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Diogo
Mainardi
Marcelo, o não
tão Sereno
"Um senador o chamou de PC Farias do
PT.
Um deputado o definiu como caixa do PT do Rio.
Era o principal colaborador
de José Dirceu no
ministério. Quando Waldomiro Diniz caiu, ele
também caiu. Foi varrido para baixo do tapete,
mas continua a fazer o jogo sujo do governo"
Marcelo Sereno. Um senador o chamou de PC Farias
do PT. Um deputado o definiu como caixa do PT do Rio. Era o principal
colaborador de José Dirceu no ministério. Waldomiro
Diniz negociava as emendas, Marcelo Sereno, a distribuição
de cargos. Quando caiu o primeiro, o segundo também caiu.
Luiz Eduardo Soares garante que Marcelo Sereno conhecia o esquema
de propinas de Waldomiro Diniz. E ficou calado.
Marcelo Sereno está agora na Secretaria
de Comunicação do PT. Foi varrido para baixo do tapete,
mas continua a fazer o jogo sujo do governo. Recentemente, mandou
uma carta a VEJA em que me acusa de receber dinheiro da indústria
nacional de armas para atacar o Estatuto do Desarmamento. Isso eu
não topo. Vamos lá. Ponto por ponto.
Primeiro. O Brasil tem uma única fábrica
de armas e uma única fábrica de munição,
que abastecem o Exército e a polícia. Não recebo
dinheiro delas. Não as defendo. Pelo contrário. Quero
que se danem. O monopólio privado nesses dois setores deve
ser quebrado, porque compromete a segurança nacional. Nossa
polícia precisa ter acesso a equipamento de melhor qualidade
e mais barato. Os policiais americanos usam a pistola austríaca
Glock ou a italiana Beretta. Se os americanos usam pistolas estrangeiras,
nós também podemos usar. Quanto à munição,
a reserva de mercado é igualmente deletéria. Uma bala
no Brasil custa o triplo do que nos Estados Unidos. É tão
cara que nossos policiais não podem praticar tiro. Por isso,
não acertam no alvo. Por isso, morrem sem parar.
Segundo. Marcelo Sereno fez piquete contra
a privatização da Vale do Rio Doce. De lá para
cá, ele mudou muito: até passou a aceitar dinheiro
das companhias privatizadas, tendo sido indicado pelo BNDES para
o cargo de conselheiro de duas grandes empresas de energia. Apadrinhados
de Marcelo Sereno estão espalhados na administração
pública. Controlam do setor de comunicação
na Anatel ao de pesquisas nucleares na INB. Em dois anos, o governo
do PT contratou mais de 40.000 servidores. Essa grilagem do Estado
foi coordenada por Marcelo Sereno. No período, os gastos
federais com pessoal subiram 23,1 bilhões de reais. Se esse
dinheiro tivesse sido aplicado no combate à criminalidade,
milhares de pessoas teriam sido salvas. Não foi o que ocorreu.
Ao mesmo tempo que os gastos com pessoal aumentaram, os investimentos
em segurança pública diminuíram. Em 2004, foram
só 273 milhões de reais. Os apadrinhados do PT não
custam somente dinheiro custam vidas.
Terceiro. O Ministério da Justiça
se baseia em estatísticas do estado de São Paulo para
afirmar que, no ano passado, o número de homicídios
caiu "em função do Estatuto do Desarmamento". Lorota.
O número de homicídios no estado de São Paulo
realmente caiu em 2004. Só que caiu num ritmo ainda mais
acentuado em 2003, quando não havia Estatuto do Desarmamento.
O mérito pela queda no número de homicídios
é do governo estadual, não do federal.
Quarto. Promotores do desarmamento avisam
que é perigoso reagir a assaltos. Não reagir também
é perigoso. O perigo está nos assaltos, não
na reação. O governo inverte a questão para
se eximir de responsabilidade.
Quinto. Armas não disparam sozinhas.
Claro que acidentes acontecem. Seu filho pode enfiar o dedo na tomada.
Pode pular da janela. Pode apertar o gatilho de um revólver.
Pode se tornar um PC Farias do PT.
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