e adquiriu vitalidade (para satisfação das respectivas
patroas, é de se supor). No entanto, ela pode causar efeitos
colaterais, como hipertensão e dor nas articulações
ironicamente, coisas de velho.
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Lençóis
e
rugas
Como
o sono interfere no processo de envelhecimento masculino
O
hormônio GH, cujo declínio está associado
à velhice, é secretado pela hipófise
durante a fase mais profunda do sono
Entre
os 25 e os 35 anos, a duração dessa fase entre
os homens cai de 19% para 3,5%
do tempo total do descanso noturno
A
partir dos 35 anos, a secreção do GH é
75% menor que na juventude
Fonte:
The Journal of the American Medical Association
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A
batalha contra a insônia
Há
pouco tempo foi lançada nos Estados Unidos uma nova
biografia do comediante americano Groucho Marx (1890-1977).
Entre outras revelações, o autor, Stefan Kanfer,
afirma que ele sofria de insônia crônica. Isso
só engrandece a arte de Groucho. Afinal de contas,
ser insone e engraçado não é para qualquer
um. A insônia é um mal que, dependendo da intensidade,
pode ter um efeito devastador sobre a sua vítima. É
um dos distúrbios para os quais os laboratórios
mais pesquisam remédios. Entre setembro e outubro,
chegará ao Brasil o mais novo medicamento para dormir.
É o Sonata, do laboratório Wyeth-Whitehall.
Comparadas às drogas tradicionais, as de última
geração são mais eficientes, seguras
e rápidas, desde que receitadas por um médico.
Elas induzem todas as etapas do descanso noturno, até
as mais profundas. No Brasil, calcula-se que 45 milhões
de pessoas rolem na cama por horas a fio até pegar
no sono quando pegam. Pelo menos uma noite por semana
metade da população dorme mal. Não é
à toa que o mercado dessas drogas cresce a olhos vistos.
Em 1998, o setor movimentou no país 60 milhões
de dólares, 10% a mais que no ano anterior.
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