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Estilo
O Carnaval dos ingleses
Nas corridas de Ascot, chapéus
cada vez mais exagerados fazem
uma festa a fantasia
Fotos AP
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| Chapelões: seja Picasso, seja
uma floreira, o importante é aparecer |
Guardadas as proporções, os cinco
dias de corridas de cavalo de Royal Ascot estão para a Inglaterra
como o Carnaval está para o Brasil: um acontecimento importantíssimo
no calendário social do país, em que as pessoas aproveitam
para se vestir de forma bizarra, beber muito e liberar fantasias,
passando aos estrangeiros a impressão de que aquele é
um povo muito esquisito. A rainha Elizabeth II comparece com a família.
Fanática pelos cavalinhos, criadora respeitada, ela torce
e aposta como gente comum. Seus súditos também vão
em peso ao hipódromo, situado a cerca de uma hora de trem
de Londres, eles de fraque e cartola, elas de figurino de festa
e chapéus elaboradíssimos. Até recentemente,
pernas de fora e decotes profundos eram mandados de volta para casa
por um contingente de patrulheiros da etiqueta. Neste ano, sob calor
de 30 graus, a fiscalização degringolou. Pela primeira
vez, vestidos curtíssimos, alcinhas e até uma ou outra
barriga de fora circularam pelo vetusto centro hípico. Tracy
Rose, estilista de chapéus, complementou seu minivestido
drapeado azul-turquesa com uma monumental confecção
própria que dizia inspirada em Picasso. Perto dela, a desinibida
atriz Elizabeth Hurley, encarregada de entregar um dos prêmios,
parecia mocinha do interior, com vestido comportado e chapéu
pequeno para os padrões da ocasião. Explica-se: Liz
era convidada do Royal Enclosure, o pavilhão da rainha, onde
a etiqueta visual ainda é implementada à risca.
AP
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Reuters
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| Liz na entrega de prêmio: decote zero para
ir ao pavilhão real |
Um toque de México: rosa dos pés à cabeça
bem sombreada |
Nessa área, onde mesmo quem compra entrada
(75 libras, ou 430 reais, por dia) tem de ter indicação
de um freqüentador, todos são obrigados a usar chapéu
"que cubra a coroa da cabeça. Não pode ser de fiapos
de flores", explica o médico José Albano da Nova Monteiro,
86 anos, vice-presidente do Jockey Club do Rio de Janeiro, que freqüenta
Ascot há mais de vinte anos (neste ano, adoeceu e faltou).
"A gente vê a rainha a uns 40 metros de distância. Ela
é muito simpática. Fica numa alegria tremenda com
as corridas. Nos intervalos, conversa com os treinadores, os proprietários
e os jóqueis", relata. Bebe-se champanhe a tarde inteira,
vendida em quiosques nas três áreas destinadas à
assistência: além do pavilhão real, o Grandstand
& Paddock (54 libras, ou 310 reais, por dia), também
privilegiado, e o Silver Ring (18 libras, pouco mais de 100 reais),
quase encostado nas pistas. Em todos, imperam os chapéus
cada vez mais abusados, divididos basicamente em duas categorias:
os temáticos um jardinzinho com flores de verdade,
um campo de futebol, um sapato e os simplesmente enormes.
Este Royal Ascot teve ar de despedida: o hipódromo fundado
em 1711 vai passar por uma reforma e, nos próximos dois anos,
as corridas serão nos arredores da cidade de York.
AP
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Reuters
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| A rainha chega com o príncipe Philip: torcida
e apostas de turfista autêntica |
Jardim na cabeça: flores de verdade para compor
o tema |
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