Vida de marajá
Dromedários
para turistas em Natal têm
plano de saúde e bebem água mineral
Gisela
Sekeff
E. Queiroga/Lumiar
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| Turistas
na praia de Genipabu: turbantes incluídos no aluguel
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A fotografia
acima mostra um grupo de turistas de turbante passeando em dunas
de areia sobre as corcovas de dois dromedários. A cena, típica
do Deserto do Saara, foi clicada em território nacional e
é a última mania entre os visitantes da Praia de Genipabu,
em Natal. Até pouco tempo atrás, a única forma
de passear sobre as dunas da região era alugando um buggy.
Agora, é possível dar voltas também na garupa
de dromedários. O passeio de dez minutos custa 8 reais e,
para regozijo dos turistas, inclui o uso do turbante. A inusitada
idéia de importar os dromedários e alugá-los
para turistas partiu do suíço Philippe Landry, que
administra uma pousada na região há sete anos. Antes
de se mudar para o Brasil, Landry passou pelo Marrocos, país
onde dromedários e camelos são tão comuns quanto
jegues no sertão. Quando chegou aqui, achou que faltava alguma
coisa na paisagem de Genipabu. "Senti-me em um pequeno deserto e
comecei a imaginar dromedários caminhando sobre as dunas",
lembra o empresário.

Foto: Milton Shirata
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Por mais esdrúxula que pareça, a iniciativa prosperou.
Landry trouxe seis animais em 1998. Outros quatro acabam de ser
importados e estão cumprindo quarentena antes de pegar no
batente. Eles vieram das Ilhas Canárias, onde o aluguel dos
dromedários para turistas já é uma prática
consagrada. A viagem foi uma epopéia. Foram dez horas no
porão de um avião até o Rio de Janeiro, mais
três dias amarrados na carroceria de um caminhão até
a capital do Rio Grande do Norte. Em compensação,
a vida dos bichos é bem mais mansa por aqui do que em seu
habitat. Em Natal, caminham 45 quilômetros por dia, tem plano
de saúde numa clínica veterinária e bebem 1
litro de água mineral antes de dormir. Nos confins do Saara,
eles chegam a percorrer 160 quilômetros diários e passam
quase um mês sem tomar uma gota de água, quiçá
mineral.
Todo
esse cuidado é necessário para garantir a sobrevivência
dos animais fora de seu ambiente natural. A primeira experiência
com dromedários no Nordeste foi feita no século XIX
e não deu certo. Em 1856, Dom Pedro II ordenou que fossem
trazidos catorze exemplares da Argélia e levados para o Ceará.
Os pesquisadores da época imaginaram que sua capacidade de
sobreviver semanas sem água seria suficiente para que eles
substituíssem os cavalos e jegues, mais vulneráveis
às longas estiagens. Os dromedários foram contaminados
com sarna e outras doenças e acabaram morrendo. Landry está
se precavendo para que o mesmo não aconteça com seus
animais e já pretende incrementar seu rebanho sem recorrer
a novas compras. Os últimos dromedários importados
são dois machos e duas fêmeas e devem reproduzir no
Brasil.
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