Em
2005, na esteira dos escândalos políticos que abalaram o país,
o Partido dos Trabalhadores decidiu processar VEJA, com a alegação
de que a revista mostrava "a nítida intenção em ferir a imagem
e o nome do PT". Na petição, o partido tentou lançar uma
sombra de suspeição sobre oito capas de VEJA (reproduzidas abaixo)
que denunciavam malfeitos de petistas no poder. Na semana passada, a juíza
Ana Carolina Vaz Pacheco de Castro, de São Paulo, julgou improcedente a
ação movida pelo PT, por meio de uma sentença que prima pela
clareza: "Não se olvida que todas as capas e as matérias centrais
que a elas se referem retratam tristes episódios de corrupção,
tráfico de influência e quebra de normas éticas e morais em
que o Partido dos Trabalhadores teria se envolvido, os quais são de inegável
interesse público". Acrescenta a magistrada: "A imprensa tem não
só o direito, mas também o dever de retratar fatos graves que tais,
não se esperando outro comportamento dos meios de comunicação
responsáveis e comprometidos com o papel social de levar ao público
a informação que lhe interesse, especialmente sobre seus entes políticos,
como no caso. Estranha seria a omissão da revista VEJA diante de
tais fatos, haja vista sua postura, ao longo dos anos, de prontamente denunciar
escândalos públicos que afrontam a seriedade e ética do sistema
político brasileiro, sendo um dos órgãos de imprensa mais
contundentes no exercício do jornalismo investigativo".
A juíza lembra, ainda, que VEJA foi igualmente vigilante com outros governos,
como o de Fernando Collor e o de Fernando Henrique Cardoso, e que, nessas oportunidades,
atraiu inclusive elogios de integrantes do PT. Mais: que outros órgãos
de imprensa, nacionais e internacionais, noticiaram os escândalos protagonizados
pelo partido no poder. A sentença da juíza Ana Carolina Vaz Pacheco
de Castro é um alento e uma prova da existência de um estado de direito
sadio no Brasil. É também um reconhecimento do patrimônio
de credibilidade e independência que transformaram VEJA na maior revista
do país e na quarta revista semanal de informação do mundo.
As
capas que incomodaram o PT: "tristes episódios de corrupção, tráfico de influência
e quebra de normas éticas e morais"