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Sociedade
Risco calculado
Seguros anti-seqüestro se tornam
um bom negócio em países conflagrados
e na América Latina

Camila Antunes
Foto André Batistela
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A insegurança no Terceiro Mundo abriu um novo mercado para
as seguradoras: o dos seguros anti-seqüestro. Eles incluem,
além do pagamento do resgate, a negociação
com os criminosos. As primeiras apólices foram vendidas pela
inglesa Lloyds no início dos anos 90, quando os casos de
seqüestro de executivos começaram a proliferar em países
pobres. Hoje, o mercado movimenta 200 milhões de dólares
por ano. Estima-se que 250 pessoas sejam protegidas por esses seguros
no Brasil. A maioria das apólices foi adquirida por multinacionais,
que incluem o produto no pacote de benefícios de seus executivos.
Como esses seguros não são autorizados pela legislação
brasileira, os interessados desembolsam de 20.000
a 100.000 dólares por ano para
fazê-los no exterior. Para compor o preço, é
feita uma análise dos riscos a que o executivo em questão
está submetido, uma avaliação do contexto geral
do país e uma estimativa do valor do eventual resgate. As
coberturas chegam a 25 milhões de dólares.
Os principais clientes das seguradoras moram
em lugares conflagrados ou na América Latina, que concentra
45% dos 15.000 seqüestros registrados
por ano no mundo. O Iraque lidera as vendas desde o ano passado,
quando começou a ocupação americana. É
também o país onde os seguros são mais caros.
Lá, a demanda é tão grande que a empresa de
segurança inglesa Control Risks inaugurou escritórios
em duas cidades, um em Bagdá e outro em Basra. Ela adaptou
um de seus serviços, o gerenciamento de risco, para atender
às seguradoras. A Control Risks é acionada para negociar
o resgate da vítima. "Nosso objetivo é libertar o
executivo com rapidez e segurança. Barganhar e identificar
os criminosos não são nossas prioridades", diz Boris
Kruijssen, diretor da empresa. Na América Latina, a Colômbia
lidera o ranking de preços, por causa das Forças Armadas
Revolucionárias da Colômbia (Farc), que usam o seqüestro
como política de financiamento e intimidação.
Brasil, México e Venezuela vêm logo em seguida.
Nesse
tipo de apólice, um item obrigatório é o que
diz respeito à adoção de medidas de prevenção
por parte do comprador. Dependendo da cobertura, exige-se a contratação
de guarda-costas, que podem ser treinados por uma empresa contratada
pela seguradora. Além disso, os segurados têm de fazer
todos os anos cursos de técnicas de defesa anti-seqüestro.
Nesses cursos, conselhos são dados e renovados como
não divulgar no cartão de visita o cargo que eles
ocupam, não repetir os mesmos trajetos no dia-a-dia e evitar
aglomerações. Quem tem carro blindado aprende direção
defensiva (só com blindagem é possível utilizar
esse recurso, sem o perigo de ser baleado). Os segurados também
passam por simulações de seqüestro e de extorsão,
nas quais a vítima é um parente ou o resgate é
cobrado na forma de segredos comerciais. A polícia brasileira
faz restrições a esse tipo de seguro. Diz que os negociadores
contratados pagam caro, rápido e, conseqüentemente,
estimulariam ainda mais os seqüestros. Um caso que os policiais
gostam de citar é o de uma família de banqueiros de
São Paulo. Ela sofreu três seqüestros. Nos dois
primeiros, a seguradora cobriu integralmente o valor dos resgates.
No terceiro, com a polícia em ação, o preço
foi reduzido para 10% do total exigido num primeiro momento.
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