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Carta ao leitor
As Farc e a capa de VEJA
Celso Junior/AE
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| Reunião mista do Congresso discute documento
da Abin sobre doação de guerrilha ao PT |
A reportagem de capa de VEJA da semana passada
revelou que nos arquivos da Abin, a Agência Brasileira de
Inteligência, havia um documento em que se registrava o anúncio
da doação por parte das Farc, a narcoguerrilha colombiana,
de 5 milhões de dólares à campanha eleitoral
do PT em 2002. A apuração de VEJA conseguiu comprovar
que o assunto foi mesmo investigado pela Abin e informa não
ter sido possível chegar a evidências sólidas
de que o dinheiro efetivamente entrou no país. A reportagem
produziu reações fortes de integrantes do governo
e do Partido dos Trabalhadores, que colocaram sob suspeita as fontes
e as motivações de VEJA. Criticou-se, em especial,
o fato de o assunto ter sido estampado na capa da revista.
O teor das reações contrárias
à reportagem é, em si, uma prova de que ela não
poderia ter merecido atenção menor por parte da revista.
Tinha mesmo de ser a capa. Depois da publicação da
capa de VEJA, as Farc, adeptas das práticas do terrorismo
e do seqüestro, não podem mais ser vistas da forma romântica
e ingênua como eram encaradas por militantes esquerdistas
e até pelo governo brasileiro. A reportagem de VEJA forçou
os petistas dentro e fora do governo a explicitar pública
e inequivocamente seu repúdio às Farc e, pela primeira
vez, a descrevê-las como elas são: um grupo violento,
criminoso, antidemocrático, expansionista, financiado pelo
narcotráfico e cuja ação é nociva à
Colômbia e a seus vizinhos. Um grande avanço, portanto.
Na semana passada, a denúncia foi discutida
em uma reunião da comissão mista do Congresso que
trata do Controle das Atividades de Inteligência. Confirmou-se
a existência de um documento na Abin segundo o qual "as Farc
estariam doando" dinheiro a petistas, mas o órgão
não teria julgado o relato forte o suficiente para merecer
apuração oficial mais profunda. Uma nova reportagem
de VEJA sobre o assunto publicada na presente edição
mostra que não foi bem assim. A revista traz à luz
a figura do coronel Eduardo Adolfo Ferreira, que integrou os quadros
da Abin e cuidou diretamente da investigação sobre
a prometida doação das Farc. Ferreira revela que a
questão não foi tratada apenas em um breve relato,
mas em três extensos memoriais que foram parar nas mãos
de Marisa Del'Isola, então chefe da Abin. Que destino os
documentos tiveram ainda é um mistério. Ainda.
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