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Em 1986, Tasso Jereissati sofreu um infarto durante uma viagem a Nova York. Tinha apenas 37 anos. Internado em Cleveland, recebeu duas pontes mamárias e uma de safena. Antes da operação, Tasso fumava um maço e meio de cigarros por dia, levava uma vida sedentária e tensa. Interrompeu o vício por cerca de dez anos, ensaiou iniciar-se no mundo da atividade física e anunciou que diminuiria o ritmo de trabalho. Aos poucos, esqueceu as promessas e passou a fazer tudo aquilo que os médicos temem que os safenados façam: retomou o hábito de fumar (meio maço por dia), abandonou a ginástica (ele jura que caminha diariamente na esteira que tem em casa, mas nem sua mulher, Renata, acredita) e voltou às longas jornadas de trabalho (freqüentemente deixa o palácio do governo por volta da meia-noite). Na segunda-feira da semana passada, seu coração mandou um recado de que as coisas não poderiam continuar daquele jeito. O governador havia programado um jantar na residência oficial, em companhia do embaixador da Venezuela no Brasil, Milos Alcalay. Pouco antes do encontro, Tasso teve dores na base do pescoço e uma sensação de cansaço. No final da refeição, sentiu uma dor no peito e, escolado, mandou que alguém localizasse o secretário da Saúde, Anastácio Queiroz. Atendido por médicos, tomou uma drágea do remédio Isordil, um vasodilatador de efeito instantâneo, que carrega consigo o tempo todo, e duas aspirinas de 100 miligramas. Foi levado ao hospital, onde um cardiologista verificou que sua pressão estava alta (16 por 11) e que o eletrocardiograma apontava uma isquemia cardíaca. A isquemia é uma falta transitória de irrigação do músculo cardíaco, provocada por entupimento de coronária. Se a isquemia for prolongada, leva ao infarto, que é a necrose desse músculo. Os exames indicaram uma isquemia discreta. Diante dos resultados, e por segurança, Tasso decidiu antecipar o check-up anual que realiza em Cleveland e embarcou de jatinho para os Estados Unidos com médicos e parentes. Na sexta-feira, tendo sido submetido a uma bateria de exames, entre eles um cateterismo, o governador recebeu alta e seu quadro foi considerado normal para alguém com seu histórico cardíaco. Uma vez mais, Tasso prometeu retomar os exercícios, parar de fumar e, a intenção mais desafiadora de todas, reduzir a jornada de trabalho.
Na semana passada, algumas premissas e cenários foram discutidos pelos mais graduados caciques do país. Em todas as discussões, o nome do governador do Ceará esteve presente. Em entrevista ao programa Roda Viva, transmitido pela TV Cultura de São Paulo, o governador paulista, Mário Covas, afirmou que acha "muito difícil" a renovação da aliança entre o PSDB e o PFL. Covas disse que os pefelistas só aceitaram a coligação porque o candidato era Fernando Henrique. Seu prognóstico para 2002 é que o presidente vá apoiar um candidato tucano. "Não tenho dúvida em relação a isso", afirmou. Na mesma entrevista, sem descartar nenhum nome, o governador afirmou que Tasso Jereissati é uma grande opção. Ou seja, Covas quer uma candidatura própria afastada do PFL e ela pode passar pelo Ceará. O presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães, reagiu às declarações de Covas, e também citou o nome de Tasso. ACM afirmou que a aliança que elegeu FHC é uma necessidade se a base governista tiver planos de fazer o sucessor. O presidente do Senado declarou ainda que Fernando Henrique é a favor da aliança. Aproveitou para dizer que a escolha do nome de consenso pode passar pelo Ceará. Para ACM, Tasso Jereissati daria um excelente candidato.
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