Para um calouro,
nada melhor do que
figurar no Raul Gil
Sérgio Martins
Fotos Lailson Santos
Ricky Vallen,
ex-Weverton
Melo: do motel
para a fama
Há alguns
anos, o cantor carioca Weverton Carlos de Melo atendeu ao
pedido insólito de uma fã: cantou para ela e
o marido num quarto de motel em Volta Redonda. "Fiquei atrás
de uma cortina enquanto eles faziam sexo", diz. Hoje rebatizado
Ricky Vallen, Melo é um dos raros artistas brasileiros
que vendem disco para valer. Homenagens, seu CD de
estréia, passou a marca das 50.000 cópias e
disputa o topo da parada com Ivete Sangalo. Artisticamente,
por assim dizer, o cantor ainda é o mesmo dos tempos
de bardo de motel – seu álbum é um apanhado
de versões de Zezé Di Camargo, Wando e congêneres.
O que mudou sua carreira foi a passagem pelo Programa Raul
Gil: os artistas revelados ali parecem imunes à
crise do mercado fonográfico e emplacam mais sucessos
que os saídos de programas similares em outras emissoras.
Mesquita: sua cópia
do pior de Kenny
G é um sucesso
No ano passado,
Caio Mesquita, um saxofonista cuja especialidade é
imitar os vícios mais irritantes do americano Kenny
G., vendeu 250.000 cópias do CD Jovem Brazilidade
depois de figurar na atração. Logo lançou
um CD e um DVD ao vivo e um disco de canções
natalinas. O segredo do sucesso desses calouros reside nos
moldes do concurso. Ao contrário de programas como
Fama e Ídolos, que mostram as etapas
da fabricação de um artista ou troçam
de candidatos ruins, no Raul Gil os calouros se enfrentam
em combate direto, num duelo de vozeirões que dá
à atração um ar de autenticidade. O perfil
dos intérpretes ajuda. Ricky Vallen é o caso
típico de rapaz pobre que começou a cantar para
ajudar nas contas da família. Caio Mesquita assume
a persona de músico compenetrado – até meio
carrancudo para os seus 16 anos. Além disso, os artistas
são presença garantida na emissora que exibe
Raul Gil, a Bandeirantes, embora estejam livres para mostrar
seus dotes nas concorrentes. Raul também lucra ao promover
os seus calouros. Eles lançam seus discos pela Luar,
companhia dirigida pelo filho do apresentador, que abocanha
50% dos ganhos.
Raul Gil tem longa fama como descobridor de talentos. Exceto por algumas exceções, como as bandas Titãs e Camisa de Vênus, o sucesso alcançado dessa forma costuma ser efêmero. Que o diga Robinson Monteiro, o Anjinho, que vendeu 1 milhão de unidades de seu disco de estréia, em 2001, e então sumiu. O desafio de Vallen e Mesquita é provar que são talentos genuínos. Caso contrário, é de volta para o motel.