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Coração dá um susto
em Jereissati

Isquemia cardíaca leva o governador
do Ceará a fazer exames nos Estados Unidos

Cristina Poles

Claudio Rossi

Jereissati: na hora da dor, um Isordil e duas aspirinas de 100 miligramas


Os políticos mais poderosos do país mantinham na semana passada um olho nos boletins das pesquisas eleitorais para ver como estão se saindo os candidatos à sucessão municipal. O outro olho estava ligado nos boletins médicos a respeito da saúde do governador Tasso Jereissati, do Ceará, que na quarta-feira viajou às pressas – e de jatinho – para a clínica de Cleveland, nos Estados Unidos. A desculpa oficial para a viagem era esfarrapada, como gostam os políticos: problemas gástricos. A saúde de Tasso Jereissati sempre foi tema de conversa entre amigos e aliados da política cearense. Afinal, ele é o maior cacique do Estado. Sempre que surge uma notícia ligada a esse assunto é inevitável recordar que Tasso é safenado e perdeu o pai e um tio de infarto. A diferença é que, agora, a disposição do governador virou alvo de discussões também em Brasília. O motivo é que seu mal-estar ocorreu no momento em que seu nome surgiu como uma opção do PSDB à sucessão de Fernando Henrique Cardoso – e uma campanha presidencial requer grande vigor, político e físico.

Em 1986, Tasso Jereissati sofreu um infarto durante uma viagem a Nova York. Tinha apenas 37 anos. Internado em Cleveland, recebeu duas pontes mamárias e uma de safena. Antes da operação, Tasso fumava um maço e meio de cigarros por dia, levava uma vida sedentária e tensa. Interrompeu o vício por cerca de dez anos, ensaiou iniciar-se no mundo da atividade física e anunciou que diminuiria o ritmo de trabalho. Aos poucos, esqueceu as promessas e passou a fazer tudo aquilo que os médicos temem que os safenados façam: retomou o hábito de fumar (meio maço por dia), abandonou a ginástica (ele jura que caminha diariamente na esteira que tem em casa, mas nem sua mulher, Renata, acredita) e voltou às longas jornadas de trabalho (freqüentemente deixa o palácio do governo por volta da meia-noite). Na segunda-feira da semana passada, seu coração mandou um recado de que as coisas não poderiam continuar daquele jeito.

O governador havia programado um jantar na residência oficial, em companhia do embaixador da Venezuela no Brasil, Milos Alcalay. Pouco antes do encontro, Tasso teve dores na base do pescoço e uma sensação de cansaço. No final da refeição, sentiu uma dor no peito e, escolado, mandou que alguém localizasse o secretário da Saúde, Anastácio Queiroz. Atendido por médicos, tomou uma drágea do remédio Isordil, um vasodilatador de efeito instantâneo, que carrega consigo o tempo todo, e duas aspirinas de 100 miligramas. Foi levado ao hospital, onde um cardiologista verificou que sua pressão estava alta (16 por 11) e que o eletrocardiograma apontava uma isquemia cardíaca. A isquemia é uma falta transitória de irrigação do músculo cardíaco, provocada por entupimento de coronária. Se a isquemia for prolongada, leva ao infarto, que é a necrose desse músculo. Os exames indicaram uma isquemia discreta. Diante dos resultados, e por segurança, Tasso decidiu antecipar o check-up anual que realiza em Cleveland e embarcou de jatinho para os Estados Unidos com médicos e parentes. Na sexta-feira, tendo sido submetido a uma bateria de exames, entre eles um cateterismo, o governador recebeu alta e seu quadro foi considerado normal para alguém com seu histórico cardíaco. Uma vez mais, Tasso prometeu retomar os exercícios, parar de fumar e, a intenção mais desafiadora de todas, reduzir a jornada de trabalho.

L.C. Leite/Ag. Estado

Ciro Gomes, que encabeça as pesquisas com Lula: cuidado com as lições do passado


Seu real desejo de cumprir a última das promessas, reduzir o ritmo de trabalho, é o que conta no momento, pois pode interferir nos rumos do debate em torno da sucessão presidencial. É evidente que, a mais de dois anos das eleições, é possível dizer o que se quiser a respeito de uma candidatura. Atualmente, os nomes que estão à frente da pesquisa são Luís Inácio Lula da Silva, que perdeu três eleições presidenciais, e, a grande novidade, Ciro Gomes, amigo pessoal de Tasso. "Com antecedência, todo nome é a um só tempo viável e inviável", diz Marcos Coimbra, diretor do instituto de pesquisas Vox Populi. "Soa estranho, mas é assim que funciona o relógio da política." Basta lembrar o que aconteceu na sucessão presidencial de José Sarney. Um político totalmente inviável, Fernando Collor, declarava ser candidato, mas sua intenção era tratada como chacota. Na ocasião, o PSDB chegou a oferecer-lhe a possibilidade de ser vice do candidato Mário Covas, então um nome viável. A sete meses da eleição, Collor tinha menos de 4% das intenções de voto e atropelou na reta final. Ainda que o passado dê lições sobre bolas de cristal, os políticos nunca deixam de antecipar cenários. Em certa medida, discutem os diferentes cenários eleitorais da mesma forma que os economistas tratam do que pode acontecer com as contas públicas. Estabelecem algumas premissas e constroem as análises.

Na semana passada, algumas premissas e cenários foram discutidos pelos mais graduados caciques do país. Em todas as discussões, o nome do governador do Ceará esteve presente. Em entrevista ao programa Roda Viva, transmitido pela TV Cultura de São Paulo, o governador paulista, Mário Covas, afirmou que acha "muito difícil" a renovação da aliança entre o PSDB e o PFL. Covas disse que os pefelistas só aceitaram a coligação porque o candidato era Fernando Henrique. Seu prognóstico para 2002 é que o presidente vá apoiar um candidato tucano. "Não tenho dúvida em relação a isso", afirmou. Na mesma entrevista, sem descartar nenhum nome, o governador afirmou que Tasso Jereissati é uma grande opção. Ou seja, Covas quer uma candidatura própria afastada do PFL e ela pode passar pelo Ceará. O presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães, reagiu às declarações de Covas, e também citou o nome de Tasso. ACM afirmou que a aliança que elegeu FHC é uma necessidade se a base governista tiver planos de fazer o sucessor. O presidente do Senado declarou ainda que Fernando Henrique é a favor da aliança. Aproveitou para dizer que a escolha do nome de consenso pode passar pelo Ceará. Para ACM, Tasso Jereissati daria um excelente candidato.

 
Ag. Estado/Dida Sampaio
JF Diorio/AE

ACM: aliança PSDB-PFL é questão de sobrevivência

Covas: renovar a aliança PSDB-PFL é "muito difícil"

 

Ana Araujo

Jader Barbalho, sobre os nomes para suceder FHC: "Melhor esperar 2002"


O presidente do PMDB, senador Jader Barbalho, também entrou na discussão, criticando Covas. Barbalho disse que o governador Mário Covas cometeu um equívoco ao declarar que a coligação que levou Fernando Henrique ao poder acabará no final de seu mandato. Ele afirmou que não existe outro caminho para estes partidos disputarem as eleições. Quanto aos nomes que poderiam encabeçar uma chapa com chances de vitória, o senador preferiu o caminho da prudência. "É cedo ainda, melhor voltar a discutir em 2002."

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