Edição 1859 . 23 de junho de 2004

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Olimpíadas
Atenas? Não, obrigado

Com medo do terror, milionários do esporte
preferem ficar bem longe dos Jogos


Larry Brown, treinador campeão da liga de basquete dos Estados Unidos com o Detroit Pistons, tem um dos melhores empregos do mundo: também é técnico do Dream Team, a seleção de profissionais do basquete americano que a cada Olimpíada conquista a medalha de ouro triturando seus adversários. A dois meses dos Jogos de Atenas, porém, Brown tem um problema inesperado: falta de interessados em participar do time. Pelo menos nove estrelas da NBA já renunciaram à convocação olímpica, entre elas celebridades como Kobe Bryant, Jason Kidd e Kevin Garnett. "Se os terroristas quiserem mandar um recado ao planeta, qual seria o melhor lugar para fazer isso?", declarou recentemente Jermaine O'Neal, resumindo uma preocupação de vários colegas.


Reuters
Kobe Bryant: um dos craques da NBA que abriram mão do Dream Team


O medo de atentados parece ser, na maioria dos casos, proporcional ao saldo na conta bancária. Para os milionários campeões do basquete e do tênis, uma medalha de ouro pouco acrescenta em termos de prestígio. Para um jogador americano, conquistar o título da NBA é mais difícil que enfrentar qualquer seleção estrangeira. Coisa parecida acontece no tênis. "Para mim, é menos importante que Wimbledon ou o Aberto dos Estados Unidos", diz a tenista Lindsay Davenport, que jogou em Atlanta, em 1996, e em Sydney, em 2000.

Alguns dos menos endinheirados também vão passar ao largo das Olimpíadas. O remador Xeno Muller, favorito para uma medalha olímpica, anunciou no mês passado que não irá a Atenas. Muller, suíço de nascimento, subiu ao pódio nas duas últimas Olimpíadas representando sua terra natal. Neste ano, naturalizou-se americano, estava de malas prontas, mas desistiu subitamente. "Quando você tem mulher e três filhos e vê gente sendo decapitada, começam a aparecer nuvens no pensamento", explicou.

Cerca de 4 bilhões de reais serão gastos com segurança nos Jogos, três vezes mais que em Sydney. Haverá sete pessoas desse gigantesco esquema para cada atleta. Tropas multinacionais da Otan farão vigilância aérea e marítima e mobilizarão especialistas em terrorismo químico, nuclear e biológico. Mesmo assim, poucos declaram que não sentirão um pouco de medo. Ian Thorpe, estrela da natação australiana, é uma exceção, e teria bons motivos para pensar diferente. "Se me preocupar com isso, não viverei minha vida como quero", afirmou recentemente Thorpe, que esteve no World Trade Center, em Nova York, na manhã de 11 de setembro de 2001, e saiu de lá minutos antes do ataque que derrubou as duas torres.

 



Fotos AP e Reuters
 
 
 
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