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Efeito Lalau

Para evitar suspeitas, a construção da nova
sede do TST terá fiscalização terceirizada


Penna Prearo/Folha Imagem

Pazzianotto, presidente do TST: "Não saio atrás de verbas, tenho processos para julgar"


Os ministros do Tribunal Superior do Trabalho resolveram retomar a construção da nova sede do órgão, em Brasília. A obra estava parada desde o final de 1998 por falta de dinheiro. Quando ficar pronto, o prédio terá consumido mais de 90 milhões de reais e terá condições de abrigar com grande conforto os dezessete ministros que compõem a Casa. Até ser paralisada, a obra vinha sendo gerenciada por uma comissão de juízes e engenheiros do próprio tribunal. Agora, os ministros mudaram de idéia. Influenciados pelo que já vem sendo chamado de "efeito Lalau", eles resolveram adotar um novo procedimento. Como forma de descolar sua imagem de eventuais escândalos ligados a suspeitas sobre mau uso de dinheiro público durante a construção, os ministros decidiram transferir a gerência da obra para uma empresa especializada. Ou seja, vão terceirizar a fiscalização.

Na semana passada, o presidente do TST, Almir Pazzianotto, consultou a direção da Caixa Econômica Federal, para ver se o banco assumia a tarefa. A resposta do presidente da instituição, Emílio Carazzai, só reforçou o "efeito Lalau". Ele disse que a Caixa poderá assumir o gerenciamento da obra, sim, desde que outra empresa de auditoria faça um acompanhamento detalhado das contas. Até o fim da semana passada, os ministros ainda discutiam detalhes sobre como realizar a terceirização. Na sexta-feira o "efeito Lalau" se manifestou novamente. O diretor do TST, José Geraldo Lopes, pediu demissão. A CPI do Judiciário localizou centenas de contatos telefônicos entre ele e o juiz foragido de 1991 a 1999. Até agora, as obras do TST já consumiram 15 milhões de reais. A contabilidade interna do tribunal está refazendo as contas para verificar se o cronograma de construção é compatível com o de gastos. Segundo Pazzianotto, as contas precisam ser feitas com cuidado porque, do contrário, o prédio vai consumir muito mais do que estava previsto inicialmente. Os ministros do TST querem terminar a obra sob o argumento de que já se gastou muito dinheiro nela. O presidente Pazzianotto tem uma opinião diferente. Se dependesse de uma decisão sua, o empreendimento seria interrompido definitivamente pelo menos até que todo o recurso para sua conclusão estivesse assegurado. "Tenho processos para julgar e não vou sair pedindo dinheiro para o prédio", diz. Exatamente o oposto do que faria Lalau.

 

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