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23 de maio de 2007
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Música
A era Timbaland

Produtor de mais de oitenta artistas de renome,
ele já deixou sua marca na música pop


Sérgio Martins

MJ Kim/Getty Images
Timbaland: "Não
existe produtor que
se compare a mim"


Não é impossível que, no futuro, esta primeira década do século XXI venha a ser conhecida como a "era Timbaland" na música pop. Timbaland é o nome artístico do americano Timothy Mosley. Rapper medíocre, ele tornou-se uma potência como produtor. Até a última contagem, 82 artistas de renome internacional haviam requisitado os seus préstimos. Uma amostra da reverência que ele desperta está no disco Shock Value, seu segundo trabalho-solo, que acaba de chegar às lojas. Da lista de participações especiais constam não apenas discípulos de longa data, como o cantor Justin Timberlake e o rapper Jay-Z, mas também surpresas como o Fall Out Boy, sensação do rock "emo", e o The Hives, uma banda sueca com pegada punk. Uma mostra de que Timbaland não pára de ampliar sua influência.

Muitos músicos negros dos Estados Unidos costumam fazer propaganda de suas origens pobres, ou até exagerá-las. Timbaland é um rebento da classe média negra americana. Tem 36 anos e nunca se queixou de uma infância problemática. Sua carreira deslanchou em meados da década passada, quando foi convidado a produzir uma faixa da cantora Aaliyah. Em seguida iniciou uma bem-sucedida parceria com a rapper Missy Elliott, sua ex-colega no ginásio. A dupla lançou, entre outros CDs, Miss E... So Addictive, que ditou um novo estilo para o hip hop. O gênio de Timbaland é a colagem. Como disse o crítico Alex Ross na revista The New Yorker, "ele é capaz de combinar todos os ritmos da Terra". Mas ele também tem demonstrado a impressionante capacidade de reformular carreiras. Fez isso com a cantora Nelly Furtado, que se tornou mais provocante sob sua tutela, e sobretudo com Justin Timberlake, depois que ele deixou o grupo juvenil 'N Sync. Se Timberlake é hoje um dos grandes vendedores de discos do mundo, isso se deve em boa parte a Timbaland, que define assim a relação: "Estou para Justin assim como Quincy Jones esteve para Michael Jackson nos anos 80". Dois meses atrás, o produtor se ofereceu para ser o "salvador de Britney Spears". Isso significa não apenas recuperar a carreira artística da cantora, mas também afastá-la de escândalos, dando-lhe orientação religiosa. Timbaland é um cristão fervoroso.

A modéstia não faz parte do repertório de Timbaland. "Não existe produtor que se compare a mim", costuma dizer. Curiosamente, ele não realizou no próprio disco os milagres que costuma fazer em disco alheio. Shock Value é apenas regular. Isso se deve, em grande parte, às limitações de Timbaland como rapper. É improvável que, incumbido apenas da produção, ele aceitasse trabalhar com um vocalista de sua categoria. Com isso, restam as faixas protagonizadas por outros artistas. Justin Timberlake e Nelly Furtado cantam juntos em Give It to Me, que não chega a ser ruim, mas é algo assim como Timbaland imitando Timbaland. Elton John, agregado de última hora, apenas toca piano em 2 Man Show. Mas então vem One and Only, executada pelo Fall Out Boy, que justifica a existência do CD. Nesse rock balançado, interrompido por suaves intervenções de rap, Timbaland conseguiu construir uma ponte entre o mundo enfezado do hip hop e o mundo de sentimentos derramados do movimento emo. São achados como esse que mostram por que ele faz a diferença na música pop.



Toque de mestre

As palavras de Timbaland sobre dois de seus parceiros

Kevin Winter/Getty Images

JUSTIN TIMBERLAKE

"Justin é um artista completo, eu sou para ele o que Quincy Jones foi para Michael Jackson na década de 80."

BJÖRK

"É uma das parcerias de que mais me orgulho. A voz de Björk nasceu para ser acompanhada pelas minhas batidas de bateria."

Divulgação

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