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Os políticos atacaram de novo
o bolso do contribuinte

Os deputados do Rio de Janeiro e do Distrito Federal deram na semana passada mais uma demonstração de que a política brasileira não conhece limite quando o que está em jogo são os interesses particulares dos parlamentares. Na terça-feira, a Assembléia Legislativa do Rio aprovou um aumento de salário disfarçado em auxílio-moradia no valor de 1.125 reais, o que elevou os vencimentos dos parlamentares em quase 20%, de 6.000 para 7 .125 reais. Trata-se de uma medida estranha, pelo menos para muitos dos deputados beneficiados por ela e que sempre viveram na área metropolitana do Rio de Janeiro. O auxílio só faz sentido quando é concedido a políticos que são obrigados a dar expediente longe de sua base eleitoral, como os deputados federais e senadores que trabalham em Brasília. O pior é que, por causa de um dispositivo que garante equivalência salarial entre as carreiras do Estado, o auxílio-moradia dos deputados precisará ser estendido para desembargadores, juízes, promotores e procuradores. Com isso, a conta que sobrou para o contribuinte é estimada em 43 milhões de reais por ano.

O auxílio-moradia não é mais novidade para os deputados distritais de Brasília. Desde abril do ano passado, uma lei manda pagar 2.250 reais a título de compensação de despesas com habitação. A novidade é que, naquela mesma terça-feira, a Câmara Distrital de Brasília uniu partidos de oposição e de situação e derrubou um projeto que mandava o governo reduzir despesas com pessoal para adequar o orçamento às exigências da Lei de Responsabilidade Fiscal. Pela norma, os gastos com salários do Legislativo só podem chegar a 3% da receita do Estado com impostos. O Distrito Federal consome por ano 155 milhões de reais com a folha de pagamento. Se o projeto fosse aprovado, teria de economizar mais de 75 milhões por ano. Após a votação, a Secretaria da Fazenda do Distrito Federal avisou o cidadão incauto que o ajuste será feito com o aumento na arrecadação. Dessa forma, a conta da farra já pode estar a caminho dos contribuintes por meio de mais impostos.

 

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