Edição 1859 . 23 de junho de 2004

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Estilo
O Carnaval dos ingleses

Nas corridas de Ascot, chapéus
cada vez mais exagerados fazem
uma festa a fantasia

 
Fotos AP
Chapelões: seja Picasso, seja uma floreira, o importante é aparecer

Guardadas as proporções, os cinco dias de corridas de cavalo de Royal Ascot estão para a Inglaterra como o Carnaval está para o Brasil: um acontecimento importantíssimo no calendário social do país, em que as pessoas aproveitam para se vestir de forma bizarra, beber muito e liberar fantasias, passando aos estrangeiros a impressão de que aquele é um povo muito esquisito. A rainha Elizabeth II comparece com a família. Fanática pelos cavalinhos, criadora respeitada, ela torce e aposta como gente comum. Seus súditos também vão em peso ao hipódromo, situado a cerca de uma hora de trem de Londres, eles de fraque e cartola, elas de figurino de festa e chapéus elaboradíssimos. Até recentemente, pernas de fora e decotes profundos eram mandados de volta para casa por um contingente de patrulheiros da etiqueta. Neste ano, sob calor de 30 graus, a fiscalização degringolou. Pela primeira vez, vestidos curtíssimos, alcinhas e até uma ou outra barriga de fora circularam pelo vetusto centro hípico. Tracy Rose, estilista de chapéus, complementou seu minivestido drapeado azul-turquesa com uma monumental confecção própria que dizia inspirada em Picasso. Perto dela, a desinibida atriz Elizabeth Hurley, encarregada de entregar um dos prêmios, parecia mocinha do interior, com vestido comportado e chapéu pequeno para os padrões da ocasião. Explica-se: Liz era convidada do Royal Enclosure, o pavilhão da rainha, onde a etiqueta visual ainda é implementada à risca.

 
AP
Reuters
Liz na entrega de prêmio: decote zero para ir ao pavilhão real Um toque de México: rosa dos pés à cabeça bem sombreada

Nessa área, onde mesmo quem compra entrada (75 libras, ou 430 reais, por dia) tem de ter indicação de um freqüentador, todos são obrigados a usar chapéu "que cubra a coroa da cabeça. Não pode ser de fiapos de flores", explica o médico José Albano da Nova Monteiro, 86 anos, vice-presidente do Jockey Club do Rio de Janeiro, que freqüenta Ascot há mais de vinte anos (neste ano, adoeceu e faltou). "A gente vê a rainha a uns 40 metros de distância. Ela é muito simpática. Fica numa alegria tremenda com as corridas. Nos intervalos, conversa com os treinadores, os proprietários e os jóqueis", relata. Bebe-se champanhe a tarde inteira, vendida em quiosques nas três áreas destinadas à assistência: além do pavilhão real, o Grandstand & Paddock (54 libras, ou 310 reais, por dia), também privilegiado, e o Silver Ring (18 libras, pouco mais de 100 reais), quase encostado nas pistas. Em todos, imperam os chapéus cada vez mais abusados, divididos basicamente em duas categorias: os temáticos – um jardinzinho com flores de verdade, um campo de futebol, um sapato – e os simplesmente enormes. Este Royal Ascot teve ar de despedida: o hipódromo fundado em 1711 vai passar por uma reforma e, nos próximos dois anos, as corridas serão nos arredores da cidade de York.

 
AP
Reuters
A rainha chega com o príncipe Philip: torcida e apostas de turfista autêntica Jardim na cabeça: flores de verdade para compor o tema

 
 
 
 
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