|
VEJA 40 anos Retrato de um Brasil gigante
Os dilemas da Amazônia
Em sua primeira reportagem de capa sobre a Amazônia, em outubro de 1970, VEJA já apontava o peculiar desafio brasileiro: encontrar formas de conciliar a preservação da maior floresta tropical do mundo com o desenvolvimento do potencial econômico de uma região que representa 60% do território nacional. Naqueles tempos, o regime militar empenhava-se em levar "o progresso para a selva" por meio de estradas como a Transamazônica e de projetos como a hidrelétrica de Tucuruí, no Pará. A reportagem registrava a euforia com que os aventureiros atendiam ao chamado do governo para desbravar aquela fronteira do país. Mas os problemas decorrentes da exploração predatória e do caos fundiário não demoraram a explodir. Em dezenas de reportagens ao longo de quarenta anos, nove capas e uma edição especial, a revista denunciou o efeito devastador das queimadas e a extração ilegal de madeira, assim como o avanço desordenado da pecuária e das lavouras de soja nas bordas da Amazônia. Em março de 2008, quando o desmatamento atingiu 17% da cobertura original, VEJA publicou uma série de reportagens que oferecem um panorama abrangente dos problemas que concorrem para a devastação. Chamou atenção para ações contraditórias do governo, que, ao mesmo tempo em que busca reprimir o desmatamento, contribui decisivamente para ele ao promover assentamentos de sem-terra em áreas de floresta. A conclusão é que hoje existem leis, saber científico e sistemas de vigilância suficientes para permitir a ocupação da Amazônia sem alterar substancialmente seu biossistema.
O salto energético
Na área dos combustíveis, o Brasil mudou profundamente desde o surgimento de VEJA, em 1968. Como atestam as primeiras reportagens sobre o tema, a exploração de petróleo em larga escala passou de mera promessa nos anos 70 a realidade na década seguinte, com os progressos da Petrobras na prospecção em águas profundas. A revista aplaudiu avanços como a quebra do monopólio da estatal, nos anos 90. Mais recentemente, expôs quanto há a comemorar (e quanto foi pura pirotecnia do governo federal) no anúncio dos novos megacampos da Bacia de Santos. A outra ponta dessa revolução energética é o álcool. A transformação do Brasil em líder mundial na produção do biocombustível não foi batalha fácil. Se no começo da década de 80 o álcool era uma esperança para diminuir a dependência do país em relação ao petróleo importado, ao fim daqueles anos o projeto parecia fadado ao ocaso. Ressurgiu das cinzas, contudo, com a entrada em cena dos carros flex uma vitória que deve ser creditada ao investimento no saber, como apontou VEJA numa capa de 2006.
Tragédia anunciada
Em 1981, 1983 e 1998, VEJA dedicou reportagens de capa à tragédia da seca no Nordeste. A mais séria intempérie natural do país é um fenômeno cíclico e, como não cansou de ressaltar a revista, perfeitamente previsível. A fome e a miséria no semi-árido nordestino têm, portanto, tudo a ver com o descaso nas várias esferas governamentais. A seca é um problema que, felizmente, deixou de freqüentar o noticiário de alguns anos para cá. Mas isso não significa que seus efeitos não possam voltar com força no futuro. E a única solução de longo prazo que as autoridades apresentaram para ela até hoje a transposição das águas do Rio Francisco continua longe de se tornar realidade.
A nação do garimpo
O garimpo mereceu atenção nas páginas de VEJA. A foto abaixo ilustrou uma capa de 1988 sobre o maior desses fenômenos: a corrida ao ouro de Serra Pelada. A promessa de riqueza atraiu 100 000 brasileiros à jazida do tamanho de dois estádios do Maracanã que se abriu nessa região do Pará. A matéria flagrava o local num momento melancólico de esgotamento de suas reservas. Em várias outras ocasiões, a revista denunciou o caráter clandestino e a violência que acompanham o garimpo, praticado muitas vezes em conluio com os índios.
Fuga para o interior
Na década de 70, VEJA advertia sobre os sinais de deterioração da qualidade de vida nas metrópoles brasileiras. "Há salvação para as grandes cidades?", questionava a manchete de capa de 18 de abril de 1973. Desde então, problemas como o trânsito caótico e a violência só cresceram na maioria das metrópoles do país, de São Paulo a Fortaleza. Mas um contraponto alentador surgiu no horizonte: visto até meados do século XX como sinônimo de pobreza e atraso, o interior aos poucos se transformou na imagem do Brasil que prospera. A partir dos anos 80, diversas reportagens de capa apontaram uma tendência clara: moradores das capitais estavam se mudando para cidades menores em busca de bem-estar. A força crescente do agronegócio e a migração de indústrias para o Centro-Oeste e o Nordeste produziram oportunidades de emprego e enriquecimento em lugarejos inexpressivos há questão de uma década. Para além dos atrativos econômicos, o interior passou a acenar também com artigos avidamente reclamados por famílias que vivem nas metrópoles superpovoadas, como a segurança e o lazer.
Ameaça radical
Desde suas primeiras invasões de terra e atos de baderna, nos anos 90, o MST e outras agremiações radicais no campo têm seus passos observados por VEJA. Em quatro reportagens de capa sobre o tema, a revista expôs o caráter oportunista e o ideário esquerdista delirante desses movimentos. Com suas agressões ao agronegócio e ao meio ambiente (seus assentamentos são um dos focos de devastação da Amazônia), eles ameaçam a paz e a prosperidade no campo.
O milagre do agronegócio
O agronegócio é um dos principais motores da economia brasileira. Neste ano, os agricultores do país devem colher uma safra de cerca de 143 milhões de toneladas o que significará um novo recorde histórico. O Brasil ostenta ainda o maior rebanho bovino comercial do mundo, com 205 milhões de cabeças, e lidera as exportações nessa área. VEJA esteve atenta às transformações dramáticas ocorridas no campo nas últimas décadas. Nos anos 80, três reportagens de capa examinaram como a agricultura levava pujança ao interior do país, apesar das crises econômicas do período. Recentemente, a revista mostrou como a adoção de práticas de gestão modernas permite às empresas brasileiras do setor converter-se em potências globais caso do frigorífico goiano Friboi, que em meados do ano passado se tornou o maior exportador de carne bovina do mundo ao adquirir o concorrente americano Swift. O salto do agronegócio deveu-se, em boa medida, aos investimentos em pesquisa. O maior exemplo disso é a soja. Há coisa de apenas 35 anos, seu cultivo em escala comercial só era possível nos estados sulinos. Com o desenvolvimento de sementes adaptadas ao clima tropical e a adoção de novas formas de manejo do solo, ela hoje avança (e irradia riqueza) por todo o Centro-Oeste e até as bordas da região amazônica.
|
|
VEJA | Veja São Paulo | Veja Rio | Expediente | Fale conosco | Anuncie | Newsletter | ![]() |
|