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Olimpíadas
Atenas?
Não, obrigado
Com
medo do terror, milionários do esporte
preferem ficar bem longe dos Jogos
Larry
Brown, treinador campeão da liga de basquete dos Estados
Unidos com o Detroit Pistons, tem um dos melhores empregos do mundo:
também é técnico do Dream Team, a seleção
de profissionais do basquete americano que a cada Olimpíada
conquista a medalha de ouro triturando seus adversários.
A dois meses dos Jogos de Atenas, porém, Brown tem um problema
inesperado: falta de interessados em participar do time. Pelo menos
nove estrelas da NBA já renunciaram à convocação
olímpica, entre elas celebridades como Kobe Bryant, Jason
Kidd e Kevin Garnett. "Se os terroristas quiserem mandar um recado
ao planeta, qual seria o melhor lugar para fazer isso?", declarou
recentemente Jermaine O'Neal, resumindo uma preocupação
de vários colegas.
Reuters
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| Kobe
Bryant: um dos craques da NBA que abriram mão do Dream
Team |
O medo de atentados parece ser, na maioria dos casos, proporcional
ao saldo na conta bancária. Para os milionários campeões
do basquete e do tênis, uma medalha de ouro pouco acrescenta
em termos de prestígio. Para um jogador americano, conquistar
o título da NBA é mais difícil que enfrentar
qualquer seleção estrangeira. Coisa parecida acontece
no tênis. "Para mim, é menos importante que Wimbledon
ou o Aberto dos Estados Unidos", diz a tenista Lindsay Davenport,
que jogou em Atlanta, em 1996, e em Sydney, em 2000.
Alguns
dos menos endinheirados também vão passar ao largo
das Olimpíadas. O remador Xeno Muller, favorito para uma
medalha olímpica, anunciou no mês passado que não
irá a Atenas. Muller, suíço de nascimento,
subiu ao pódio nas duas últimas Olimpíadas
representando sua terra natal. Neste ano, naturalizou-se americano,
estava de malas prontas, mas desistiu subitamente. "Quando você
tem mulher e três filhos e vê gente sendo decapitada,
começam a aparecer nuvens no pensamento", explicou.
Cerca
de 4 bilhões de reais serão gastos com segurança
nos Jogos, três vezes mais que em Sydney. Haverá sete
pessoas desse gigantesco esquema para cada atleta. Tropas multinacionais
da Otan farão vigilância aérea e marítima
e mobilizarão especialistas em terrorismo químico,
nuclear e biológico. Mesmo assim, poucos declaram que não
sentirão um pouco de medo. Ian Thorpe, estrela da natação
australiana, é uma exceção, e teria bons motivos
para pensar diferente. "Se me preocupar com isso, não viverei
minha vida como quero", afirmou recentemente Thorpe, que esteve
no World Trade Center, em Nova York, na manhã de 11 de setembro
de 2001, e saiu de lá minutos antes do ataque que derrubou
as duas torres.
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