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Justiça
O que os suíços têm
contra Paulo Maluf?
Carta assinada pelo ex-prefeito
autorizou banco a doar 100 milhões
de dólares a seus filhos
Aquilo que o ex-prefeito Paulo Maluf chama
de conspiração ganhou na semana passada mais um ingrediente.
É uma carta, escrita em inglês, na qual o signatário
pede que os 100 milhões de dólares da White Gold Foundation
sejam doados a quatro pessoas. Já se sabia que a White Gold
é uma off-shore aberta por Paulo Maluf em janeiro de 1991,
com sede em Vaduz, capital do Liechtenstein, um principado situado
entre a Suíça e a Áustria. O signatário
da carta é o ex-prefeito Paulo Maluf. E os beneficiários
da doação de 100 milhões de dólares
são Flávio, Lygia, Lina e Octávio, todos filhos
de Paulo Maluf. O ex-prefeito pediu um exame grafotécnico
para provar que a assinatura não é sua, garante que
não escreveu o conteúdo da carta, que não é
dono da White Gold nem tem contas bancárias no exterior.
De acordo com Maluf, a aparição da carta comprometedora
faz parte de uma armação para tentar inviabilizar
sua candidatura à prefeitura paulistana. Considerando que
a carta foi apreendida por autoridades suíças, as
mesmas que identificaram suas contas secretas no exterior, Paulo
Maluf precisa convencer a platéia de que é alvo de
armação internacional para não ser candidato.
Há três anos, o Ministério
Público brasileiro e autoridades suíças investigam
contas bancárias em Genebra em nome de um brasileiro chamado
Paulo Maluf. O brasileiro chegou a movimentar 345 milhões
de dólares num único dia. Seguindo o rastro do dinheiro,
os investigadores apuraram que a fortuna deixou o Brasil pelas mãos
de doleiros e chegou à Suíça e a outros paraísos
fiscais. Os documentos bancários suíços revelam
que o dono das contas tem uma assinatura igualzinha à do
ex-prefeito Paulo Maluf. Por causa disso, foi pedida a quebra do
sigilo bancário de Paulo Maluf e de seus familiares nos Estados
Unidos, na França e na Ilha de Jersey. Na semana passada,
incluiu-se também a Inglaterra, pois o banco que deveria
fazer a doação de 100 milhões de dólares
fica em Londres. No Brasil, os promotores já foram autorizados
a verificar toda a movimentação bancária de
familiares do ex-prefeito e de suas empresas. O Ministério
Público também requisitou ao perito Ricardo Molina,
da Unicamp, um exame grafotécnico para saber formalmente
se a assinatura da carta ao banco suíço é ou
não de Paulo Maluf. Na semana passada, Maluf foi intimado
a depor sobre o caso do dinheiro no exterior. Os promotores lhe
fizeram quarenta perguntas e ouviram quarenta respostas iguais:
"Reservo-me o direito constitucional de permanecer em silêncio".
Maluf pretende falar apenas perante a Justiça.
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