Vovô vai à Justiça
Como a "nova família" mudou a realidade
dos tribunais brasileiros
Anna Paula Buchalla
Ricardo Benichio
 |
|
O casal Emílio e Maria Amélia,
com o neto: briga pelo direito de visita
|
Existem diversas maneiras de acompanhar a evolução
de uma sociedade. Uma das mais curiosas é observar
os processos em andamento nas varas de família espalhadas
pelo Brasil. No tempo em que a chamada unidade familiar
padrão era formada de pai, mãe e filhos, os
casais procuravam a Justiça para dratar de separação
e, bem mais tarde, do divórcio. Nos últimos
anos, a chamada unidade padrão desapareceu e os tribunais
foram invadidos por um sem-número de casos novos.
O padrasto entra com ação para conseguir da
ex-mulher o direito de ver o enteado. Depois de morar juntos
por vários anos, o rapaz move processo contra seu
parceiro na disputa por um quinhão do patrimônio
que construíram. Como o Código Civil brasileiro
é de 1916, tais litígios tiram o sono dos
advogados e fazem juízes e desembargadores quebrar
a cabeça em busca de uma solução coerente.
"São questões que caem no subjetivismo do
juiz", diz o advogado Sérgio Marques da Cruz Filho,
sócio de uma das bancas de direito de família
mais tradicionais do país. E tudo porque as leis
ainda não foram adaptadas aos novos padrões
de comportamento.
Os números ajudam a mostrar que o conceito de família
está mudando. Dez anos atrás, havia menos
de 100.000 divórcios por
ano no Brasil. Hoje são cerca de 200.000,
e de cada dez casamentos em pelo menos um deles um dos cônjuges
está se casando pela segunda vez. São milhares
de crianças vivendo com seus padrastos. Isso explica
o aumento do número de casos referentes a regime
de visitação na Justiça. Mesmo quando
a separação é consensual, é
obrigatório que se defina o regime de visitas, dias
e horários em que um dos cônjuges tem direito
de estar com o filho. "Criar normas para essa confusão
toda é muito difícil", diz a advogada Floriza
Verucci, membro da comissão que estuda um novo estatuto
de família para reforma do Código Civil. "A
questão é tão delicada que se pensa
até num código específico para a família."
Em meio a essas mudanças, os advogados notaram
que até aquela figura doce dos avós foi parar
no tribunal. "Eles se tornam vítimas de uma separação
conturbada", afirma Marques da Cruz. A polêmica que
os levou à Justiça é a seguinte: vovô
e vovó têm direito de visitar os netos quando
os pais da criança (em alguns casos seus próprios
filhos) fazem objeção? A lei não dedica
uma linha ao assunto, mas ele é de vital importância.
"Os avós são parte da família e o menor
tem direito a essa companhia", diz o presidente do Tribunal
de Justiça de São Paulo, desembargador Marcio
Bonilha. "Como ele não tem capacidade de discernimento,
cabe ao juiz olhar em seu benefício", acrescenta.
Foi o que fez o casal Emílio e Maria Amélia
Zaidan, de São Paulo, entrar com um pedido na Justiça.
O neto deles, também Emílio, então
com 4 anos, estava acostumado a conviver com os avós
maternos desde a morte de seu pai, quando ele ainda era
um bebê de 9 meses. Nessa época, sua mãe,
Silvia, fez uma triste escolha. Foi viver com um homem que
se envolveu com o crime e privou o filho de qualquer contato
familiar. "A situação era séria e nos
deixava muito tristes", lembra Maria Amélia. Ficou
acertado que eles poderiam ver o menino uma vez por semana
e durante um fim de semana a cada quinze dias. "Quando ele
tinha de voltar para sua casa, era um drama", diz o avô
Emílio. Hoje com 19 anos, Emilinho, como é
chamado, vive com os avós (sua mãe faleceu
há seis anos), cursa faculdade de turismo e tem sociedade
num restaurante japonês.
|

Que tipo de turista se arrepende de fazer um cruzeiro
nas férias?
As pesquisas indicam que as pessoas que escolheram
um cruzeiro ou nutriam grande curiosidade de conhecer
um navio ou encontraram um pacote com preços atraentes.
Em qualquer dos casos, o índice de reclamação é baixo.
Por segurança, no entanto, recomenda-se que fuja do
passeio aquele tipo de gente "elétrica",
que gosta de mudar de idéia no meio da viagem. Para
essas pessoas, a falsa sensação de confinamento é
perturbadora.
A acupuntura oferece tratamento eficiente para
quem quer perder peso?
Carlos Costa
 |
A relação entre acupuntura e emagrecimento não é direta.
Ou seja, o tratamento não faz com que o paciente queime
gordura. O que acontece é que, quando aplicadas em
pontos específicos do corpo, as agulhas estimulam
o organismo a liberar substâncias que aumentam a sensação
de tranqüilidade, como a endorfina e a serotonina.
Além disso, alguns dos pontos, se estimulados, ajudam
a diminuir a quantidade de líquido retida pelo organismo,
uma das agravantes da obesidade. Para obter bons resultados,
a acupuntura deve ser associada a um programa de reeducação
alimentar.
|