Edição 1859 . 23 de junho de 2004

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Televisão
A última do Silvio Santos

No meio de um programa, o dono do
SBT sugeriu que havia vendido uma
parte de sua emissora. Era tudo uma piada...


Ricardo Valladares


Claudio Rossi
Silvio: ele vai entrar num
"rodízio de programas"


NESTA REPORTAGEM
Quadro: As estrelas do SBT continuam ganhando bem - sua audiência é que piorou

No domingo passado, entre um "rá-ráiii" e outro, Silvio Santos soltou uma frase que deixou o mundo da televisão em rebuliço – mais uma vez. Foi durante o seu show de calouros, num diálogo com a jurada Sônia Lima, velha freqüentadora de seus programas. Quando Sônia o chamou de "patrão", Silvio disse que não queria ser tratado daquela maneira porque era "apenas sócio majoritário". Em outras palavras, sugeriu que teria vendido uma parte de sua emissora. O espectador distraído talvez nem tenha registrado a idéia, mas o mercado ficou em estado de alerta. Não apenas porque os boatos sobre a venda do SBT são antigos, mas também porque a emissora passou recentemente por uma extensa reformulação administrativa: quase todos os seus diretores foram demitidos, e o executivo mexicano Eugenio Lopes Negretti passou a exercer funções de vice-presidente. Negretti já trabalhou na Televisa, rede mexicana que alimenta o SBT com novelas e é considerada a mais forte candidata à compra de um naco da emissora brasileira. Enfim, Silvio Santos parecia estar revelando um segredo empresarial em plena noite de domingo. Mas não estava. "Foi tudo uma grande piada", disse Silvio em entrevista exclusiva a VEJA. "A Sônia estava me chamando de patrão e eu achei esquisito. Patrão é coisa de botequim, e eu sou dono de uma televisão. Então saí com aquela." Não é a primeira vez que Silvio prega peças desse tipo. Meses atrás ele espalhou o boato de que teria uma doença terminal. "Dizem que esse tipo de brincadeira prejudica o SBT. Mas eu gosto de brincar", afirma.

Há elementos de verdade nos boatos sobre o desejo de Silvio Santos de vender o SBT. Ele diz que aceita propostas e dá um preço aos interessados: 2 bilhões de reais. Confirma, além disso, que a Televisa tem com ele um contrato de opção de compra. Ou seja, se algum dia aparecer um interessado em adquirir uma parte ou a totalidade do SBT, Silvio terá de consultar os mexicanos e permitir que eles façam uma oferta antes. Finalmente, o empresário não acredita que a emissora possa sobreviver nas mãos de suas herdeiras (ele é pai de seis meninas). "Minhas filhas só querem saber de igreja. Até a Rebeca, de 24 anos, que eu pensei que ia virar executiva, só pensa nisso", diz ele.

Aos 73 anos, Silvio Santos às vezes dá mostras de estar cansado do dia-a-dia na televisão. Mas ele não sente que o SBT possa prescindir do seu trabalho – e do seu carisma. No plano comercial, as notícias dos últimos dois anos não foram das melhores. O SBT perdeu afiliadas Brasil afora: das 113 que tinha, passou a ter 106. Além disso, registrou prejuízos da ordem de 33 milhões de reais em 2003. No plano artístico, as três maiores estrelas da emissora, Gugu Liberato, Hebe Camargo e Ratinho, passam por fases apagadas, com programas sem idéias e sem graça, e viram despencar seus índices de audiência nos últimos tempos. No mês passado, a maior média de ibope do canal não veio de nenhum deles, mas do humorístico Meu Cunhado (veja quadros). Nesse contexto, Silvio Santos faz pressão inclusive para reduzir salários. Ele gostaria de baixar os ganhos fixos de Ratinho de 1,6 milhão de reais por mês para a metade disso. O "roedor" fatura atualmente 2,5 milhões de reais mensais entre salário e merchandising. "Hoje em dia não dá para pagar mais os salários milionários que os artistas ganham", diz Silvio. Ratinho não gostou da idéia. Na semana passada, teve uma reunião com diretores da Rede Record.

Para chacoalhar a programação do SBT, Silvio Santos resolveu tomar nas próprias mãos as rédeas de vários programas. Desde o mês passado ele apresenta a gincana Eu Compro o Seu Televisor e também está à frente do Gente que Brilha. Este último é o programa em que aparece Sônia Lima. Silvio, além disso, inaugurou uma fórmula de rodízio de programas que ele mesmo vai apresentar. Os shows são o Sete e Meio, o Todos contra Um, o Roda a Roda e o Show do Milhão. A atração vai mudar a cada treze semanas. E, em agosto, Silvio ainda pretende estar à frente do reality show Protagonista de Novelas na Casa dos Artistas. "Está muito difícil encontrar bons projetos para a televisão. Para piorar, a Globo passa por uma ótima fase com suas novelas, o que faz com que uma fatia imensa da audiência semanal migre para lá", diz o apresentador. No momento, a idéia mais ousada de Silvio Santos é transformar em série ou novela o livro Onze Minutos, do best-seller Paulo Coelho. "Já falei com o autor e ele mostrou interesse. A grande dificuldade é que o livro tem muito sexo", diz Silvio. "É porrada!"

 

Risadas velhas


Divulgação
Moacyr e Golias: programa feito na raça

Exibido às quartas-feiras, no horário das 21h30, o humorístico Meu Cunhado foi o programa de maior audiência do SBT no mês de maio. No centro da trama estão os veteranos Moacyr Franco e Ronald Golias. O primeiro é um publicitário e o segundo, o seu cunhado maluco. O programa tem estética amadora. Foi gravado com uma câmera e iluminação precária. "Fizemos tudo na raça", conta Moacyr Franco, que adaptou o programa de um humorístico argentino. Meu Cunhado ficou engavetado por vários meses: seus 52 episódios foram gravados entre 2001 e 2003. Por conta disso, algumas piadas com referências a fatos do cotidiano envelheceram. Mas o público parece não ligar: para ele, piada velha também faz comédia boa.

 
 
 
 
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