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Edição 2009

23 de maio de 2007
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DISCOS

Divulgação
McCartney: tudo mudou, menos seu talento para compor

Memory Almost Full, Paul McCartney (Universal) – Os dois últimos anos foram de grandes mudanças para o ex-beatle. McCartney se separou da mulher, a ex-modelo Heather Mills (os detalhes sórdidos do processo fizeram a alegria dos tablóides ingleses), e se desligou da EMI, companhia pela qual gravou durante quarenta anos. Seu novo disco, Memory Almost Full, é o primeiro pelo Hear Music, selo da rede de cafeterias Starbucks. Quem apreciou as experimentações sonoras de Chaos and Creation in the Backyard, seu penúltimo álbum, vai estranhar a sonoridade mais, digamos, careta desse trabalho. A habilidade de McCartney para criar belas canções, porém, permanece intacta, como mostram Dance Tonight, faixa de abertura, e House of Wax, ambas ótimas baladas.


Dani Gurgel/Divulgação
Mônica Salmaso: Chico Buarque na medida certa

Noites de Gala, Samba na Rua, Mônica Salmaso (Biscoito Fino) – A cantora paulistana nunca escondeu sua admiração pela obra de Chico Buarque, da qual diz ter bebido ainda "na mamadeira". Nada mais natural, portanto, do que ela gravar um disco dedicado ao trabalho de Chico. Uma das qualidades de Noites de Gala está na escolha do repertório, composto de canções celebradas como Construção e Beatriz. Mônica respeita os arranjos originais, mas sem exagerar na reverência. Em Ciranda da Bailarina, por exemplo, o clima lúdico foi reforçado pelo uso da kalimba, instrumento de percussão africano. Outro trunfo é o amadurecimento da cantora. Ela sempre teve voz acima da média, mas por vezes carregava na dramaticidade. Agora encontrou a medida certa.


Begin to Hope, Regina Spektor – À primeira audição, essa cantora e pianista russa radicada nos Estados Unidos soa como uma versão modernizada de Joni Mitchell e Carole King. Mas há diferenças. Primeiro, ao contrário das duas compositoras, que foram fortemente influenciadas pela música folk, Regina flerta com o novo rock americano. Ela compôs para bandas alternativas e em 2003 abriu as apresentações do grupo Strokes – ocasião em que atraiu a atenção da mídia. Ela une, assim, a sonoridade do folk a adereços modernos, como guitarras cheias de efeitos e teclados eletrônicos. Regina também destoa do estilo confessional de Joni e Carole, e tem até uma veia humorística. On the Radio, primeiro single do disco, fala de um casal que tem de aturar uma balada chatérrima do grupo Guns N'Roses porque o DJ da rádio pegou no sono.


LIVROS

Philippe Desmazes/AFP
Pérez-Reverte: cultor do velho capa-e-espada

Limpeza de Sangue, de Arturo Pérez-Reverte (tradução de Paulina Wacht e Ari Roitman; Companhia das Letras; 232 páginas; 41 reais) – O jornalista e escritor espanhol Arturo Pérez-Reverte reavivou um gênero antiquado: o romance de capa-e-espada, ao estilo de Alexandre Dumas. Limpeza de Sangue é o segundo livro protagonizado pelo capitão Alatriste, um aventureiro espanhol do século XVII. Pérez-Reverte inclui até alguns personagens reais no meio da história, como Francisco de Quevedo, um dos maiores poetas do chamado "Século de Ouro" da literatura espanhola. Quevedo e Alatriste são parceiros na tentativa de resgatar uma noviça de um convento onde estava sendo seviciada por um frei. Os dois heróis acabam se batendo contra a Inquisição. Leia trecho.

A Construção do Samba, de Jorge Caldeira (Mameluco; 224 páginas; 27 reais) – Há uma visão romântica consagrada segundo a qual o samba é um gênero musical "autêntico", que nasceu no meio do povo, sem contaminações comerciais. O historiador Jorge Caldeira demonstra que não é nada disso: o samba se consolidou, entre 1917 e 1939, graças ao rádio e à incipiente indústria do disco. Os compositores pioneiros, como Donga e Pixinguinha, tinham um apurado senso de mercado, nos termos mais diretos: gostavam de ganhar dinheiro. Complementado com um rico material fotográfico, A Construção do Samba inclui, além do ensaio que lhe dá título, a biografia breve Noel Rosa, de Costas para o Mar, dedicada ao autor de Conversa de Botequim e outros sambas antológicos. Leia trecho.


DVD

Meus Quinze Anos (Quinceañera, Estados Unidos, 2006. Sony) – Echo Park é uma área de Los Angeles que está em transformação: em meio a uma comunidade latina formada por operários ou gente de classe média baixa, vem-se abrindo espaço para moradores mais ricos e "alternativos" – como os diretores Richard Glatzer e Wash Westmoreland, um casal gay que se encantou tanto com sua nova vizinhança que decidiu fazer um filme sobre ela. Às vésperas de seu baile de debutante, Magdalena (Emily Rios) descobre que está grávida, sem nem saber como (há explicação para o fato, porém, e ela não é religiosa). Rejeitada pelo pai, vai morar com um tio idoso, que já dá abrigo também a um primo gay da menina. O resultado é gracioso e feito com curiosidade genuína. Veja cenas.


OS MAIS VENDIDOS - CRÍTICA

Quando começou a publicar seus contos em revistas, o americano Joseph Hillstrom King assinava apenas como Joe Hill. Não queria ser reconhecido como o filho de um escritor de sucesso – Stephen King, um dos mais ricos autores de ficção barata do mundo. Embora já não exista mais segredo sobre a filiação do autor, é ainda Joe Hill que assina A Estrada da Noite (tradução de Mário Molina; Sextante; 320 páginas; 29,90 reais), em oitavo lugar na lista de ficção de VEJA. A comparação é inevitável: Hill, afinal, segue a imaginação gótica do pai. Mas é seguro dizer que os fãs de King vão se divertir também com o primeiro romance de seu rebento. A história é sobre o cinqüentão Jude, ex-líder de uma banda de rock que, para manter a pose heavy metal, coleciona itens macabros. Seu calvário sobrenatural começa quando, em um leilão na internet, ele compra um fantasma que acompanha um velho terno, entregue em uma caixa no formato de um coração. Entre uma assombração e outra, o livro faz várias referências ao rock – o título original, Heart-Shaped Box, vem de uma música do Nirvana.

J.T.

Fontes: Belém: Laselva; Belo Horizonte: Laselva, Leitura; Brasília: Cultura, Fnac, Laselva, Leitura, Saraiva; Campinas: Laselva, Fnac; Campo Grande: Leitura; Curitiba: Fnac, Laselva, Livrarias Curitiba, Saraiva; Florianópolis: Laselva, Livrarias Catarinense; Fortaleza: Laselva; Foz do Iguaçu: Laselva; Goiânia: Leitura, Saraiva; Londrina: Livrarias Porto; Maceió: Laselva; Manaus: Laselva; Natal: Laselva; Porto Alegre: Cultura, Livrarias Porto, Saraiva; Porto Seguro: Laselva; Recife: Cultura, Laselva, Saraiva; Rio de Janeiro: Argumento, Fnac, Laselva, Saraiva, Travessa; São Paulo: Cultura, Fnac, Laselva, Livraria da Vila, Nobel, Saraiva; Teresina: Laselva; Vitória: Laselva, Leitura; internet: Cultura, Laselva, Leitura, Nobel, Saraiva, Submarino.
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