Edição 1859 . 23 de junho de 2004

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Justiça
O que os suíços têm
contra Paulo Maluf?

Carta assinada pelo ex-prefeito
autorizou banco a doar 100 milhões
de dólares a seus filhos

Aquilo que o ex-prefeito Paulo Maluf chama de conspiração ganhou na semana passada mais um ingrediente. É uma carta, escrita em inglês, na qual o signatário pede que os 100 milhões de dólares da White Gold Foundation sejam doados a quatro pessoas. Já se sabia que a White Gold é uma off-shore aberta por Paulo Maluf em janeiro de 1991, com sede em Vaduz, capital do Liechtenstein, um principado situado entre a Suíça e a Áustria. O signatário da carta é o ex-prefeito Paulo Maluf. E os beneficiários da doação de 100 milhões de dólares são Flávio, Lygia, Lina e Octávio, todos filhos de Paulo Maluf. O ex-prefeito pediu um exame grafotécnico para provar que a assinatura não é sua, garante que não escreveu o conteúdo da carta, que não é dono da White Gold nem tem contas bancárias no exterior. De acordo com Maluf, a aparição da carta comprometedora faz parte de uma armação para tentar inviabilizar sua candidatura à prefeitura paulistana. Considerando que a carta foi apreendida por autoridades suíças, as mesmas que identificaram suas contas secretas no exterior, Paulo Maluf precisa convencer a platéia de que é alvo de armação internacional para não ser candidato.

Há três anos, o Ministério Público brasileiro e autoridades suíças investigam contas bancárias em Genebra em nome de um brasileiro chamado Paulo Maluf. O brasileiro chegou a movimentar 345 milhões de dólares num único dia. Seguindo o rastro do dinheiro, os investigadores apuraram que a fortuna deixou o Brasil pelas mãos de doleiros e chegou à Suíça e a outros paraísos fiscais. Os documentos bancários suíços revelam que o dono das contas tem uma assinatura igualzinha à do ex-prefeito Paulo Maluf. Por causa disso, foi pedida a quebra do sigilo bancário de Paulo Maluf e de seus familiares nos Estados Unidos, na França e na Ilha de Jersey. Na semana passada, incluiu-se também a Inglaterra, pois o banco que deveria fazer a doação de 100 milhões de dólares fica em Londres. No Brasil, os promotores já foram autorizados a verificar toda a movimentação bancária de familiares do ex-prefeito e de suas empresas. O Ministério Público também requisitou ao perito Ricardo Molina, da Unicamp, um exame grafotécnico para saber formalmente se a assinatura da carta ao banco suíço é ou não de Paulo Maluf. Na semana passada, Maluf foi intimado a depor sobre o caso do dinheiro no exterior. Os promotores lhe fizeram quarenta perguntas e ouviram quarenta respostas iguais: "Reservo-me o direito constitucional de permanecer em silêncio". Maluf pretende falar apenas perante a Justiça.

 

 

Paulo Pinto/AE
Maluf: como sempre, ele diz que é conspiração contra sua candidatura

 

 
 
 
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