Quem procurar
vai achar
Cada
vez mais se toma vinho; e aqui
vão as dicas para beber também melhor

Aida
Veiga
Tradicional
apreciador de cerveja e caipirinha, o brasileiro está bebendo
vinho como nunca. Nos últimos doze meses, o consumo cresceu
33%, chegando a 2 litros por pessoa, ao ano. Nada que se compare
à França (60 litros per capita) ou ao campeoníssimo
Luxemburgo (70 litros), mas um salto espetacular para um mercado
consumidor que, até alguns anos atrás, em matéria
de vinhos contava com duas opções: ou gastar uma fortuna
em importados ou engolir um produto nacional de qualidade duvidosa.
O consumo cresceu justamente porque ambas as alternativas se aprimoraram.
Se a produção de vinho nacional, que cresceu 35% no
último ano, ainda resvala, em grande parte, no problemático,
ela já oferece alguns itens perfeitamente aceitáveis.
"Temos muitos produtos que conjugam preço e qualidade", diz
Arthur Azevedo, presidente da Associação Brasileira
de Sommeliers de São Paulo, que reúne estudiosos do
vinho. O motor da mudança de consumo, porém, são
os importados acessíveis aos bolsos médios.
Como,
infelizmente, não existem milagres, ressalve-se: nem tudo
que vem da França ou da Itália é de boa qualidade,
principalmente quando o preço é relativamente baixo.
Pelo contrário, a prateleira dos vinhos importados no supermercado
costuma ser coalhada de armadilhas. Prova disso é que a regra
número 1 da cartilha do bom vinho para neófitos econômicos
é justamente fugir dos campeões de oferta sob bandeira
italiana: a dupla chianti e valpolicella. É dificílimo,
segundo os especialistas, comprar um bom por menos de 20, 30 reais.
"Muita gente que vem a meu restaurante os evita porque já
tomou muita porcaria", atesta Vincenzo Venitucci, dono da paulistana
Casa Venitucci. Para facilitar a vida de quem gosta de vinho, mas
não conhece bem o assunto e não quer pagar muito,
VEJA ouviu um grupo de especialistas e elaborou uma seleção
de bebidas recomendadas na faixa dos 10 aos 40 reais. Nela, o único
chianti custa cerca de 20 reais; o valpolicella, 30. Da relação
não consta nenhum bourdeaux francês, um tipo de vinho
que passa anos em barril para maturar. Envelhecer bem, no caso,
custa caro não menos de 40 reais.
Enólogos
importados No manual de compra de vinhos acessíveis,
é bom que se anote que franceses, italianos e também
alemães sofrem de outro mal: o preço da fama. "Um
excelente australiano
ou chileno sai pela metade do preço de um vinho depouca
qualidade nos produtores com mais tradição", observa
o crítico de gastronomia Saul Galvão, de São
Paulo. Para os leigos, a aposta nesses países costuma render
uma boa degustação. A Austrália investiu tanto
em tecnologia vinífera que, nos últimos anos, países
como França e Estados Unidos estão importando enólogos
de lá. "Como têm tecnologia de ponta, eles conseguem
fazer bons vinhos com baixo custo", diz Galvão. Chile e Argentina,
além de muitas marcas de boa qualidade, têm a vantagem
da proximidade, que barateia o transporte, e de pertencer ao Mercosul,
o que elimina o imposto de importação. Somados, esses
itens representam uma economia de 40% no preço final.
Para
quem insiste nos tradicionais, uma boa dica é prestar atenção
ao rótulo. "França, Itália e Alemanha têm
legislação severa no sentido de que se dê um
mínimo de referência ao consumidor", explica Aristides
Pacheco, um dos autores do recém-lançado Vinhos
& Uvas, um guia com mais de 2.000
citações. As expressões vin de table
e vin de pays nos rótulos franceses e vino da tavola
nos italianos indicam, em geral, um produto medíocre. Já
palavras como crianza, reserva ou gran reserva,
nos espanhóis, e reserva, garrafeira ou grande escolha, nos
portugueses, são indicações de melhor qualidade.
Outra recomendação é evitar rótulos
que ostentam em letras muito grandes o nome da região ou
da uva principal, deixando a marca em segundo plano. Se o produtor
destaca merlot ou barolo em vez do próprio nome, é
sinal de que não se orgulha muito do que produz.
Até
o desenho da garrafa pode servir de referência. Quanto mais
grosso for o vidro e mais côncavo o fundo, mais tempo o vinho
pode ser conservado, o que é bom sinal, já que só
bebida boa envelhece sem virar vinagre. Lamentavelmente, eles também
costumam ser caros. E aí reside outra dica para quem não
quer gastar muito: opte por uma safra recente. "Como é difícil
conservar direito o vinho, a chance de ele se estragar na prateleira
é grande", alerta Armando Borges, crítico gastronômico
de Veja São Paulo. Por fim, seja ousado e vá
além das gôndolas dos supermercados. Nas importadoras
há uma variedade muito maior e as ofertas são em geral
confiáveis. Ou, mais moderno ainda, navegue pela
internet já existem no Brasil sites especializados
na venda de vinhos. Uma verdadeira tentação.
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Cem
anos de panela
Divulgação

Aula
na Le Cordon Bleu francesa: filial em Brasília
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Os
brasileiros estão levando cada vez mais a sério
os assuntos realmente importantes da vida, como beber e comer
bem. A mais badalada escola de gastronomia do mundo, Le Cordon
Bleu, vai inaugurar em Brasília sua primeira filial
permanente na América Latina. A versão brasileira
do instituto francês funcionará em dois prédios,
sendo um dentro do campus da Universidade de Brasília
(UnB). Neles estão instalados, além das salas
de aula, um total de sete cozinhas, uma padaria, uma confeitaria
e dois restaurantes. Os cursos de formação,
com duração de dois anos, só começam
no início do ano que vem e a mensalidade ainda não
está definida. Mas a partir de setembro a escola oferecerá
cursos rápidos (150 a 180 reais o de três horas)
para amadores. Não vai encontrar terreno virgem
a cada começo de semestre pipocam novas escolas de
gastronomia, sobretudo no Rio de Janeiro e em São Paulo,
onde já existe inclusive curso superior. Mesmo assim,
a instituição francesa, do alto de seus 100
anos de experiência e fama, já tem uma lista
de inscrições de mais de 3 000 nomes antes mesmo
de abrir as portas.
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Garrafas
que cabem no bolso
10
a 15 reais
Porca
de Murça (tinto português)
Montepulciano
d'Abruzzo
Bonacchi (tinto italiano)
Casa Valduga Assemblage (tinto brasileiro)
Sunrise Cabernet Sauvignon (tinto chileno)
Miolo Merlot (tinto brasileiro)
Periquita (tinto português)
Villa Montes Sauvignon Blanc (branco chileno)
Frascati Superiore Fontana Candida (branco italiano)
15
a 20 reais
Fundação Eugênio de Almeida
(branco
português)
Albacora (tinto espanhol)
Antigua Monica di Sardegna (tinto italiano)
Santa Julia Tempranillo (tinto argentino)
Bairrada Aliança Garrafeira (tinto português)
Las Vis Merlot Paola (tinto italiano)
Stonelake Reserva Cabernet Sauvignon (tinto
chileno)
Terrazas Reserva Malbec (tinto argentino)
20
a 30 reais
Chianti Vernaiolo Rocca delle Macie (tinto italiano)
Altos Las Hormigas Malbec (tinto argentino)
Orvieto Classico Secco Antinori
(branco italiano)
Côtes du Rhône Parallèle 45 (tinto
francês)
Côtes du Rhône Belleruche (tinto francês)
Dolcetto D'Alba Fratelli Giacosa (tinto italiano)
Rosemount Shiraz (tinto australiano)
Penfolds Koonunga Hill Chardonnay (branco australiano)
30
a 40 reais
Merlot Delle Venezie Zenato (tinto italiano)
Marqués de Casa
Concha Merlot (tinto chileno)
Valpolicella Classico Superiore
Serègo Alighieri (tinto italiano)
Riesling Dr. Bürklin-Wolf
Rupperstsberger Rieling
Qb.A trocken (branco alemão)
Catena Chardonnay (branco argentino)
Cabernet Sauvignon Luigi Bosca (tinto argentino)
Alvarinho Soalheiro (branco português)
Viña Carmen Reserva Pinot Noir (tinto chileno)
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